Primeiras Impressões – Animes de Verão 2016 – Parte 1

Hora de começar mais uma série de posts de Primeiras Impressões com os animes da temporada de Verão 2016. Nessa primeira parte vamos falar sobre Berserk, Orange, ReLIFE e Tales of Zestiria the X. Vamos lá…


BerserkDireção: Shin Itagaki – Roteiro: Takashi Yamashita – Estúdio: GEMBA & Millepensee

Berserk - 01

Em uma tentativa de tirar logo uma das maiores atrocidades que já vi em forma de anime do meio do caminho, começo falando sobre Berserk. Há dez anos os fãs do mangá anseiam por uma nova série para TV. A anterior, exibida em 1997, adaptou coisa demais e tirou muitos dos elementos que os fãs mais gostavam em prol de tentar contar uma história mais fechada em seus 25 episódios. Há alguns anos, Berserk ganhou uma série de três filmes que recontou o arco da Era de Ouro, um flashback que existe no mangá e que constitui praticamente toda a primeira série para TV. Com esse novo anime, os fãs poderiam finalmente ver animado o que aconteceu depois do grande apocalipse que transformou Guts no guerreiro endemoniado que conhecemos. E eles viram… só que não da forma como gostariam de ter visto.

Tive que conter minha frustração durante a quase meia hora que passei assistindo a esse primeiro episódio. A animação porca, usando uma mistura de animação 3D grotesca e 2D nem um pouco inspirada, é o que primeiro chama a atenção, mas está longe de ser o único problema dessa nova adaptação. A direção foi uma das coisas mais sofríveis que já tive o desprazer de assistir. Cortes aleatórios, ângulos de câmera pessimamente escolhidos… um ritmo completamente cagado (me desculpem o termo). Tudo isso colaborou para essa experiência inicial com esse novo anime se tornar minha única.

Que o diretor Shin Itagaki volte a fazer seus curtas de comédia em Tekyuu que isso ele sabe fazer bem. Esse anime é uma verdadeira afronta aos fãs do mangá e a quem espera um anime minimamente decente. Se você gostou desse primeiro episódio, confesso que sinto inveja de sua capacidade de abstrair os inúmeros defeitos que ela teve. Fico me perguntando como entregaram um projeto desses para esses dois estúdios claramente despreparados e para esse diretor que parece não saber o que está fazendo numa série como essa.


OrangeDireção: Hiroshi Hamasaki – Roteiro: Yuuko Kakihara – Estúdio: Telecom Animation Film

orange - 01

Enquanto Berserk foi uma tragédia em todos os sentidos, a adaptação de Orange foi uma verdadeira aula de direção. Praticamente tudo nesse primeiro episódio foi executado com perfeição. Cada um dos personagens do grupo principal teve seu momento em tela e através de gestos e diálogos podemos perceber um pouquinho quem é quem e de como se relacionam entre si. O plot principal da série também foi introduzido de maneira extremamente suave, sem parecer forçado, por mais sobrenatural que possa parecer a protagonista receber uma carta dela mesma no futuro. Por sinal, suave é a melhor maneira para descrever o estilo de direção de Hiroshi Hamasaki (Steins;Gate, Terra Formars).

Gostei especialmente da sequência em que os personagens estão curtindo juntos a tarde livre do primeiro dia de aula. Foi uma montagem bastante divertida e criativa que acertou bastante em mostrar como aqueles personagens estavam também se divertindo bastante. Na segunda metade, também vemos o diretor em ação estabelecendo o romance entre Kakeru e Naho de maneira, novamente, suave e cuidadosa. Sim, nós sabemos que ela vai se apaixonar por ele, o ela-do-futuro nos informa disso, mas mesmo assim o diretor tomou seu tempo para trabalhar e mostrar isso acontecendo. A repetição da ação da Naho em ao chamar o Kakeru se conscientizar de não usar o “-kun”, o que indica uma maior intimidade entre ele, em dois momentos distintos no episódio é um exemplo disso.

Por sinal, quero elogiar também o roteiro de Yuuko Kakihara (Digimon Adventure tri, Chihayafuru 2). Os diálogos estão naturais e fluidos. Eu consegui visualizar facilmente “pessoas reais” falando ali. Nenhum dos diálogos pareceu forçado e passaram bastante informação sobre o jeito de cada um ali de maneira indireta.

Eu gosto muito quando vejo algo bem feito assim como no caso de Orange. Eu li apenas os primeiros capítulos do mangá e estava planejando ler o resto ao invés de ver o anime, mas depois de ter visto o trabalho cuidadoso que fizeram com a adaptação, decidi acompanhar essa história pelo anime mesmo. Sem contar que o mangá original ter apenas 5 volumes o torna ideal para uma série de 12 episódios. Estou realmente ansioso para continuar assistindo a esse anime.


