NA MAG #02: Nisekoi

NA MAG #01: Kagami no Kuni no Harisugawa

Desde ToLoveRu a JUMP não tem um manga de romance que realmente emplaque – será que o Falso Amor chegou para acabar com essa sina?

Introdução e Sinopse

Nisekoi, um manga escrito e desenhado por Naoshi Komi, está em publicação na Weekly Shounen JUMP desde a edição #48-2011 [publicada em Novembro daquele ano] e conta a história de Raku Ichijou, seu típico estudante colegial que também é herdeiro de uma família de mafiosos; um belo dia, seu pai pede para que este finja ser noivo de Chitoge Kirisaki, filha do chefe da família mafiosa rival – o problema é que Chitoge, recém-chegada do estrangeiro direto para ser colega de classe de nosso protagonista, mostra-se logo antes uma tsundere especialmente teimosa e violenta.

Moleque normal mais garota fantástica pela qual este não está apaixonado tendo que ficar juntos por conta de uma situação que irá lhes aproximar até o ponto em que… bem, esta é uma comédia romântica, todos sabemos o que esperar. Mas o que importa é a condução desta história, e os dois personagens são redondos e carismáticos, a começar do character design eficiente e que entrega ao leitor muito do que deveríamos saber sobre estes.

Parte Técnica

Raku é genérico ao extremo, cabendo perfeitamente na mente do público-alvo da obra como um personagem que representa o leitor – ao menos se diferencia dos meninos quase andróginos de muitas obras feitas para otaku e realmente parece que um dia irá crescer e virar homem; Chitoge é a garota perfeita: corpo farto e proporcional, longos cabelos loiros, olhos azuis, laço gigante na cabeça; Kousaki Onodera, outra opção de beleza que combina com sua personalidade tímida e é complementar à exuberância – em todos os sentidos – de Kirisaki: cabelos castanhos, olhos pretos, morena, corpo pequeno e proporcional.

Além do traço este tipo de informação mais óbvia, Nisekoi tem seu ponto forte na variedade de caretas e proporções que o autor imprime à série: de uma capa obviamente pin-up a cenas em que temos algum fanservice [elemento até presente aqui, mas de uma maneira leve e que não deve incomodar qualquer leitor em potencial] até reações com os personagens em formato chibi [pequeno] ou simplesmente demonstrando alguma reação de forma caricata, tudo flui de forma extremamente natural – outro ponto positivo é como os poucos personagens secundários também conseguem se impôr visualmente, sem parecer mais feios ou menos detalhados que os demais [o que costuma acontecer em certos mangas].

Fora isso, manga eficiente e na média visualmente – diagramação moderna e fácil de ler, páginas duplas quase ausentes, páginas coloridas corretas.

História

Nisekoi é um manga aonde o enredo, ainda em construção quando da publicação deste artigo [por volta do capítulo trinta do manga], funciona meramente como uma justificativa para os personagens tomarem a linha de frente. Mesmo assim, é necessário para podermos movimentar a história e mostrarmos interações entre estes – e aqui temos duas linhas de roteiro que funcionam de forma bem mediana na tentativa de conquistar o leitor.

A primeira delas, cada vez menos presente desde o one-shot inicial da série [e até melhor por ser mais condensado], é justamente a briga entre as duas famílias e o falso amor que os dois protagonistas tem que demonstrar para manter a guerra entre elas em banho-maria. Como desejado pelos chefes e pais dos jovens. Inicialmente uma alternativa para eventual transformação em battle shounen [Medaka Box é caso recente de como na JUMP você literalmente rearranja um manga para este continuar a ser publicado], isto praticamente entrou em desuso e quase nada importa na história atualmente.

Já o McGuffin que é composto por uma promessa feita a dez anos e o pingente que Raku usa no pescoço, selando e reconfirmando àquela. A garota da promessa, que possui a chave que abrirá o pingente – e o manga insinua fortemente que pode ser qualquer uma das duas heroínas citadas acima – é a primeira garota pela qual Raku se apaixonou. E para evitar do enredo seguir adiante, ele realmente se importa com algo bobo e chato assim. Infelizmente toda a enrolação causada por um simples pingente é o grande defeito até aqui de Nisekoi.

Personagens

História que não vai a lugar algum comentada, hora de falar de como estes personagens são ao mesmo tão simples e simpáticos. Raku pode ser genérico, mas sabe ser simpático de uma maneira natural e facilmente identificável, sendo legal e corajoso e claro, tímido quando se trata de romance. Mas até aqui seus sentimentos estão claramente voltados para a jovem Onodera, que junto com Kirisagi são a verdadeira alma da obra.

Nesse tipo de manga [há exceções, principalmente em The World Only God Knows], o principal é realmente são as garotas – afinal, são o centro das atenções do público, aparecem durante bastante tempo e claro, com a profusão de obras no estilo é difícil parecer que não estamos vendo algo repetido e com o gosto de trinta garotas anteriores.

E as duas são balanceadas na medida para serem absolutamente adoráveis em seus jeitos diferentes [uma estourada e expansiva para os padrões japoneses, a outra mesmo com o cabelo curto emanando timidez a cada quadro], mas com uma característica em comum: como são atrapalhadas! E isto acaba sendo o feeling que emana de Nisekoi: adolescentes tímidos, atrapalhados e em busca de um amor inocente que muito se assemelha a uma amizade. Sem calcinha, sem muita insinuação de beijo – quanto mais sobre o que irá acontecer depois disto.

Isto, aliás, só veio se reforçar com a adição da tomboy e tsundere Tsugumi: totalmente a par de romance pelo fato de ter sido criada de um modo pelo qual chega a negar sua feminilidade, é com Raku sendo quem é que pouco a pouco vai se tornando uma pessoa mais segura, solta e… feminina. É o amor, puro e inocente ao ponto de um rosto avermelhado combinar perfeitamente com a personagem – e a obra.

Conclusão

Com apenas pouco mais de três volumes completos no momento da publicação deste artigo, podemos dizer que Nisekoi ainda está em processo de formação de sua identidade [principalmente em uma Shounen JUMP na qual os doze volumes de Death Note são considerados pouco]; e apesar da história ainda ser mediana e sim, precisar de um argumento melhor que conduza a vida de nossos personagens [pelo menos o autor parece que quer levar o manga a algum lugar], o fato é que este já tem o principal, especialmente para este tipo de obra: personagens carismáticos.

Nisekoi consegue ser fácil e gostoso de ler, sem precisar ter que apelar descaradamente para nudez ou esteriótipos de harem: puro carisma, conquistou o público da JUMP a ponto de ser o primeiro manga do estilo em alguns anos que não vive nas últimas posições no ranking semanal conhecido como ToC – e os jovens leitores votam nele porque se importam e querem ver mais destes personagens, querem ter mais desta sensação fofa que o manga passa. Não é nenhum clássico, nem mesmo o melhor manga da revista, mas já tem certo padrão de qualidade e potencial para melhorar ainda mais. Que Naoshi Komi aproveite esta liberdade para poder desenvolver um romance realmente inesquecível.

O Bom: Traço lindo; Personagens cativantes; Leitura fácil; Pouco fanservice.
O Ruim: História mediana; Ritmo irregular; Pouco fanservice.
O OTP: Raku X Onodera

E este artigo faz parte do #JUMPWeekend, que comemora os quarenta e quatro anos de publicação da maior revista de manga do Japão, a Weekly Shounen JUMP. Ela merece.

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