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BEDA #14 – A questão da pirataria de animes

Esses dias comentei chateado no twitter que um anime X tinha sido licenciado pela Funimation, que (ainda) não tem representante legal distribuindo seus animes no Brasil. Para minha surpresa, muitos reagiram com espanto não entendo qual seria o problema. Afinal, “era só baixar”… é, pois é… é aí que está o problema.

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Esses dias comentei chateado no twitter que um anime X […]

História do Japão: um trabalho sobre o Período Edo

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Bem, como alguns de vocês provavelmente já sabem, eu sou formado em Comunicação Social e atualmente estou cursando Letras Português-Japonês na UFRJ. Recentemente tive que apresentar um seminário sobre uma parte do período Edo, o último período do Japão pré-Restauração Meiji, o último período em que o Japão foi governado pelo poderio militar dos Xoguns. Um período muito importante na história do Japão e, sem dúvida, que desperta muito interesse para nós, fãs de animes e mangás.

Por isso, decidi botar meu trabalho escrito online para os interessados poderem ler. Não chega nem perto de ser um trabalho super-completo sobre o período em questão, até porque dividi com outro colega, mas dá para se ter uma boa noção do que foi e de como se deu esse período tão interessante.

O trabalho ficou com um total de 22 páginas e trata dos seguintes assuntos: hierarquização social, a cidade de Edo, introdução do Confucionismo, destaques para alguns xoguns, Períodos Culturais e fim do xogunato (bakumatsu, shinsengumi, hitokiri, Guerra Boshin, etc). Podem baixá-lo nesse link.

Um dia, quem sabe, não faço uma coluna aqui no blog contando um pouco sobre a história do Japão? Vocês teriam interesse nisso? Seria algo bem mais resumido, mais para dar uma noção geral e desenvolvendo alguns pontos que provavelmente nós acharemos mais interessantes!

O que vocês acham? Se quiserem, postem nos comentários seu apoio! Mesmo que vocês não tiverem lido, postem um comentário dizendo se querem uma coluna como essa!

Bem, como alguns de vocês provavelmente já sabem, eu sou […]

A trajetória de um fã de animes e mangás…

Há algum tempo eu me deparei com a seguinte pergunta feita ao @cnetoin pelo formspring:

Qual foi a sua trajetória no mundo animístico da internet? Por quais círculos você passou até chegar onde está hoje (sites, redes sociais, fóruns, blogues…)?

A resposta dele até que foi bem simples, mas a pergunta ficou ecoando na minha cabeça e eu fiquei pensando sobre minha própria trajetória no mundo animístico. Como tudo começou até onde eu estou agora. O resultado dessa recapitulação eu coloco nesse post.

De fato será um post bem pessoal, mas, como os outros do tipo, serve para incitar a discussão sobre o tema. Desse modo, ao final da leitura, se puderem, compartilhem um pouco das suas trajetórias no mundo animístico!

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Minha primeira memória consciente como fã de cultura pop remete aos meus 6-7 anos quando assisti Star Wars pela primeira vez. Minha mãe alugou o VHS e enquanto ela recebia umas amigas na sala eu fiquei vendo no quarto com a filha de uma das amigas. Foi tiro e queda. Me apaixonei. No dia seguinte, pedi para minha mãe alugar os outros dois filmes da série (só tinham os três originais naquela época) e assisti um atrás do outro. Nascia um nerd.

O próximo passo foi comprar meus primeiros gibis. Lembro até hoje o primeiro que fui comprar na banca sozinho, sem meu pai. Homem Aranha #196 da Editora Abril, primeira parte da Temporada de Caça. Desde então, estava iniciada a vertente quadrinhística da minha vida nerd.

A próxima vertente a ser despertada foi a do RPG. Foi quando tinha 9-10 anos em uma aula especial no colégio onde líamos e discutíamos histórias. Em uma das aulas, a professora contou a história de um grupo de meninos que jogava RPG. Eu e um grupo de amigos nos interessamos e ela emprestou pra gente material que o filho dela tinha de AD&D. Fico triste por hoje em dia não jogar mais tanto quanto gostaria, sempre me diverti jogando RPG.

Claro que além de todas essas vertentes que estavam sendo despertadas aos poucos, os games sempre se fizeram presentes. Dias e dias jogando, reuniões com os amigos nos finais de semana para uns multi-player… era tudo uma grande curtição.

Mas e os animes e mangás? Onde que eles entram?

Meu primeiro contato com animes foi com Cavaleiros do Zodíaco, como grande parte das pessoas na minha faixa etária. Depois tivemos YuYu Hakusho, Shurato e por aí vai… porém, não fui cria só da TV Manchete. Na época em que comecei a me interessar pelos desenhos japoneses, um amigo meu tinha um pai que morava em SP e trazia algumas fitas pra ele da Liberdade com os mais variados desenhos. Ele era aquele tipo de menino mimado cujos pais faziam tudo para agradá-lo. Apesar de não verem sentido em trazer um monte de fita em japonês pro filho ver, eles o faziam porque o moleque pedia.

Como eu falava bastante com ele, foram várias as vezes que assisti aos desenhos com ele. Em específico lembro da vez que vi meu primeiro anime de mecha, a série original de Gundam. Tinham pouquíssimos episódios no VHS e era tudo em japonês, mas eu estava encantado! Imaginem como foi anos depois para mim ver uma série Gundam (Wing) estreando no Cartoon Network… Desde aquela época meu interesse nos animes foi só crescendo e eu queria cada vez saber mais sobre esse universo.

