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É… parece que Bakuman está realmente perto do fim…

ATENÇÃO! Esse post pode conter spoilers da série BAKUMAN, publicada semanalmente na Shonen Jump e atualmente em publicação pela editora JBC aqui no Brasil. Continue a ler só se estiver atualizado com a série ou não se importar com spoilers. Obrigado.

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No final de março eu escrevi um post indagando os leitores quanto a Bakuman estar ou não estar rumando para seu fim. Naquele momento eu analisei a situação e defendi que ainda havia muita coisa para ser contada no mangá. Porém meu pensamento mudou…

Nos últimos dias, o Manga News Japon, um dos sites mais respeitados de notícias sobre mangás no ocidente, divulgou em seu twitter que Bakuman estaria para terminar no meio de Maio. Claro que isso gerou um buzz infernal na otakusfera e eu tive que responder algumas perguntas de leitores querendo saber minha opinião sobre o assunto. Eu evitei de falar muita coisa, preferi esperar para ler o próximo capítulo da série e tirar minhas próprias conclusões. O twitter do MNJ ainda postou novamente sobre o fim da série, mas eu preferi esperar.

O capítulo chegou e era hora deu lê-lo com muito cuidado. Não deu outra… mais do que qualquer notícia do MNJ, os autores, Ohba e Obata, me convenceram de que a série estava chegando ao fim.

Bakuman sempre foi uma série muito metalinguística e autobiográfica. Era comum eventos que aconteciam em seu universo se relacionarem quase que diretamente a eventos da vida real. Quando se trata da vida profissional da dupla Ashirogi Muto então, é quase que uma cópia descarada da vida dos próprios autores.

Tendo isso em mente, vamos avaliar o final do mangá Reversi, o mais recente trabalho da dupla Ashirogi Muto dentro da série. Mesmo lutando contra o departamento editorial, os dois teimaram por encerrar o mangá em seu climax. Eles sabiam que depois da luta entre os dois personagens principais, não haveria mais espaço para continuar a história de maneira decente. Foi então, que, na cena final do duelo entre os dois, a série chegou ao seu fim.

Após esse encerramento magistral, com uma cena final incrivelmente bem desenhada e planejada, a dupla só tinha mais um desafio a cumprir: passar Eiji no número de vendas dos volumes encadernados.

Sim, Miho havia ganhado o papel da heroína no anime, Ashirogi Muto ficou várias vezes em primeiro lugar nos rankings da Shonen Jump, os sonhos de Mashiro e Miho haviam se realizado mas o mangá não podia acabar sem essa vitória em cima de Niizuma Eiji. A carreira dos dois estaria incompleta se eles nunca tivessem ficado de verdade acima de seu maior rival, por um breve momento que seja. Não bastava ganhar nos rankings, tinha que ser realmente superior, vencer em todos os aspectos.

Não demorou nem algumas páginas e a notícia chegou…

Os volumes finais de Reversi foram um sucesso absoluto e as vendagens superaram a de ZombieXGun, mangá de Eiji. Pronto, aí estava… o resultado do grande duelo final entre Ashirogi Muto e Niizuma Eiji. A grande batalha aconteceu e os protagonistas saíram vitoriosos.

O palco ficou então montado para Ohba e Obata encerrarem a série. Tudo que eles precisam agora é de uma grande cena, um GRAN FINALE, uma grande cena para encerrar BAKUMAN, assim como seus personagens encerraram Reversi.

O casamento de Mashiro e Miho…

É, queridos leitores… nos restam apenas uns 4 ou 5 capítulos para o fim profetizado pelo MNJ no meio de maio. Tempo suficiente para Mashiro pedir a mão de Miho em casamento e a festa acontecer. Estamos chegando mesmo no fim. Como fã, ao mesmo tempo eu fico triste e feliz.

Vale lembrar também que eu defendi bastante o fato de muitos outros personagens secundários não terem tido “finais” ainda, mas se vocês pararem para analisar esse último capítulo (175), muitos deles foram citados e meio que “encaminhados”…

Estou torcendo para que Bakuman termine da melhor maneira possível. Foi uma série que me deixou muito feliz. Teve seus momentos altos, seus momentos baixos, mas sempre me agradou. Fico feliz de ter acompanhado desde o capítulo 1, lá em Agosto de 2008… desde então cerca de quatro anos se passaram.

Mas vamos parar de ficar nostálgicos antes da série realmente acabar não é? Temos ainda um mês pra curtir as aventuras da dupla Ashirogi Muto! Vamos aproveitar esse finalzinho ao máximo!

ATENÇÃO! Esse post pode conter spoilers da série BAKUMAN, publicada semanalmente […]

Como perceber uma mudança nas decisões editorias

Algumas considerações sobre esse post antes de começarmos:

1 – Ele contém spoilers de capítulos recentes de Bakuman. Leia se você não se importa com spoilers ou não lê Bakuman.
2 – O conteúdo desse post é fruto da minha observação, logo não reflete exatamente o que os autores/editores pensaram.
3 – O intuito desse post é exemplificar de forma clara como as decisões editoriais para uma história serializada estão sempre em mutação e que isso é bem comum de se perceber.
4 – Esse não é um post só para quem lê/leu Bakuman. É um post sobre “mangá”. O exemplo usado foi Bakuman, mas poderia ter sido qualquer outro.
5 – Quando eu digo “decisões editoriais” eu me refiro à vida real, não à história de Bakuman (para evitar mal-entendidos).

