Primeiro Episódio: [K]

[K]ool: vale quanto pesa?

Sem dúvida uma das maiores promessas da temporada, tanto no pulo de fé dado por este blog quanto na opinião dos otakus japoneses, [K] tratou de logo no Primeiro Episódio corresponder as expectativas – ao menos as que apontavam para um começo literalmente explosivo.

Antes da sinopse, que trata do aparentemente inofensivo mas misterioso Yashiro “Shiro” Isana, efetivamente começar a ser abordada após a abertura, temos uma sequência alucinante de imagens que mostram afinal sobre o que o anime quer – e faz de tudo para – ficar marcado: a parte audiovisual é simplesmente fantástica, e a primeira impressão acerca disso foi claramente marcada para ser melhor ainda.

Não se enganem: a qualidade de animação vai cair. O próprio Primeiro Episódio tem seus momentos de inconstância, e o fato de termos aqui simplesmente o melhor tratamento visual em anos dado para uma série de televisão indica que no fundo o dinheiro não é suficiente para isto a toda hora – mesmo que o Project [K] esteja disposto a muita coisa para tornar este anime o próximo Ao no Exorcist ou Durarara!! – inclusive por aqui.

Claro que isto é pura conjectura e vale destacar do filtro azul onipresente, em uma versão amenizada da paleta de cores absolutamente artificial que permeia Mardock Scramble [do mesmo GoHands, antigo Satelight Osaka], até as diversas cenas – tanto as presentes nos diversos trailers quanto algumas novas quase tão impressionantes quanto. Ação, variada ação – do simples, direto e claro uso de poderes, ainda mais poderes em cores, até o melhor retrato até aqui de skateboarding em anime. Vale destacar a ausência de uma solução fácil como cenas de perseguição em carros maravilhosamente construídos em CG.

E apesar do character design de Shingo Suzuki não ser um dos melhores [o fato é que o protagonista parece esquisito] todo mundo é ao mesmo tempo genérico e acessível o suficiente para fazer a alegria dos fãs que esperam por certas personalidades que já emergem do design e com aquele toque único que os tornem diferenciados sem soar forçado – fora que a equipe de animadores está trabalhando bem o bastante para manter ao menos certo padrão.

De novo, [K] é estilo – e o estilo presente de forma absoluta aqui não está presente somente na animação fantástica ou na trilha sonora competente [mesmo que nada de excepcional], mas em todos os detalhes e orifícios da obra. O anime é um projeto absolutamente comercial e a intenção é muito clara no sentido de ser fabricado um novo hit – e em uma mídia aonde de Code Geass a Gurren Lagann temos diversos projetos claramente manufaturados para agradar a [quase] todos com resultados expressivos, por que não? O que não pode é se perder como tantos – e um exemplo recente disto é Guilty Crown.

Ao pensarmos no que [K] quer ser, a primeira coisa que vem na cabeça é o já citado Durarara!! e sua Ikebukuro pulsante, moderna e cheia de personagens prontos para agradar literalmente a qualquer tipo de público – claro que isso não impediu de termos uma escola futurista ou uniformes militares lindos a la Code Geass. E esta construção de mundo soa algo orgânica, mesmo não tendo [nem querendo] muita criatividade, muito pensar sobre como seria afinal uma sociedade futurista. É o mundo atual com algumas firulas fáceis e ponto, é o suficiente e é a fórmula certa para não errar.

Justo, afinal o mais difícil será fazer o que até aqui não conseguiu no Primeiro Episódio: entregar uma história cativante. Neste grande comercial colorido de vinte e quatro minutos que tivemos, tudo foi legal de se olhar, mas certa fatia do público está desconfiada ou simplesmente não gostou de mais do mesmo. A história é diluída ao ponto do clichê e do fácil – e o fato de querer mostrar muito por ora não facilitou em nada o sentimento de empatia por aqueles personagens.

O foco depois dos sete minutos de abertura em Shiro, seu personagem misterioso, bonzinho e vazio do tipo que é mais apreciado no Japão não ajuda um anime cujo ponto fraco – ironicamente, já que o time de dubladores é estelar – são os diálogos. O que a ação consegue mostrar por si só aqui não encontra equivalente na hora em que o espectador ao menos deveria sentir empatia pelos personagens – e o resultado final acaba sendo insosso demais para alguns.

Mas mesmo estes deveriam dar mais uma chance a [K]: mais do que outros animes, este Primeiro Episódio foi um grande – e sim, divertido – teste, uma introdução de como as coisas devem ser daqui para a frente. Eles estão tentando, tentando até demais, vender seu peixe; e sim, o risco de termos um novo Guilty Crown existe. Todavia aqui parecem estar evitando o principal defeito deste tipo de anime que é tentar exagerar nas reviravoltas – o grande confronto aqui já foi anunciado: resta saber se o caminho até lá será divertido. Pegue seu balde de pipoca bem amanteigada e aquele refrigerante quase congelando e aproveite porque sim, esta jornada parece que será tão divertida quanto foi este Primeiro Episódio.

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