One Off! e o Sato-moe

Meninas moe, puras e inocentes feitas de um jeito sem sexualização, fetiche. A ambrosia do moe.

Junichi Sato, conhecido sobretudo por ter sido o diretor da Primeira Temporada de Sailor Moon – assim, tendo papel decisivo para as Guerreiras da Lua terem seu papel de destaque na animação japonesa – foi um dos raros diretores de anime que não partiram, com o sucesso, para tentar qualquer tipo de experimentação fora da curva.

Com ARIA e Princess Tutu continuou tendo sucesso de público e crítica sem deixar de contar histórias envolvidas meninas, bishoujo em animes considerados clássicos sem precisar decapitar inocentes estudantes, desconstruir o construído desde Mahou Tsukai Sally.

Nesse meio tempo, o polêmico moe, a adoração a meninas bonitinhas [kawaii] e literalmente na flor da idade, tornou-se a palavra que resume a atual fase dos animes e Sato, que construiu carreira contando histórias sobre meninas fofas mas sobretudo humamas, encontrou seu espaço para construir, em animes que não são nenhum clássico mas que são menos apreciados do que deveriam, todo um universo que poderia ser resumido naquela colherada irresistível e geladíssima de um cremosíssimo sorvete de morango.

Sim, superlativos porque é necessário mostrar que o pensamento citado acima permeia cada canto das medianas mas eficientes paisagens construídas pelos estúdios [ZEXCS, HAL Film Maker, TYO Animations, nada que mereça uma pesquisa no Google] pelo qual Sato passou por esses anos e que retratam ambientes bonitos e sobretudo acolhedores. A intenção aqui não é ser um apartamento decorado como tudo o que o Progressive Animation Works produziu até aqui ou ter o ar de elegância que prima as adaptações do Kyoto Animation para produções do key, e sim ser um café aonde belas meninas irão te atender – meninas moe, fofas, mas que fogem um pouco do padrão de fetichismo e duplo sentido que este tipo de obra costuma ter [que o diga Ore no Imouto].

Não são waifus em seu estado puro, e sim algo mais parecido com a sensação de ter uma irmã mais nova ou filha [sim, o público-alvo disso costuma ter mais de dezoito anos]. Mesmo sendo animes kuuki-kei, no qual a atmosfera relaxante é o que importa, os diálogos são divertidos e o drama, apesar de simples, não soa tolo ou manipulativo.

E depois das sereias de Umi Monogatari e da fotografia de Tamayura, Sato mostra em uma grande propaganda da marca de motocicletas Honda que seu tino para isto é simplesmente impecável. Haruno Shiozaki é a introspectiva [e o foco do drama do primeiro de dois episódios], Rie Maezono é a falastrona e expansiva [e possui o canino do amor], Sayo Kaburagi é a nerd de óculos e Anri Bessho, bem, completa o grupo. Afinal, diz a regra que este tipo de anime precisa ter quatro garotas.

Para completar o time, a delciosa – e deliciosamente clichê – estrangeira Cinthia B. Rogers faz o papel de professora atrapalhada [como a Sawako de K-ON!] e ao mesmo tempo de mentora das outras meninas no mundo das motocicletas [melhor, motonetas] – que significam, como manda o figurino, liberdade. Ao menos a liberdade para estas flores desabrocharem dentro dos limites de sempre dentro desse mundo sem homens.

E se os dois primeiros terços servem para apresentar por cima traços de personalidade das personagens através de deliciosos diálogos apresentados de maneira precisa [cortesia das décadas de experiência do diretor, que costuma ter um timing muito certo] e relaxar o espectador neste mundo mágico e acolhedor, o final é efetivo para passar emoção. A protagonista tem uma crise, que é resolvida por uma longa viagem ao mar que dura toda uma noite. Clichê? Claro. Simpático? Com certeza.

Talvez poderemos comparar com Kowarekake no Orgel, o OVA de Keiichiro Kawaguchi igualmente simples, igualmente bom, igualmente moe; mas se este vale a sentada por ter uma eixo narrativo, um drama com começo, meio e fim que é gostoso de assistir, One Off! vale pelo feeling. E como cansamos de repetir neste blog, a abertura muitas vezes serve para resumir o que esperar de uma obra. Assim, veja os noventa segundos e-

Round Table featuring Nino, sim, os mesmos das aberturas de Chobits e NHK ni Youkoso, voltam aqui em uma escolha acertada. Nada brilhante, longe de ser para todos, mas que cumpre a risca sua proposta tendo alguns muito bons momentos. Opa, acabei de resumir One Off! e a atual fase de Sato. Pode não estar no nível de um Hosoda ou Yuasa [na verdade, nem de um Ishihara ou Omori], mas mesmo assim sua obra é menos apreciada do que deveria. Uma pena.

Post patrocinado pela Honda. Só que não.

Temos que dar é parabéns para a montadora que incentivou um comercial de trinta minutos muito do bem bolado. Tanto que mereceu artigo neste blog.

Para mais animes patrocinados por montadoras de carro, leia sobre Houkago no Pleaides no finado Subete Animes.

Meninas moe, puras e inocentes feitas de um jeito sem […]

2 thoughts on “One Off! e o Sato-moe”

  1. Meu Deus quanto moe e fanservice, é verdade do que disseram num comentário aqui no Blog que “O futuro dos animes no japão será negro.” (Eu acho que foi assim que disseram).

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