Bem, a dupla fictícia Ashirogi Muto está com um novo mangá em mente. Reversi foi um one-shot feito pelos autores e que atraiu uma grande atenção dos fãs ficando a frente do one-shot do novo mangá de Eiji Niizuma, o grande rival e gênio dos mangás. Era de se esperar que o mangá fosse serializado. Porém, o departamento editorial estava receoso por deixá-los com duas séries semanais rolando ao mesmo tempo na revista, afinal, PCP ainda era popular e eles não queriam que a qualidade caísse. Foi decidido então que Reversi seria publicado numa nova revista (fictícia) da Shueisha chamada Hisshou Jump, mensal e com um público mais velho.

Legal. Uma boa solução para o arco da disputa de one-shots. Porém, aí que está o “pulo do gato”. Um capítulo depois, temos uma situação em que o editor de PCP, Akira Hattori, claramente se sente triste por não poder ser o editor de Reversi, já que ele trabalha para a Shonen Jump, não pra Hisshou Jump. No decorrer do capítulo é desenvolvida a ideia, por Yujiro Hattori, outro editor, agora capitão da equipe de Akira, que sabe da vontade do colega e decide ajudá-lo. No fim das contas, na reunião de serialização, tudo muda. PCP vai pra Hisshou Jump e Reversi vai para a Shonen Jump.

Ok… isso foi o que aconteceu. Mas vamos pensar no por quê disso ter acontecido. A mudança foi muito drástica. Tem que ter um motivo para os autores terem decidido mudar isso da maneira como foi mudado. De um capítulo para o outro.

A resposta, é até bem simples.

O one-shot de Reversi ganhou do one-shot de Zombie/Gun novo mangá de Eiji. Esse por sua vez ficou incomodado com a derrota e decidiu colocar seus planos de “conquistar o mundo” para melhorar sua história e vencer seu maior rival, Ashirogi Muto. Temos aí um grande plot para um bom arco de rivalidade. Algo do tipo sempre atrai a atenção dos leitores e, normalmente, temos boas histórias no decorrer do arco.

No entanto, ao mesmo tempo que esse plot foi apresentado, um outro plot, também interessante, o foi. A Hisshou Jump. É a primeira vez que vemos um autor em Bakuman sem serializado de forma mensal. Apesar da maioria não achar, há uma enorme diferença em como é ser serializado mensalmente e semanalmente. Além de mostrar para o leitor um universo totalmente novo, eles tem que criar do zero esse universo. É uma revista nova, que só existe na série, com um público-alvo diferente da Shonen Jump, com editores diferentes, autores diferentes… é um berço de novas ideias que pode crescer muito bem. Alguns arriscam dizer que Bakuman está precisando de uma reformulação como essa urgentemente.

Temos aí então dois plots interessantes para serem desenvolvidos. Maravilha. Quem sai ganhando é o leitor. Porém, a coisa não foi pensada corretamente. Se colocamos Reversi e Zombie/Gun para competir em revistas diferentes e em ritmos diferentes de publicação, não existe competição real. A rivalidade não estaria presente de fato. Jogar um plot no ar para jogá-lo fora em seguida é um problema narrativo.

Foi então que, muito provavelmente, o editor ou os autores (os da vida real) perceberam esse “problema” e decidiram dar um retcon no que fizeram. Da maneira rápida que foi feita, ficou claro que foi uma decisão imediata, mas uma decisão acertada. Vamos aos motivos…

1 – Um novo meta-mangá atrai naturalmente a atenção do leitor. Se ele fosse pra Hisshou Jump, o desenvolvimento das ideias para ele seriam, inevitavelmente, colocadas como secundário já que, querendo ou não, o centro de Bakuman ainda é a Shonen Jump e lá Ashirogi Muto estaria trabalhando em PCP.

2 – A rivalidade está estabelecida de fato. Cara a cara. Duas séries começando juntas. Uma briga de igual pra igual. Clássica rivalidade shonen. Os leitores gostam.

3 – O plot da Hisshou Jump ainda se mantém. Eles ainda irão ser serializados mensalmente, ainda teremos uma nova revista pra desenvolver, novos personagens, novos rivais, novos problemas e, principalmente…

4 – Teremos ainda mais um novo plot a ser explorado, que é o fato deles terem um mangá saindo de uma revista semanal e indo parar numa revista mensal. Algo que acontece na vida real. Um exemplo é o que estamos comentando sobre Nurarihyon no Mago estar contando os dias para pular da Shonen Jump para a Jump SQ. Essas coisas acontecem e é legal ver como os autores (no mangá) irão lidar com a adaptação da série para o novo formato.

Ao final de tudo, apesar de ter ficado uma coisa exageradamente rápida, essa mudança foi para o melhor. Editores e autores perceberam o erro e o corrigiram a tempo de trazer ao leitor uma boa história. Como foi dito no início do post, isso é algo muito comum de acontecer e é válido você começar a tentar perceber essas mudanças. Comece por se indagar “por que isso aconteceu da maneira que aconteceu?” e você estará mais perto de perceber essas mudanças. É algo que gosto de fazer e dá a você um bom entendimento sobre o manga making.

Algumas considerações sobre esse post antes de começarmos: 1 – […]