Primeiro Episódio: Kamen Rider Gaim

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Frutas, dança e guerra. É o novo Kamen Rider, desta vez com roteiro de nada mais nada menos que Gen Urobuchi.

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Desde seu nascimento há dez anos, o bloco Super Hero Time exibe duas séries da Toei por semana, Super Sentai e Kamen Rider. No dia 06/10/2013 estreou a nova companhia de Zyuden Sentai Kyoryuger, Kamen Rider Gaim, com frutas, guerra, dança, um ano e cerca de 50 episódios pela frente.

A história da série segue Kouta Kazuraba [Kamen Rider Gaim], um jovem que vêm sofrendo para se adaptar a vida de um adulto em uma estranha e supostamente perfeita cidade, que por acidente encontra um dispositivo estranho, o Sengoku Driver, que o permite se transformar fixando um diferente cadeado no mesmo [chamados Lockseeds]; sendo assim obrigado a enfrentar o destino de ter que “moldar o mundo a sua imagem”.

Gaim é realizado por uma equipe que leva a boas expectativas no “automático”, tendo Naomi Takebe [Kamen Rider Blade] como produtora, Ryuta Tasaki [Power Rangers: Lightspeed Rescue, Kamern Rider 555, Kamen Rider Ryuki, Hikounin Sentai Akibaranger] como diretor e o estreante no mundo dos tokusatsus, Gen Urobuchi [Fate/Zero, Saya no Uta, Puella Magi Madoka Magica], como roteirista principal.

Nesse Primeiro Episódio somos introduzidos a esse estranho e maravilhoso mundo novo – e como já era de se esperar, envolto de mistérios. Zawame City, uma cidade planejada, “perfeita” onde todos os serviços são controlados por uma única, poderosa e misteriosa corporação, Yggdrasil Co.; uma cidade “vendida” como o meio para uma vida melhor. Nessa cidade, os jovens “batalham” por palcos, em uma espécie de “competição de dança” chamada de BeatRiders, sendo colocados como verdadeiras facções em guerra. Porém, de uma hora pra outra, surgiram estranhos cadeados, Lockseeds, capazes de “invocar” monstros [Invess] para lutar – e logo isso começou a ser usado pelos times de BeatRiders pra resolver suas diferenças, quase sobrepondo o que realmente era importante pra eles, a dança. O que são as Lockseeds? Quem começou a vende-las por aí? Há algum envolvimento da Yggdrasil nisso tudo? Um verdadeiros mistério.

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Para um primeiro contato, foi muito satisfatório, um mundo verdadeiramente intrigante, apresentado algo que parece ser uma falsa utopia, e colocando em cena um jogo que remete ao período Sengoku [período dos estados em guerra], um dos momentos mais instáveis da história japonesa, a grande inspiração da série. Também nos é apresentado o “outro mundo”, Helheim, um lugar com uma majestosa e excêntrica fauna, de onde os Invess saem quando são “invocados”, lá também nascem… Lockseeds? De fato, o mais intrigante mistério introduzido.

Além de introduzir o universo, o episódio se foca em introduzir nosso protagonista. A apresentação inicial de Kouta é esplendida, construindo bem seus pilares e dilemas iniciais. A série coloca Kouta como alguém que está de prontidão para ajudar, que parece inabalável “por fora” – porém, em sua mente passa por um grave conflito consigo mesmo. Em sua relutância a aceitar o “mundo adulto”, Kouta se questiona diversas vezes do porquê da vida ser assim, do porquê de ter que abandonar tudo que sempre se importou e amou pra poder trabalhar, cuidar de si mesmo, melhor dizendo, sobreviver.

Querer tomar as responsabilidades para si parece ser o traço mais marcante da personalidade de Kouta, desde o querer ajudar a todos, até mesmo a sua overdose de trabalho, coisa que ele só enfrenta por não querer preocupar a irmã mais velha. Nesse momento inicial Gaku Sano, o ator que dá vida ao nosso protagonista, se sai bem, conseguindo dosar bem o peso do dilema de Kouta e o carisma necessário para uma série infantil.

