Strike Witches THE MOVIE

Sabe quando o episódio especial para DVD é alongado – em todos os sentidos?

Após duas temporadas de grande sucesso [ao menos no Japão] finalmente Strike Witches ganha um filme – sim, a polêmica franquia que conta a história de um mundo alternativo aonde a magia sempre existiu e em 1939, em vez de Hitler e cia. decidirem brincar de Segunda Guerra Mundial, alienígenas sem rosto, forma e mesmo objetivo chamados Neuroi invadiram a Terra e começaram a simplesmente destruir tudo, a ponto de garotas mágicas municiadas dos propulsores tecnológicos que dão o nome ao anime serem a única esperança da humanidade. Como diz o site oficial em inglês da série, vencendo a guerra… de calcinha!

Como dito, a proposta é ofensiva o suficiente para ser considerado por alguns o pior anime da década, mas o sentimento geral é de uma obra que mesmo que com um roteiro [ao menos na primeira temporada – a segunda acaba decalcando a proposta a um ponto não muito defensável] mediano a obra compensa na medida certa de ação muito bem desenhada e personagens interessantes mesmo que rasas. É uma diversão algo boba mas bem executada feita para iniciados no mundo dos animes, as pessoas que costumamos chamar de otaku.

Se a animação é muito boa, particularmente bem-dirigidas nas cenas de ação que são o ponto alto do anime, as muitas e espertas referências históricas dão um tempero para o lado nerd de cada um e as personagens são todas carismáticas [e namoráveis e/ou shippáveis, o que depende do fetiche do espectador] o suficiente para serem populares mesmo sendo não muito mais que um amontoado de clichês, por que não desligar o cérebro e se divertir?

É essa a fórmula vencedora que faz Strike Witches ser financeiramente o maior sucesso da Kadokawa em algum tempo [sim, mais que o queridinho Steins;Gate] – e assim, é basicamente isto que continua no filme da série, que em noventa minutos cravados conta mais uma aventura da 501st Joint Fighter Wing pela Europa, mais uma grande batalha envolvendo as adoráveis protagonistas contra uma nova e poderosa ameaça.

Strike Witches. O FILME. A estrutura da série, encaixada a um episódio especial e assim menos preocupado em contar um épico, mas ainda assim alongado aos noventa minutos e a tela grande tornaram o feeling da obra algo diferente do que estávamos acostumados. É uma grande jornada de reencontro entre as amigas que se separaram após o final da Segunda Temporada e irão se juntar para nos dez minutos finais entreter o espectador com um show de acrobacias aéreas – e ao longo da jornada entregarem momentos cômicos, dramáticos e mostrar a amizade [ou algo a mais, na velha dualidade do yuri feito para ser consumido por homens] que tem.

Claro que a comédia e o drama acabam sendo, como sempre, apenas razoáveis e mornos – o que torna a série especial realmente são as personagens [e a ação]; assim, a grande sacada em termos de enredo aqui é a introdução da co-protagonista Shizuka Hattori que, estudante exemplar e dedicada que exemplifica uma visão idealizada do soldado japonês, irá encontrar em Miyafuji [e seu foco acima de tudo em ajudar os outros, algo sempre citado mas especialmente enfatizado neste filme] uma contraparte, um guia para poder amadurecer. A tensão entre as duas pode ser breve, mas evoca as pitadas de drama causadas nas produções televisivas pela aqui ausente Mio Sakamoto – e cumpre seu papel como um grande eixo para o roteiro da obra fluir.

E flui. Durando exatamente o tempo certo, um tempo que também permite a direção fazer algo coeso e sem baixos perceptíveis apesar do começo claramente lento e algo repetitivo, sem momentos chatos que façam ter vontade de largar o filme pela metade, Strike Witches THE MOVIE prova que o gênero das garotas mecha, das mecha musume, continua vivo e operante.

