Primeiro Episódio: Uchuu Senkan Yamato 2199

E a Patrulha Estelar, o Encouraçado Espacial Yamato, volta, trinta anos depois do fim da franquia clássica, a erguer-se novamente – e agora, com todos os requintes de uma verdadeira superprodução.

De Gundam Unicorn e/ou The Origin até os já clássicos inclusive por aqui Rebuild of Evangelion, o fato é que as verdadeiras franquias da animação japonesa andam sendo mais revisitadas do que nunca em nossos dias. Assim, claro que a primeira grande destas, Uchuu Senkan Yamato, uma hora também iria ganhar seu retorno triunfal às telinhas e telonas japonesas.

Vale lembrar que a franquia criada por Leiji Matsumoto [que recentemente teve a infelicidade de seu Ozma ter recebido uma adaptação bisonhamente mediana] e Yoshinobu Nishizaki já estava dando sinais de que algo grande iria acontecer; afinal, tivemos de 2009 para cá o relançamento em grande estilo tanto da via animada [com o sucesso de Fukkatsu-hen, que recicla a história de uma forma bem aceitável] quanto tivemos o live action de imenso sucesso de nome Space Battleship Yamato.

Mas foi em 2012 que tivemos a estreia em grande estilo [e tela grande] do reboot que promete ser a versão definitiva de Yamato para as novas audiências. Claro que a versão de 1974 sempre estará disponível para quem quiser assisti-la; e sem dúvida deve ser tratada como o grande clássico fundador de diversas coisas na animação japonesa que o é; porém uma atualização refinada do conceito é uma ideia válida, ainda mais quando a BANDAI e demais parceiros investem a quantidade de dinheiro adequada ao projeto.

Claro que dinheiro sem as pessoas capazes para fazê-lo render ao menos entretenimento de qualidade de nada serve – e por isso mesmo é muito bem-vinda a presença de Yutaka Izubuchi [RahXephon] como diretor e roteirista principal desta adaptação que tem muito de copia-e-cola do original, mas ao mesmo tempo acaba sendo organizada de forma diferente e moderna.

Sim, ao menos este Primeiro Episódio – e tom da série é de absoluta reverência ao original – é quase igual ao Primeiro Episódio de trinta e oito anos atrás; mas não é simplesmente igual, copiado cena-a-cena sem qualquer planejamento e/ou criatividade – aqui o diretor e roteirista organiza a história de forma a que tenhamos uma bela introdução a altura do “concorrente” [e tão similar] Gundam Unicorn.

Primeiramente, o bom roteiro presente desde sempre ganha um ritmo mais acelerado [afinal, o espectador moderno consegue assimilar mais informação que antes] em um episódio que acaba sendo cheio de pequenos detalhes, principalmente de construção de mundo, sendo pincelados aqui e ali para a audiência. E claro, boa parte do elenco já foi apresentada, e quem interessava aqui já foi mesmo trabalhada um pouco [bem, como antes].

Claro que temos as limitações de sempre de um Primeiro Episódio focado antes de tudo em apresentar uma verdadeira lista de coisas ao público [ainda mais em um remake de uma série clássica], mas sem dúvida Yamato 2199 tem um ritmo excelente que deve sobretudo atrair novos espectadores a franquia.

Até porque os antigos se impressionam pela fidelidade desta série ao clássico que tanto amam. Bem, aqui vale ressaltar que apesar de tecnicamente estarmos tendo uma fidelidade realmente significativa, o feeling presente acaba sendo um pouco diluído do que foi o original; o espírito do fogo realmente morreu no Japão há muitos anos, e a mudança das palavras finais de Mamoru Kodai sobre a hombridade em se sacrificar e morrer pela Terra mostram que perdeu-se um pouco do tom que muito diz sobre aquele.

Fidelidade a parte [e bem, a cena inédita aonde a tripulação de Mamoru canta rumo a morte certa é algo emocionante], tecnicamente a série impressiona com seus valores de produção mais típicos de OVA que de algo para TV [bem, ainda estamos no terreno da suposição, mas ao que parece teremos um anime de 2-cour para 2013]; claro que até pelo excesso de naves – todas feitas em CG – e batalhas de escala grandiosa acabamos tendo explosões mal-feitas [e o trabalho aqui no geral é – até por questões orçamentárias – pior que no citado filme em live action] que não arranham todo um trabalho que impressiona dos estúdios de animação AIC e XEBEC.

E se os designs foram todos melhorados, a trilha sonora também foi atualizada com maestria por Akira Miyagawa [Shin Mazinger], dando a sensação de nostalgia na medida certa ao mesmo tempo em que não soa antigo nem datado. Até algo discreto, mas sem dúvida muito eficiente.

Uchuu Senkan Yamato é uma série tão grande quanto a lenda que surgiu por trás dela. Sim, apesar dos parcos recursos presentes no original, sua escala sempre foi épica – e Yamato 2199 sem dúvida nenhuma tem a difícil missão de entregar isto ao espectador. Até aqui, tivemos um Primeiro Episódio que não pode ser classificado como excelente, mas sem dúvida é muito competente ao instigar o espectador a querer mais.

Pode ainda faltar um pouco de personalidade, mas sem dúvida temos aqui bastante potencial a ser explorado. E, claro, com o sucesso inicial que está tendo orçamento para as batalhas épicas de navios no espaço está garantida – o que si só, é um puta motivo para você ver por que diabos esta série tornou-se imortal como o navio da Segunda Guerra Mundial que em um futuro muito distante decide ir para o distante planeta Iskandar.

Fique com a belíssima abertura da série, uma releitura do original com storyboard de, veja só, Hideaki Anno [Evangelion, Gunbuster, Nadia] e tema cantado pelo mitológico Isao Sasaki:

E a Patrulha Estelar, o Encouraçado Espacial Yamato, volta, trinta […]