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A série segue basicamente três pilares de inspiração para os designs de seus motoqueiros mascarados, frutas e guerreiros do período Sengoku para as armaduras [nosso protagonista por exemplo, se transforma inicialmente em um guerreiro baseado em uma laranja], e flores para as motos. O resultado disso são designs diferentes, excêntricos e bem extravagantes, ao mesmo tempo que belos e funcionais em cena, entrando em harmonia com toda a estética proposta pela série. Algo que gerou incômodo nesse primeiro episódio foi o design do monstro que Kouta enfrenta, simplório e inexpressivo, muito destoado do design que a armadura de nosso protagonista apresenta.

O episódio se mantém com um bom ritmo, conduzindo bem sua sequência lógica e conseguindo ser uma boa introdução sem ser maçante, expondo de forma quase que natural, os pilares do mundo. Quando o foco se muda para Kouta, o episódio é quase que lentificado – porém, isso não é feito de forma grosseira, e a série soube usar de recursos lógicos como um monólogo de Kouta para conduzir de forma mais lenta mas ainda assim extremamente fluída.

Quanto as cenas de ação, foram muito bem conduzidas, usando de diferentes angulações e cortes pontuais. O dinamismo das cenas conseguiu transpor emoção e um ritmo acelerado, algo que resultou em uma sequência dinâmica e agradável ao espectador: algo belíssimo que se deu neste Primeiro Episódio foi a diferenciação feita entre este nosso mundo e Helheim. Com um aspecto de câmera diferenciado, usando posicionamentos e cortes diferentes, regado a um aspecto azulado em um exuberante cenário de florestal, o lar dos Invess realmente pareceu ser um lugar distanciado do mundo onde nosso protagonista vive.

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Sobre o enredo, pouco é mostrado neste Primeiro Episódio, tudo é muito mais sugerido. No primeiro instante, nos é mostrado um conflito monumental, com nosso protagonista comandando um exército de monstros e indo de encontro a outro exército, também comandado por um Rider, como se fossem estados em guerra no período Sengoku; algo que é referido pelo narrador da série como “destino”. Mais tarde no episódio, quando Kouta se vê obrigado a realizar sua primeira transformação, surge uma misteriosa garota de cabelos loiros e roupa branca, também falando sobre destino, dizendo que se Kouta continuar, que não haverá mais volta, que ele terá que cumprir com o destino dele, o destino de moldar o mundo a sua imagem. No mais, tudo é deixado no ar, criando uma intrigante e cativante atmosfera de mistério que faz nascer uma forte vontade de saber o que se dará no próximo ato.

Gaim parece querer unir o passado ao presente em vários aspectos, trazendo a um ambiente moderno um tema milenar com a era Sengoku japonesa – tudo isso com uma pitada de juventude, algo simbolizado pela forte presença da dança de rua na série. Há também um espirito de retomada para com as séries do começo da chamada era Heisei. Urobuchi já disse em uma entrevista que a série quer retomar o estilo predominante nessas séries, dando adeus aos mini-arcos de dois episódios e trazendo novamente uma história mais focada em um enredo geral. Esse espírito também pode ser percebida em uma série de pequenas homenagens a diversas séries, como a configuração de um conflito entre Riders, algo que lembra Ryuki, e por falar em Ryuki, Gen também já declarou que o Kamen Rider Zangetsu lembrará o Kamen Rider Ouja, de Ryuki.

Frutas, dança e guerra. Com isso, Kamen Rider Gaim toma o palco das manhãs de domingo de forma extremamente singular e encantadora, envolto de mistérios, e tentando unir o passado ao presente, tanto do Japão quanto dos nossos queridos motoqueiros mascarados.

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Guest Post pelo grande Rubnox/Red Tachihara, manjador de desenhos orientais, ocidentais, dramas com efeitos especiais e celulares. Apaixonado pela Rei Ayanami.

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