Com tantos filmes – e animes – que falham inclusive em serem divertidos, temos aqui um exemplo de algo que se não será lembrado por si só como um bom filme, é um adicional bem válido que sucede em firmar-se no patamar da Primeira Temporada e inclusive expande as possibilidades da franquia ao mostrar outras unidades e outras garotas que devem em breve ganhar seus próprios animes. Porque sim, como dito no final, continua…

…como? Um dos acertos do filme é justamente podar os momentos das outras Witches [exceto, claro, a sensacional dupla formada por Lucchini e Charlotte], que já apareceram o bastante e foram cristalizadas o suficiente para não terem arcos dramáticos a frente; e com diversas outras frentes já mostradas até aqui, a solução mais óbvia [mas também a mais difícil financeiramente, afinal muitos já criaram sua zona de conforto ao redor de suas personagesn favoritas] é criar um grande sopro de ar fresco na forma de uma nova abordagem a série. A conferir, e que não seja uma tentativa de simplesmente recontar o que já vimos duas vezes.

Sabe quando o episódio especial para DVD é alongado – […]

3 thoughts on “Strike Witches THE MOVIE”

  1. >expande as possibilidades da franquia ao mostrar outras unidades e outras garotas que devem em breve ganhar seus próprios animes.

    Eu acho legal é que você fala de expandir probabilidades como se isso fosse ter algum efeito interessante. Interessante no sentido de não só trocar rostos ou calcinhas e seguir fazendo a mesma coisa. Não que SW fosse lá muito digno de respeito mas depois da segunda temporada…

    Fora que SW deve ter meio milhão de serializações em mangás. Só pegar o que mais vende.

  2. Ei, Qwerty:
    Bem que você poderia fazer uma enquete, para saber qual é o perfil dos(as) fãs de animes e mangás/otakus brasileiros(as), ao menos os que frequentam este blog.
    A enquete poderia ser mais completa se incluísse coisas como:
    1.Qual a renda dos(as otakus? Se eles(as)trabalham ou vivem de mesada?
    2.Quanto é que ganham de salário ou de mesada?
    3.Qual é a classe social a qual pertencem ou se consideram pertencer: classe alta, média alta, média baixa, baixa ou remediados?
    4.Como acessam a internet: de casa, de lan house, da casa de parentes, amigos ou colegas, ou de outros lugares?
    5.Qual a velocidade: se é banda estreita (linha telefônica) ou se é banda larga (e de quantos MBs é a velocidade)?
    6.Quanto gastam em mangás, eventos, etc. por ano?
    7.Usam cartão de crédito (próprio ou dos pais) ou dinheiro para fazer as compras?
    8.Qual a faixa etária deles(as)?
    9.Quantos importam (ou compram de lojas que trabalham com produtos importados) mangás animes, games, etc?
    10.Onde moram (em que Estado, em que cidade, se na zona urbana ou rural)?
    11.Qual é o grau de ensino deles(as): Universitário, secundário, primário ou nenhum?
    12.Quantos(as)ossuem gravador de DVD ou BD?
    13.Quantos(as) baixam animes na internet?
    14.O que fazem com os animes baixados: assistem e depois deixam no HD, gravam no DVD ou BD ou simplesmente deletam?
    15.Onde compram os animes: nas lojas, na internet ou no camelô?
    16.O que os(as) fariam preferir comprar os animes legalizados (lançados no Brasil ou importados) ao invés de baixá-los dos fansubbers? Isenção ou redução de impostos, inclusive de importação, preços mais baixos, facilidades de pagamento, crédito facilitado, menos burocracia para importar, parcelamento de preços, etc.?
    17.De quanto dinheiro eles(as) acham que precisariam para comprar todos os animes, mangás, games e outras coisas relacionadas a animes e mangás? Qual a quantia que eles(as) achariam suficiente ou mais que suficiente para passar a comprar tudo o que querem, ao invés de baixar de graça?
    18.O que eles(as) seriam capazes de fazer para obter dinheiro para comprar todos os animes, mangás, etc. que quiserem (fazer “bicos”, jogar na Mega-Sena (ou no jogo do bicho), assaltar bancos, traficar drogas, sequestrar milionários, falsificar dinheiro, hackear contas bancárias para desviar dinheiro, aplicar golpes, prostituir-se, mendigar, pedir doações, vender o próprio rim, vender a virgindade, vender a alma, etc.)?
    Além dessas perguntas, poderia-se fazer mais outras que não me ocorreram colocar aqui.
    De qualquer forma, seria muito interessante ter um perfil completo (ou mais completo possível) dos fãs de mangás e animes/otakus brasileiros, para que se possa ter uma idéia de como eles são realmente, e dessa forma, entender melhor as suas ambições, desejos, reclamações, linhas de pensamento, etc. Não concorda?

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