ReLIFEDireção: Satoru Kosaka – Roteiro: Michiko Yokote – Estúdio: TMS Enterteinment

ReLIFE - 01

Vez ou outra algum anime vem para nos mostrar que quando se tem uma boa história nas mãos de uma boa equipe criativa, “gráficos bonitos” acabando se tornando secundários. Esse é exatamente o caso de ReLIFE. Sua proposta não é nem de perto original. Jovem-adulto se aproximando dos 30 anos sem ter conseguido muita coisa na vida e frustrado com a sua situação e com o mundo ao seu redor recebe a tentadora oferta de voltar aos seus anos de escola e reviver aquela época mágica e com bem menos problemas. Provavelmente já vimos isso em outros animes, filmes ou até mesmo novelas mexicanas, mas ReLIFE entregou esse plot com uma roupagem extremamente divertida e que promete render boas risadas e até alguma dose de drama e comoção.

Um ponto interessante que acho válido comentar sobre o plot desse anime é que não há uma real viagem no tempo envolvida. O que acontece é que Arata, nosso protagonista, em um momento alcoolizado, toma uma pílula oferecida por Ryou, representante do projeto ReLIFE, e acorda na manhã seguinte com a aparência de dez anos mais jovem. O mundo ao seu redor continua o mesmo. Ele é que rejuvenesceu e agora precisa passar um ano frequentando o terceiro ano do ensino médio mais uma vez em sua vida.

O curioso é que o propósito de Ryou, e do projeto ReLIFE como um todo, é a reabilitação de NEETs (sigla usada no Japão para se referir a pessoas que não trabalham ou estudam e normalmente vivem do dinheiro dos pais) e é daí que eu tiro meu principal interesse na série. Sim, ela é engraçada – eu dei risadas honestas em várias partes do episódio – mas o que mais me interessa, na verdade, é como será a evolução pela qual o Arata vai passar através dessa experiência. Como isso vai influenciar em sua vida, como isso vai ajudá-lo a sair de sua condição de NEET, etc. Por mais que seja uma série de comédia, acho que teremos bons momentos de sensibilidade e de catarse acompanhando essa série.

Para felicidade de quem curtiu esse primeiro episódio, todos os treze foram disponibilizados no Crunchyroll de uma só vez! Hora de um binge-watching


Tales of Zestiria the XDireção: Haruo Sotozaki – Roteiro: N/A – Estúdio: ufotable

Tales of Zestiria the X - 00

O último anime a ser comentado nessa primeira leva de Primeiras Impressões é Tales of Zestiria the X e, considerando que minhas expectativas eram de ver um anime visualmente impressionante, posso dizer que elas foram plenamente atingidas. O estúdio ufotable, que ganhou maior notoriedade após seu trabalho em fate/ZERO, mostrou que está em um nível completamente diferente em matéria de qualidade visual. Seja pelos efeitos especiais, efeitos de luz, o uso de animação em 3D de alta qualidade mesclada com uma animação 2D mais do que competente (aprende, Berserk), fez com que Tales of Zestiria the X já mereça, pelo menos, uma chance de quem busca um bom anime para acompanhar essa temporada.

Claro que nem tudo se resume a visuais quando falamos de animes realmente bons, mas mesmo em outros departamentos, Tales of Zestiria não decepciona, apesar de também não se destacar da mesma forma. Esse primeiro episódio é, na verdade, um prólogo dos eventos que estão por vir a partir da semana que vem. O próprio anime o coloca como “episódio 00”. Assim sendo, sua principal função é estabelecer o ambiente em que a história principal vai acontecer. Talvez, por isso, muita gente o ache corrido e um tanto picotado… porque ele realmente é.

Falta um pouco de impacto nos acontecimentos porque tudo é muito novo para fazer com que nos importemos verdadeiramente com perdas e ou destruições (e existe muito disso nesse episódio), mas ainda assim conseguimos simpatizar com a dor da princesa Alisha. Provavelmente o anime vai pisar um pouco no freio nos próximos episódios e, espero, desenvolver melhor os personagens e a situação daquele mundo (que vimos muito e ao mesmo tempo pouco nesse episódio). Talvez se nós tivéssemos visto os acontecimentos desse episódio 00 como flashbacks espalhados pela série talvez eles tivessem um impacto maior, mas não desgostei da maneira como foi apresentado. Até porque, acredito eu, o diretor estava sim querendo criar um ritmo mais pesado e até certo ponto sufocante para conduzir o espectador até o épico clímax do episódio.

Tales of Zestiria the X, de qualquer forma, já me fez ter vontade de continuar assistindo pelo menos mais alguns episódios para ver para aonde essa história pretende ir.


Outras Primeiras Impressões de  Animes dessa Temporada:

Parte 2 (Rewrite, DAYS e Amaama to Inazuma)

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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