Primeiras Impressões – Animes de Verão 2016 – Parte 2

Dando continuidade às Primeiras Impressões da temporada de Verão 2016, nessa segunda parte vamos comentar os primeiros episódios de Rewrite, DAYS e Amaama to Inazuma! Vamos a eles…


RewriteDireção: Motoki Tanaka – Roteiro: Takashi Aoshima & Tatsuya Takahashi – Estúdio: 8bit

Rewrite - 01

Tenho que confessar pra vocês que NUNCA gostei de nenhuma adaptação de visual novel da Key. Adaptação de visual novel per se já é algo que eu não curta muito, mas as da Key vem junto de uma lembrança do que existia de pior nos animes da primeira década dos anos 2000. Seja o visual extremamente datado (e que na época já era tosco) dos personagens ou o fato de cada um ali parecer mais raso que piscina de bolinha. Talvez possamos comentar também da narrativa no estilo “protagonista andando esbarra com uma garota e tem uma conversa aleatória com ela até que ande novamente e ache outra garota e por aí vai” ou os monólogos nada naturais e mal escritos acontecendo dentro da cabeça do protagonista e como ver isso por looooongos 46 minutos nesse primeiro episódio de Rewrite foi desagradável.

Sei que tem um grupo dentro do fandom de animes que curte esse tipo de anime e que aguarda ansiosamente para quando uma nova visual novel (especialmente da Key) será lançada e talvez por essa paixão que eu dê uma chance a cada nova série, mas todas se mostram impressionantemente sem sal. Muitos de vocês vão me falar que há toda uma simbologia ou um grande plot escondido por trás do que foi mostrado nesse primeiro episódio e vocês provavelmente estarão certos, mas não dá. Não dá pra ver um anime que falha miseravelmente em fazer eu me importar com seus personagens ou, pelo menos, acreditar que eles não são robôs encenando uma peça mal dirigida.

Enquanto séries como essa continuarem a trazer tudo que há de pior no material original (visual novels) que já mencionei acima, não tem porque eu assisti-las. Rewrite se apresenta como um anime saído desse período que muitos de nós preferia esquecer que existiu.


DAYSDireção e Roteiro: Kounosuke Uda – Estúdio: MAPPA

DAYS - 01

No preview da temporada, escrevi que provavelmente quem curtiu Hajime no Ippo, provavelmente vai curtir DAYS também e eu não podia estar mais certo. Em ambos os animes temos um protagonista que, embora não seja muito bom no esporte em questão, tem aquilo que todo protagonista de shonen tem que ter, uma enorme força de vontade e dedicação para treinar, treinar, treinar e melhorar um paço de cada vez. Se você curte um bom anime de esporte old-school, DAYS é um anime feito pra você.

A condução desse primeiro episódio merece destaque. O diretor (e também responsável pelo roteiro) Kounosuke Uda fez um excelente trabalho em apresentar os personagens principais que acompanharemos na série. Mais através das ações destes do que através de diálogos ou monólogos expositivos, o que é sempre apreciado quando possível de ser feito. Podemos ver através das ações do protagonista como ele é uma pessoa tímida, mas que aprecia suas amizades e como se dedica para não deixar os outros na mão, mesmo quando é um completo pereba (vocês também usam essa gíria?) jogando bola. Ficamos sabendo que o amigo loiro de cabelos longos e mais habilidoso no futebol, Jin, não era um babaca que estava manipulando o Tsukushi, mas sim um cara gente boa que queria ser amigo dele. Inclusive, adorei como, no final do episódio, ambos se influenciam. Tsukushi se força a ser melhor para não deixar Jin na mão, e Jin fica inspirado pela dedicação de Tsukushi.

Visualmente o anime é competente, embora não se destaque muito. Funciona bem para a proposta e acredito que quando vermos um jogo “de verdade” ela deve funcionar bem também. O design dos personagens é carismático e deve agradar a maioria. Inclusive, o provável bromance entre Tsukushi e Jin farão muitas fujoshis de plantão ficarem ligadas na série. O visual “bonitão” do Jin só colaborará ainda mais pra isso. Infelizmente a única personagem feminina que vemos na história, a amiga (provavelmente de infância) do protagonista, Tachibana, teve uma participação bastante rasa (praticamente só falando o nome do Tsukushi e ficando assustada quando ele se machuva) e, provavelmente continuará assim no decorrer da série. Um clichê de shonen de esporte que infelizmente não parece ter ido embora ainda.

Com 24 episódios programados, DAYS tem chance de contar uma boa história e espero que acompanhar a jornada de Tsukushi seja interessante. Quero ver ele melhorando, mas se ele virar um GÊNIO do dia pra noite pode ser que isso estrague a vibe que esse primeiro episódio construiu.


Amaama to InazumaDireção: Tarou Iwasaki – Roteiro: Mitsutaka Hirota – Estúdio:  TMS Enterteinment

Amaama to Inazuma - 01

Focando no relacionamento de um pai solteiro com sua filha pequena, Amaama to Inazuma trouxe um primeiro episódio emocionante e verossímil, recheado de detalhes de encher os olhos de quem gosta de personagens humanos e bem caracterizados.

A começar pela pequena Tsumugi. Ela foi animada com movimentos energéticos e um tanto desajeitados, com expressões sinceras e deslumbradas, características típicas de crianças da sua idade. Mas não só visualmente essa verossimilhança aparece. Há também um excelente trabalho do roteiro e da dublagem em fazer com que aquela personagem, que fica extremamente feliz ao perceber que entendeu uma palavra na TV e fica com os olhos brilhando quando vê alguém falar sobre uma comida deliciosa pareça real.

Seu pai, Kouhei, também parece extremamente realista. Tendo perdido a esposa há cerca de seis meses, ele tem que lidar com as responsabilidades de seu trabalho como professor, além de agora ter que assumir sozinho as responsabilidades paternas, ele dá seu máximo para deixar a filha feliz. Sua tristeza ao ver que a filha se sente sozinha porque eles não mais comem juntos e com saudade da mãe pelo mesmo motivo nos despertam sentimentos que séries inteiras falham em nos provocar.

O elo fraco dessa história pode ser, no entanto, a Kotori, uma das alunas do professor que cozinha um simples, mas cheio de significado e cuidado, prato de arroz para Kouhei e Tsumugi. Embora ela tenha funcionado perfeitamente no contexto desse primeiro episódio, ela mesmo sentindo falta da mãe, que parece sempre estar ausente quando não está trabalhando, fico preocupado que ela possa acabar tendendo por preencher o buraco deixado pela falecida mãe naquela família. Meu medo é que essa mudança de status quo possa afetar a dinâmica tão gostosa daquela família para pior.

Porém, não quero rogar praga. Mesmo que isso aconteça, pode ser que seja feito de uma maneira que nos agrade no final das contas e, mesmo assim, até o momento, o que temos é um anime extremamente agradável e emocionante de se ver. Com personagens com os quais conseguimos nos relacionar com facilidade e que, provavelmente, serão muito gostosos de acompanharmos no decorrer da temporada.


Outras Primeiras Impressões de  Animes dessa Temporada:

Parte 1 (Berserk, Orange, ReLIFE e Tales of Zestiria the X)

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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