Primeiras Impressões – Animes de Verão 2016 – Parte 3

Estão curtindo a nova temporada? Nessa terceira parte das Primeiras Impressões dos animes da temporada de Verão 2016, trazemos uma seleção de EXCLAMAÇÕES! Sério! Reparem como quase todas os animes abaixo tem pontos de exclamação no título. Deve ser algum tipo de moda… Vamos lá então falar dos primeiros episódios de Taboo Tattoo, Love Live! Sunshine!!, Cheer Danshi! e New Game!.


Taboo TattooDireção: Takashi Watanabe – Roteiro: Mayori Sekijima & Masamitsu Ootake – Estúdio: J.C. Staff

Taboo Tattoo - 01

Taboo Tattoo foi um anime que eu não estava planejando ver, mas que decidi dar uma chance após ver o trailer que mostrava uma animação até bem decente e um visual que poderia ser bacana. É impressionante, no entanto, como nos cinco primeiros minutos eu já estava me arrependendo de ter começado a assisti-lo.

A premissa de Taboo Tattoo é extremamente batida, mas isso eu já sabia. A sinopse dizia bem o que essa série pretendia ser, mas nada indicava a mediocridade geral desse primeiro episódio. Trata-se daquele tipo de anime que praticamente em todos os aspectos nós temos outros fazendo um serviço bem melhor. Mas vamos começar pelo que esse anime tem de bom: as cenas de ação. Se não me engano, tivemos apenas duas no decorrer do primeiro episódio, mas ambas foram muito bem dirigidas e animadas. Dava pra sentir o impacto dos golpes e a maneira como a câmera se movimentava durante as lutas era bastante interessante e, de certa maneira, bastante difícil de se acertar. Porém, as qualidades do anime param aí. Todo o resto vai de mediano a bem ruim.

A começar pelos designs dos personagens que cai num clichê besta onde os personagens masculinos usam roupas discretas/comuns do dia a dia e as personagens femininas usam roupas exageradamente sexualizadas e nada discretas/comuns (e isso fica bem evidente na própria abertura do anime, por isso o comentário dos 5 minutos acima). A mediocridade se estende para a qualidade visual geral da série. De nada adianta termos cenas de ação bem dirigidas se os personagens (que até estão bem animados nessas cenas) tem que se mover num cenário feito em CG tosco onde o decidiram que pra forçar um tom mais dark para a história era preciso esquecer de ligar o sol.

Infelizmente, mesmo indo com expectativas muito baixas eu me decepcionei ao ver Taboo Tattoo e não consegui encontrar nenhum motivo para continuar assistindo à série. Se você gosta de anime de porrada com uma pegada mais dark, eu tenho certeza que tem coisa melhor pra você assistir por aí.


Love Live! Sunshine!!Direção: Kazuo Sakai – Roteiro: Jukki Hanada – Estúdio: Sunrise

Love Live Sunshine - 01

Eu me sinto seguro em dizer que Love Live é um dos maiores fenômenos dos animes modernos. Chuto até a dizer que ele chegou mais longe do que o seu, até então, mais famoso “primo”, a série [email protected]. Isso se deve em boa parte por causa do marketing, das músicas e do jogo para celular, mas também pelo fato de que o anime que originou tudo foi realmente bem bom. Eu não cheguei a terminá-lo, mas a parte que eu vi me surpreendeu positivamente e, pelo que leio por aí vindo de pessoas cujas opiniões eu respeito fortemente, o resultado final foi muito bom. Muito graças ao carisma do elenco original e a química entre eles. É aí que, três anos depois, estreia Love Live! Sunshine!!.

Diferente de seu predecessor, Love Live! Sunshine!! está envolto de um enorme hype. A franquia é um sucesso mundial e os personagens originais já estão no coração dos fãs. Nessa difícil missão de fazer o novo anime ser, no mínimo, tão bom quanto o original, os produtores decidiram mudar a ambientação de uma grande metrópole para uma cidadezinha pesqueira do litoral japonês onde a cultura idol não é tão difundida. Pessoalmente achei essa escolha bastante interessante pois possibilita mostrar uma rota para o sucesso completamente diferente para esse novo grupo e potencialmente mais tortuosa.

Embora esse primeiro episódio tenha sido bem parecido com o da série original, com a protagonista tentando recrutar membros para seu grupo de school idols, há quem diga que suas motivações são mais fracas, mas irei discordar. Se compararmos friamente, enquanto a Honoka queria criar um grupo para vencer o grande concurso nacional e salvar a escola de ser fechada, Chika agora só quer fugir da “noramlidade” de sua vida interiorana. Embora pareça ser uma motivação fraca, eu acho ela extremamente profunda pois mexe com o sentimento da pessoa querer deixar uma marca ao invés de só seguir no modo “deixa a vida me levar”. É poder olhar pra trás e sentir que você fez alguma coisa com a sua vida, algo seu, único. E o bacana disso é que, como é um motivo bastante pessoal da protagonista, ela terá um trabalho dobrado para conseguir convencer as pessoas a entrar nessa.

