Guilty Crown #18: Querido…

Guilty Crown #17: Êxodo

Inevitável que após uma série de episódios absolutamente climáticos tivéssemos este mais calmo – para os padrões da série – e que parece ser o último momento de alguma calmaria antes da tempestade final.

Assim Shu, nosso protagonista que parecia ter livrado-se da sina de derrotado completo, é praticamente deixado de lado em seu choro silencioso em prol de Gai e Inori; afinal este é quase que inteiramente dedicado a delimitar as ações básicas que estes tomarão nestes últimos quatro episódios da série que ainda estão por vir.

E claro que devemos começar por Gai, que voltou completamente irreconhecível – o que terá acontecido? Ainda paira no ar a teoria de que este não é exatamente aquele Gai Tsutsugami que apareceu no primeiro cour, mas a série aponta neste caminho. Outra explicação que obviamente será dada muito próximo do clímax da série [de uma eventual manipulação da memória até o fato de tudo o que aconteceu simplesmente ter feito parte o tempo todo do plano parecem as mais factíveis aqui.

Mas o fato é que aqui este é, mais do que jamais foi durante a série, aquele personagem que simplesmente é referência e inspiração para os demais. E até por isso Arisa Kuhouin ganha novo e destacado papel na série como a pessoa que afinal irá com este até o fim, até aonde este trem for parar. O que aparentemente não é o caso de Ayase e Tsugumi, agora oficialmente reincorporadas como membro dos Undertakers [lembra?].

E Arisa acaba ganhando o que Gai não tem aqui, tempo de tela. É por ela, delirantemente louca como todos [TODOS!] os demais personagens desta série, que conseguimos enxergar o quão Gai é reverenciado, importante. E ao mesmo tempo vamos rapidamente conhecendo um pouco sobre a misteriosa – e ao que parece, terrivelmente ancestral – organização denominada Da’at, somente apresentada agora mas ao que parece tem muito a ver com tudo o que ocorreu até aqui em Guilty Crown.

Da’at e Gai – vale lembrar que este mostra plenamente ao seu poder ao conseguir parar por algum tempo o plot point no qual a ONU está disposta a literalmente destruir o Japão para limpá-lo do mal, do vírus. Como citado antes, devemos ter algo similar a [C] no qual isto ainda será retomado; ainda – a parte, o grande momento de Arisa aqui é quando, ao partir para o ataque contra Inori e Shu [escondidos em algum prédio por aí], subitamente encontra uma limusine. E dela sai, tcharam, seu avô.

Sim, este retorna a cena aqui somente para ser quase que imediatamente morto por esta [ao menos aqui a arma de fogo vence a espada japonesa, coisa que certos animes insistem em jogar para o alto] após mais uma daquelas cenas de ação da série que não fazem o menor sentido caso tente aplicar qualquer suspensão de descrença mas que são bem bacanas de se assistir – claro, quando o orçamento permite que estas sejam animadas. A mensagem é clara: nem a família importa quando esta tem seu objeto de adoração.

A história destes importantes personagens obviamente deve continuar nos próximos quatro episódios, mas vale aqui destacar a outra metade deste episódio, que com menos tempo no ar consegue ter mais impacto e ser mais importante [ao ponto de ganhar o título do episódio e deste artigo]: o, erm, crescimento de Inori como personagem.

E aqui acabamos tendo dois graves problemas que simplesmente comprometem a diversão do episódio, sendo o primeiro de cara o fato de que para isto ocorrer, o ritmo terá de ser necessariamente diminuido – ao menos em parte. De cara a ideia parece estranha, e mesmo sendo executada de forma razoável acaba quebrando o passo da série mais do que deveria.

Assim, tivemos o primeiro episódio realmente parado em algum tempo que no fundo não serviu para muita coisa além de dar algumas dicas sobre o que irá acontecer mais para a frente – desde o comentado acima [inclusão da Da’at no enredo, novo estágio na relação entre Japão e Nações Unidas, etc.] até um clímax do arco do personagem secundário Daryl, que lentamente de vilão mimado parece que irá terminar como aquele membro algo resignado do time dos mocinhos.

Mas o problema de abordar a Inori foi [e aqui entra o segundo ponto citado antes] a mudança de personalidade que ocorreu de forma algo brusca aqui. Enquanto o fato do roteiro estar em certo viés absolutamente perdido cair como uma luva para a personalidade montada para o protagonista, aqui a mudança da linda boneca de cabelo cor-de-rosa que era praticamente um passarinho engaiolado para uma maluca bipolar que lembra o infame Elfen Lied [e sua protagonista, igualmente com cabelo roseado e igualmente com dupla personalidade] ficou estranha.

E para completar a bizarrice é revelado que Inori é uma espécie de ser especial e não-humano, podendo [claro, através do mesmo conceito utilizado nos Void] se transformar para uma forma de combate. E este é o plano utlizado por ela enquanto deixa Shu, o qual aqui [especialmente através de um flashback] é mostrado que realmente é o homem com quem esta se importa, seu One True Pairing, seu querido, deitado, inconsciente, no chão.

Mas esta perde para o todo-poderoso Gai. Agora a princesa foi sequestrada e quando Shu finalmente acorda percebe que é sozinho e sem braço que em somente quatro episódios terá que fazer isto e muito mais para salvar sua garota – e quem sabe o Japão. Episódio algo fraco, abaixo da média do intenso padrão da série, e que somente serviu realmente para mover um pouco as engrenagens no rumo pretendido pela direção.

Quatro episódios para o final, o que será que a equipe de Guilty Crown tem na manga para chocar ainda mais seus espectadores neste trem que vem desgovernado e em altíssima velocidade?

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