Com mangás a coisa não foi tão hardcore desde o princípio. O primeiro que li foi Ranma 1/2 que na época era publicado pela editora Animangá. Nunca cheguei a completar a coleção, mas havia gostado bastante de ver o estilo que via nos desenhos agora em quadrinhos, uma mídia que sempre adorei.

Só fui realmente entrar no mundo dos mangás quando a Conrad trouxe Dragon Ball para o Brasil, em 1999, se não me falha a memória. Depois veio a Editora JBC com Samurai X e a Panini com o mangá de Gundam Wing (que apesar de ser um lixo e ter tido um tratamento muito porco, era de encher meus olhos de emoção). Com o lançamento de One Piece pela mesma Conrad alguns anos depois eu já estava fisgado pelos quadrinhos japoneses. A cada ano que se passava eles tomavam mais e mais espaço no meu interesse frente aos quadrinhos de super-herói.

O tempo passou e a internet se tornou uma realidade. Lembro até hoje como era legal desbravar com um amigo meu as redes P2P e descobrir animes em AVI que, para a época, representavam uma qualidade ESTUPIDAMENTE BOA! Nosso parâmetro eram os RMVBs toscos então algo em AVI era praticamente ir ao cinema. A primeira série que assisti em AVI foi Chobits, seguido de Noir

Nesses primórdios da internet, eu sempre me interessei em entrar em contato com outros fãs e participei de diversos sites como um de distribuição de animes, o Animes Forever (se não me engano esse era o nome), e outro específico sobre Pokémon, o Suicune’s Temple. Em ambos eu tive a oportunidade de conhecer e conversar com muita gente. Tempos mais simples aqueles.

Em 2003 eu conheci o fórum Multiverso [email protected] através de um amigo e apesar da má fama que ele tinha, dava pra ver que muitas pessoas ali sabiam bastante do que estavam falando. Tempo passou e estou lá até hoje.

Ao entrar no MBB, acabei levando meu hobby mais a sério, graças às discussões sobre os mais variados assuntos. Foi lá pra 2005 mais ou menos que os animes e mangás começaram a praticamente dominar minha vida nérdica. Eu queria explorar cada vez mais séries, tanto em anime quanto em mangá e saber mais sobre esse universo. Eu já estudava bastante sobre cultura japonesa geral (para uma criança), mas queria saber mais sobre essa cultura pop moderna de lá.

Desde então meu interesse nunca parou de crescer, só aumentou e aumentou. O resultado de tudo isso vocês estão lendo agora, o Anikenkai.

O Anikenkai é o meu projeto de maior satisfação até hoje. Eu sempre tive a ideia de ter um site/blog onde eu pudesse livremente falar sobre meus gostos e compartilhar ideias, opiniões e experiências com outros fãs de animes e mangás e, com isso, aprender cada vez mais. E eu consegui.

Graças ao Anikenkai, criei um network de pessoas interessadas na cultura pop não só como meio de entretenimento, mas como algo a mais, uma manifestação cultural, um pedaço da cultura japonesa, um foco de interesse.

Acho que posso parar minhas lembranças por aqui, chegamos no presente. Com certeza eu deixei muita coisa passar, mas isso aqui é um post, não uma auto-biografia. Espero que vocês tenham gostado de saber um pouco mais sobre minha trajetória até onde estou hoje.

E vocês? Como vocês chegaram até aqui? Como viraram fãs de animes e mangás?

Há algum tempo eu me deparei com a seguinte pergunta […]

Ikoku Meiro no Croisée: Conflito cultural na Paris do séc. XIX

No início de 1868, o Imperador Mutsuhito retirou oficialmente os poderes do ex-Shogun Tokugawa e declarou o início da Era Meiji sob seu governo. Nesse período da história do Japão, o país foi aberto ao ocidente e várias reformas sociais e culturais começaram. Como consequência, o Ocidente também passou a se interessar pelo Japão e por sua cultura, principalmente a arte. É nessa época que se passa Ikoku Meiro no Croisée.

Yune é uma jovem garota japonesa que chegou a Paris trazida por um viajante veterano chamado Oscar. Ao chegar na nova cidade, ela conhece Claude, o dono de uma antiga ferraria. É lá que Yune irá morar e trabalhar como “garota propaganda” da loja. Acompanharemos então a vida da jovem japonesa em um país ocidental moderno com uma cultura completamente diferente da que ela estava acostumada.

É esse choque cultural que me deixou realmente interessado no anime. A maneira como tudo é apresentado e as situações que isso pode gerar geram inúmeras possibilidades. Um exemplo seria Claude vendendo o kimono da que Yune lhe deu por achar que era só mais um quando na verdade era um dos melhores kimonos que a menina tinha. Ele só não imaginava que ela daria algo tão precioso a ele só por causa de um negócio que ela quebrou.

A ambientação do anime também está muito bem feita. Temos belos cenários, cuidado com os traços da época no vestuário, meios de transporte, lojas, ruas, arquitetura, etc. Esse cuidado valoriza uma série. A animação está realmente competente e a trilha sonora se destacou para mim. Achei que as músicas leves e instrumentais casaram bem com o clima do anime.

Yune é uma personagem bem interessante e extremamente fofa. O que a fez querer vir para o ocidente? Por que ela aprendeu francês? Essas perguntas ficam no ar e acrescentam à ideia de “peixe fora d’água”. E na questão da fofura, não tem pra ninguém nessa temporada. Por enquanto, pelo menos.

Ikoku Meiro no Croisée é um slice of life meio diferente por conta de sua ambientação e temática, mas promete ser extremamente interessante para quem simpatiza com conhecimento cultural e história.

No início de 1868, o Imperador Mutsuhito retirou oficialmente os […]