Não preciso nem dizer que no departamento técnico a série está impecável. Trila sonora usada no momento certo, efeitos sonoros, efeitos visuais, a animação em si. Tudo funcionando em harmonia. Até a animação 3D usada em alguns momentos do número musical no encerramento ficou bem feita, se integrando bem com os momentos em 2D. Eu posso não ter acabado de ver a série original, mas acho que dessa vez assisto até o final.


Cheer Danshi!!Direção: Ai Yoshimura – Roteiro: Reiko Yoshida – Estúdio: Brain’s Base

Cheer Danshi - 01

Se eu tivesse que definir esse primeiro episódio de Cheer Danshi em apenas uma palavra eu diria: CHATO. Infelizmente, embora eu estivesse até tentando botar um pouco de fé nessa série, o primeiro episódio cortou completamente o meu barato e entregou um anime chato e com um visual que está bem aquém do que deveria ser para um anime do tipo.

A começar pelos personagens. Achei bacana mostrar que o protagonista tinha naturalmente dentro de si algo que fazia com que ele não conseguisse ficar torcendo de maneira “calma”. Ele tinha que gesticular, gritar, botar a alma na torcida. O cenário tava pronto para fazer a ponte entre isso e a criação do clube de torcida… mas não. Eles tinham que gastar precioso minutos falando do problema do menino com judô e como isso deixa ele triste e bla bla bla. Pra piorar, não parte nem dele a vontade de criar um clube de torcida, mas sim do amigo. Pra piorar ainda mais, a motivação do amigo para fazê-lo é ridícula. Ele largou o judô porque todos esses anos ele só tava lá porque o protagonista também tava e, como o protagonista saiu, ele decidiu sair também independente de ter um futuro bom no esporte. Daí, ele decide que se sentiu inspirado ao ver o protagonista torcendo e, COMO SEUS PAIS ERAM LÍDERES DE TORCIDA (wtf? roteirismo a vista?) ele quer ver se esse negócio é legal e ele quer ver se consegue ser melhor que os pais… ou algo do tipo. Mas pior que isso (sim, tem como piorar) é que do nada, ele decide que o clube vai ser apenas masculino só porque ele quer mostrar que ser líder de torcida não é só coisa para mulheres… é… DE ONDE VEIO ESSA VONTADE, CARAY?

Enfim… deixando a fragilidade desse roteiro, o aspecto visual também foi bastante desinteressante. O tempo todo nós somos informados como torcida é algo bonito, é algo incrível, difícil de fazer, que exige esforço físico, etc, mas em momento nenhum nos é mostrado isso. Nem na parte em que o amigo leva o protagonista pra ver profissionais em ação, a gente praticamente só escuta da boca dele “olha, isso é incrível, não é?”… MAS CADÊ? Não mostram nada! Se eles querem nos vender essa ideia, não é pra falar, é pra mostrar! E com a melhor animação possível pra gente ficar com o queixo no chão e falar que aquele é o esporte mais incrível de todos os tempos.

Cheer Danshi, claramente tentando embarcar no sucesso de FREE, pegou um ou outro aspecto que fez a série da KyoAni famosa (como homens “bonitos” com fortes laços entre si), mas esqueceram de pegar outra que é ainda mais importante: contar uma história coerente com um visual animal.


New Game!Direção: Yoshiyuki Fujiwara – Roteiro: Fumihiko Shimo – Estúdio: Doga Kobo

NEW GAME! - 01

Ao ver New Game eu me peguei tendo sentimentos bem conflitantes. Embora o anime tenha a clara intensão de ser uma comédia com garotas fofinhas e um pouco de fanservice aqui e ali, eu me peguei em diversos momentos rindo de situações com as quais pude me identificar. É um sentimento estranho para se ter em um anime onde jovens garotas trabalham numa empresa que faz jogos de video-games onde não há um único ser do sexo masculino e que no meio do serviço estão dispostas a parar o que estão fazendo para tomar uma xícara de chá. Mas lá no fundo, New Game mostra situações que qualquer um que já trabalho em uma empresa já viveu também. Seja um colega que fala completamente diferente no serviço de mensagem privada do que na vida real; do chefe que esquece de te dar as instruções necessárias; do primeiro contato com os novos colegas de trabalho; da dificuldade de saber pra quem você deve fazer as perguntas; de como funciona a dinâmica da empresa (desde ir ao banheiro até onde pegar o seu crachá); etc etc etc.

Foram esses momentos que me fizeram gostar muito mais de New Game do que eu gostaria de admitir. Muito provavelmente essa série será o meu guilty pleasure da temporada. É um moezão brabo, mas com algo além que podemos tirar toda semana. Claro que uma ou outra piada é meio sem graça e as partes de fanservice, embora poucas, são, como na maioria, bastante descartáveis. Entretanto, o visual do anime está muito bacana e muitas vezes a animação das personagens colabora com as piadas, o que é sempre bacana de se ver. Achei legal também como eles decidiram se focar, pelo menos nesse primeiro momento, no pessoal que faz a parte criativa/artística dos jogos e não no pessoal da programação. É um approach interessante e não tão convencional pra esse tipo de ambientação.

Eu sei que New Game não é para todos os gostos e que muita gente não conseguiu ver essa outra camada que eu vi além do conteúdo moe, mas acho que esse anime pode ser um novo Sore ga Seyuu pra mim.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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