Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu – 2a Temp. – Primeiras Impressões

Como eu estou feliz de poder voltar a acompanhar a história de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu. Não faz muito que eu elegi a primeira temporada como o Melhor Anime de 2016 e cá estamos agora para ver se a segunda temporada, que recebeu o subtítulo de Sukeroku Futatabi-hen, fará jus a esse título. Claro que ainda estamos apenas no primeiro episódio, mas posso dizer com tranquilidade que o anime começou com o pé direito.

Antes de mais nada gostaria de dizer que, se você não assistiu à primeira temporada, que o faça antes de continuar vendo a segunda. Embora a recapitulação que tivemos no início do episódio – através de um inspirado rakugo de Yotaro – tenha sido na medida certa para nos re-situar nos eventos que antecederam à histórias, não é suficiente para transmitir toda a carga dramática que servirá como base para os eventos que estão por se seguir.

Tendo dito isso, voltemos então para o primeiro episódio que nos trouxe de volta para a década de 70, já na reta final da Era Shouwa. Embora o rakugo tenha sido o grande motor por trás dos eventos que permearam as vidas de Sukeroku e Kikuhiko (agora conhecido como Yakumo), culminando com a morte de Sukeroko e sua mulher, deixando sua filha Konatsu aos cuidados do amigo, enquanto forma de arte ele estava morrendo. As inovações no ramo do entretenimento fizeram o interesse pela antiga arte do rakugo se diluir. É uma manifestação artística atrelada demais ao passado, desnecessariamente patriarcal e nepotista. Os poucos teatros dedicados à prática foram fechando e agora, mesmo na capital, resta apenas um.

É em meio a esse contexto que Yotaro finalmente consegue chegar ao ranking de shin’uchi, decidindo mudar de nome para Sukeroku, em homenagem ao falecido amigo de seu mestre, e ganhando sua “liberdade” de praticar rakugo como e onde quiser. Isso o deixa em uma situação complicada pois ele reconhece que o rakugo, como está, não tem futuro. Ele decide então ir de encontro às ideias de seu mestre, que aceitou que o rakugo morrerá com ele, em busca de tentar renovar e perpetuar essa arte pela qual ele tanto se apaixonou. Esse conflito entre Yotaro e Yakumo promete ser fascinante pois é exatamente essa variedade de “escolas” que, segundo o Sukeroku do passado, salvaria o rakugo.

Porém, Shouwa Rakugo nunca foi apenas uma história sobre rakugo, mas sim sobre seus personagens e uma personagens em específico promete trazer muito drama para essa temporada: Konatsu. Não temos a relação complicada entre ela e Yakumo – não só ela acusa Yakumo de ser o culpado pela morte de seu pai, como também é, para ele, uma lembrança constante da pessoa que ele mais amou na vida e perdeu – como agora ela teve um filho e faz questão de não revelar quem é o pai. Isso motiva Yotaro a pedir para que ela se case com ele pois além de não querer deixar ela criar a criança sozinha, ele ainda a ama. Porém, não se trata de um amor “romântico” no sentido tradicional pois não há “romance” entre eles, mas é algo entre um amor de irmão e um amor romântico. Essa vertente de amor, por si só, já pode render boas situações e o fato de nós ficarmos sem saber se o Yotaro pode ou não DE FATO ser o pai da criança torna tudo ainda mais complexo.

Essa teia de relações, sentimentos e situações tratados de forma adulta e sensível é o que faz Shouwa Rakugo funcionar e ser o anime complexo e cuidadoso que foi na primeira temporada. Assim sendo, não só isso é mantido como o plot central também está apontando em uma direção que, por si só já é bastante interessante. É isso que faz esse anime sobre uma arte desconhecida por nós, que se passa em um período histórico que não faz parte do nosso passado histórico e em um país tão distante do nosso fazer tanto sentido e bater tão profundo em nossos corações. Sim, parece babação de ovo, mas Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é bom assim de verdade.

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Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

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