Drifters – Primeiras Impressões

Tendo assistido já a três episódios de Drifters, podemos já ter um bom panorama do que a série está disposta a entregar e se vale a pena, ou não, continuar com ela até o final.

Quando assisti o primeiro episódio de Drifters eu não fui muito com a cara do anime. O impacto inicial causado pela cena de perseguição e luta que abre o episódio foi quase que completamente lavado pela sequência cômica (que não me fez rir) que o sucedeu. Talvez se eu entendesse mais da história do Japão eu tivesse curtido mais (e olha que eu me considero com um conhecimento acima da média nessa área). Porém, por ter um passado afetuoso com Hellsing (mangá do mesmo autor de Drifters e um dos primeiros animes que assisti quando tive acesso à banda larga), resolvi que veria pelo menos mais dois episódios para ver pra onde aquilo iria.

Nesse ponto é bom dizer que pouco foi mostrado da história. O primeiro episódio serviu apenas para introduzir os trio principal do anime: Shimazu Toyohisa, Oda Nobunaga e Yoichi Nasu. Se algum desses nomes te saltou aos olhos é porque eles são nomes de figuras históricas do Japão. O protagonista, Toyohisa, é o menos historicamente relevante dos três. Oda Nobunaga foi um dos mais temidos e poderos daimyo do período Sengoku e Yoichi Nasu uma figura lendária da época da Guerra Genpei. Os três foram parar naquele mundo de fantasia pelas mãos de um senhorzinho, que posteriormente ficamos sabendo se chamar Murasaki, que fica num corredor cheio de portas onde eu quero acreditar ser algo como o purgatório. Naquele mundo eles são conhecidos como Drifters (daí o nome da série).

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O segundo episódio, felizmente, melhora o anime em vários aspectos. Temos novamente uma cena de ação empolgante com o trio salvando uma vila de elfos. Um general Organização Outubrista (que eu não sei se tem a ver com o Partido Outubrista da época da Revolução Russa) estava matando por dois deles terem ajudado Toyohisa quando ele caiu naquele mundo. A intenção do trio era conquistar território e o respeito da população de elfos, além, é claro, de fazer os Outubristas notarem sua presença. E sem dúvida ela foi notada. O clímax da batalha foi sangrento e pesado, servindo pra mostrar que Toyohisa não tá ali para brincadeira. As partes cômicas desse segundo episódio também funcionaram muito bem. Em especial o diálogo entre Oda e Toyohisa sobre matar ou não matar o inimigo baseado em se ele sabia ou não se comunicar em japonês.

Ao final do episódio eu estava mais feliz com o andamento da série, mas ainda apreensívo pois pouco sabíamos sobre o macro daquele mundo. O que diabos eles estavam fazendo ali, quem é aquela gente, qual o conflito daquele mundo, etc. Tivemos um pequeno exemplo disso em uma cena protagonizada por Murasaki e Easy, uma jovem mulher que parece não se dar bem com Murasaki. Ela é a responsável pelos Ends, que, pelo que deu para entender, são que nem os Drifters, só que “malvados”. Porém, fora isso, as coisas ainda estavam muito no ar.

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Tomando a decisão de afastar a narrativa do trio principal, o terceiro episódio veio para dar um pouco de luz nas questões que rodam aquele mundo e o papel dos Drifters naquilo tudo. Em uma invasão dos Ends, que conta com seu próprio rol de figuras históricas como Joana d’Arc e Anastásia Romanov (bombadas com superpoderes), comandados por uma figura encapuzada conhecida apenas como Rei Negro, ficamos sabendo que os Outubristas são quem defendem a humanidade daquele mal. Para isso eles usam os Drifters que vão parar naquele mundo. E por sinal eles nos apresentam vários outros Drifters que já estão aliados aos Outubristas. Novamente as cenas cômicas do episódio funcionam bem ajudando a quebrar um pouco a tensão causada pela batalha (embora eu ache que não era necessário). Ao final, ficamos sabendo das intenções do “comandante” dos Outubristas de recrutarem o trio principal para sua batalha, coisa que eles não parecem estar tão empolgados para fazer.

Após três episódios eu posso dizer que a série me conquistou. Trata-se de entretenimento puro. Aonde mais você vai poder ver Aníbal e Cipião fugindo em uma carroça escoltados por Butch Cassidy e Sundance Kid enquanto Naoshi Kanno, um ás japonês durante a II Guerra Mundial, troca tiros no ar contra um dragão ao mesmo tempo em que Joana d’Arc e Anastásia Romanov estão tocando o terror com seus super poderes? Pois é. Drifters nos conquista justamente pelo uso inusitado e nem um pouco tradicional de figuras histórias das mais diversas localidades e temporalidades. Também é digna de nota sua trilha sonora carregada de hard rock que embala muito bem as cenas de ação sangrentas e carregadas. É divertido reconhecer os personagens e teorizar sobre quem mais pode aparecer ou quem são os que já apareceram mas ainda não tiveram os nomes revelados.

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Sem dúvida o anime me conquistou e eu provavelmente vou assisti-lo até o final, mas eu não o colocaria na lista de “imperdíveis da temporada”. A principal razão por trás disso é que tendo apenas 12 episódios programados e singelos cinco volumes do mangá original publicados fica difícil achar que teremos algum plot realmente bem trabalhado na série. Provavelmente veremos muita porradaria e muitas figuras históricas que, se quisermos ver para onde vão, teremos que pegar o mangá após o fim do anime. Esse é o principal problema de adaptações de mangá e, ao que parece, Drifters vai sofrer bastante com isso.

E vocês? O que estão achando de Drifters? Deixem seus comentários aí embaixo!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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