Primeiro Episódio: Magi

Saudades de assistir um battle shounen realmente bem-feito, como não vemos talvez desde Ao no Exorcist? Magi ~the Labyrynth of Magic é a resposta.

Três meses, o desejo e a previsão viraram realidade. Embarquem com Aladdin e Alibaba nesse labirinto de magia!

Magi ~the Labyrinth of Magic~ é um anime de vinte e cinco episódios [2-cour] animado pelo A-1 Pictures [Ano Hana, Ao no Exorcist, Sword Art Online] e dirigido por Koji Masumari [Read or Die, Welcome to the Space Show] baseado no manga de Shinobu Ohtaka [Sumomomo Momomo] publicado na Weekly Shounen Sunday desde 2009 e que conta a história que

gira em torno de Aladin, que viaja pelos desertos cheios de bandidos e criaturas maléficas e que possui uma flauta mágica que possui dentro dela um gênio!; em sua jornada em busca das “Dungeon”, Aladin conhece outras pessoas como Alibaba e outros.

Assim Alibaba – você, jovem normal, fraco, pronto para a aventura mas que tem medo e como um bom e normal jovem de nossos tempos acredita no poder do dinheiro – um belo dia, mais um sofrido dia de sua vida miserável, conhece Aladdin: baixinho, algo quieto, com senso de justiça afiado e muito forte – é como se Goku estivesse sob efeito de tranquilizantes. E aos poucos, ao decorrer do episódio, a convivência de ocasião e tolerância entre os dois vai virando amizade que se fortalece com as adversidades – aqui representadas por Budel, cruel subordinado de Jamil, para o qual Alibaba trabalha e que mantém como escrava a terceira membro deste grupo em formação, Morgiana.

Até pelo estilo de narrativa adotado aqui, sabemos bem menos a respeito desta última que dos dois primeiros, mas o fato de ser calada e ter um sofrimento [no fundo, todos aqui, inclusive Aladdin, tem sua cota de drama] em seu semblante de origem mais recente já é informação suficiente a ser passada sobre esta. A jornada pessoal desta e a construção do mundo das mais diversas formas possíveis, das clássicas explicações e flashbacks até ângulos de cãmera que possamos ver mais deste mundo fantástico – que, claro, também importa neste tipo de obra para as massas [e muita gente curte essas obras justamente pela dinâmica de um mundo alternativo] – são complemento da lição básica deste Primeiro Episódio: apresentar ao espectador o aparentemente feliz mas no fundo misterioso Aladdin e o realista e até mais carismático Alibaba, os olhos do espectador nisto tudo.

E Magi faz o complicado, que é fazer algo simples assim efetivamente ser executado de forma exemplar, bem a ponto de parecer fácil – e o apreço ao detalhe é o segredo da talvez melhor estreia da temporada de Outubro. E isto pode ser perfeitamente exemplificado pelo trabalho de Shiro Sagasu, o mesmo de Bleach e Evangelion, na trilha sonora – ao contrário de um Zetsuen no Tempest, a trilha não é onipresente; há momentos que variam do silêncio aos muito bons e de certa forma magistrais temas de batalha. E, claro, este trabalho – executado pelo diretor – faz toda a diferença para valorizar o bom trabalho do compositor.

Além da trilha sonora [vale lembrar que o trabalho do time estelar de dubladores, incluindo um surpreendente Yuuki Kaji [o Shu de Guilty Crown e o Haruyuki de Accel World, lembram?] fazendo uma voz mais, sim, masculina para ser Alibaba – o que se encaixou perfeitamente na personalidade acessível do rapaz], vale destacarmos o trabalho sempre bom do A-1 Pictures.

No geral, temos aquela animação sempre consistente e que sabe realçar as cenas que devem, que combinada com uma fotografia de digestão fácil e arte idem fizeram a já grande fama do estúdio até aqui [que mesmo em uma obra como Shin Sekai Yori não abre mão de proporções agradáveis e das convenções da animação japonesa nos anos 2010] – e com uma virada interessante para efeito cômico no qual os desenhos são literalmente distorcidos. Distorcidos, e não submetidos a efeitos Super Deformed como acontece em FullMetal Alchemist: Brotherhood. Saída interessante que combina com o bom-humor da série.

Porque afinal uma série que pretende agradar a todos com sua mistura balanceada de ação/aventura, drama com toques de romance também precisa ter sua dose de comédia – claro que certas obras são boas por serem específicas, mas o caminho para ser mainstream é mesmo tentar bater tudo no liquidificador. E neste caso, o que sai aqui, estes primeiros vinte e quatro minutos de Magi, é excelente. Moderno sem ser cool, com toque próprio sem querer reinventar a roda, executado de forma sólida por um diretor veterano que tem a seu dispor dinheiro e uma bela equipe, é prato cheio para quem curte battle shounen. Melhor, para quem curte anime em geral.

Magi ~the Labyrinth of Magic~ não vai reinventar a roda nem discutir os grandes temas da humanidade – e nem é esta a intenção, apesar de tecer aqui e ali um comentário sobre os valores clássicos e universais de sempre -, mas é garantia de vinte e quatro minutos de entretenimento de qualidade com, acima de tudo, personagens carismáticos. Você vai se deliciar com os cenários, girar os olhos nas cenas de ação, chorar, rir e grudar no sofá a cada clímax bem-feito como o deste Primeiro Episódio. Ao menos até quando decidirem inventar um final original [raros são bons e mesmo o de Ao no Exorcist divide opiniões] – o que, sinceramente, é bem possível.

Saudades de assistir um battle shounen realmente bem-feito, como não […]