Editorial #01: Nós, A Tropa de Elite dos Otakus

Editorial #00: Seis Meses, Resumo e BlogRoll

Dezessete pessoas no Brasil assistiram esse anime.

Sim, você é especial.

Certo dia estava passando em frente a uma lan house quando vi um jovem adulto assistindo seu episódio de Naruto em um site que transmite anime via streaming. Outra vez presenciei uma conversa de elevador no meu trabalho sobre os mangas spinoff de Cavaleiros do Zodíaco. Nos dois casos, temos exemplos de pessoas que mesmo estando, sim, fora do público-alvo deste blog, tem ao menos certo interesse na animação japonesa. Pena não lembrarmos que eles existem.

Tudo bem que um artigo sobre as emissoras de televisão japonesa realmente é para poucos, mas mesmo assuntos recorrentes no fandom de anime que se reúne dos fóruns às redes sociais na internet nem existem para esse interessado em desenhos, em cultura pop de uma maneira geral. Honoríficos? Papel transparente? Que importa?

E isso que não levei em conta algo específico como este post do parceiro Gyabbo! a respeito das Primeiras Impressões, verdadeira febre nos blogs de anime e relacionados brasileiros [inclusive aqui!]. Recordista de comentários, mostra que esta minoria vocal que lê o suficiente sobre anime para saber como um blog da área funciona é quem dá vida a lugares como este.

Porque sim, a internet foi uma ferramenta mágica ao possibilitar que pudéssemos encontrar pessoas com gostos semelhantes aos nossos – tão semelhantes que podemos agora debater de forma mais complexa e específica assuntos dos quais gostamos – e isso trouxe a consequência bem-sacada pelo @didcart de

que essa homogeneidade acaba gerando uma monotonicidade nas interações do grupo. As pessoas pensam igual demais para terem uma discussão mais profunda sobre o assunto ou para saírem da zona de conforto e abrirem seus horizontes.

Sim, discutimos nossos Chihayafuru e Sakamichi no Apollon enquanto ignoramos o que acontece fora da redoma – sim, o sucesso estrondoso de Another entre quem está começando no hobby ou apenas pensa neste como mais um tentáculo da cultura pop a que tem acesso é prova de que até aqui, em uma forma de entretenimento com tão pouca crítica, quem se proclama fazer parte desta acaba se afastando dos demais.

Que sim, estão assistindo O Anime Mais Popular do Brasil, que ao contrário do que imaginam é Naruto Shippuuden ou ao menos nostalgiando os bons tempos de Pokémon ou Shurato. Sim, há diferentes pessoas com diferentes gostos para anime – porém, por afinidade, comodidade e espírito de grupo preferimos nos juntar com pessoas que pensam o mesmo que nós – diferenças, as vezes significativas, a parte, todos sabemos o nome de três estúdios de animação e alguns nomes de dubladores de anime. Dubladores não, seiyuu.

Claro que tem vantagem em poder discutir a fundo [ou apenas temos conversa de bar] por que CLANNAD é bom e Angel Beats! não, mas acabamos perdendo maior contato com muita gente que tem o mesmo hobby que o nosso mas cuja onda está em uma frequência diferente.

E não é por alguém assistir esporadicamente anime por preferir tokusatsu, séries americanas ou K-Pop que sua opinião deve ser ignorada como infelizmente o é. Sim, somos uma Tropa de Elite – o que não melhora em nada a nossa vida – e sabemos até demais sobre nosso hobby, mas faz falta pessoas e pontos de vista realmente diferentes, interessantes e que agreguem. E enquanto não ao menos tentarmos olhar para fora da caverna, o mundo lá fora nem sequer existirá.

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