BEDA #06 – A mistura de Idols e sci-fi em Macross

Após a exibição do primeiro episódio de Macross Delta, nova série de uma das maiores franquias dos animes, vi muita gente comentando que a série não estava fazendo jus à série original, ou que estava vendida para os “males” da animação japonesa moderna. Muitos desses comentários se baseavam no uso uso do “poder da voz” do grupo idol Walkure e no design “moe” das personagens femininas. Eu não sei aonde esse pessoal esteve enfiado nos últimos 30 anos, mas essa mistura está presente nos de “ficção científica” desde a década de 80 e, de maneira nenhuma, são sinônimos de falta de qualidade.


O grande boom dos animes de robô gigante se deu nos anos 70 com séries como Mazinger Z, Getter Robo e Yuusha Raidin. Nos anos 80 foi a vez daqueles que se tornaram fã de “ficção científica” (SF, no jargão japonês da época) fazerem suas próprias séries incrementando a elas outros de seus gostos, como, por exemplo, o crescente fenômeno das Idols, que, ao mesmo tempo que eram vistas como verdadeiros ídolos pelas mulheres, eram admiradas e desejadas pelos homens. Essa mistura de garotas fofinhas com SF viria a se tornar um dos principais motores daquela geração e podem ser observadas, por exemplo, nos curtas animados DAICON III e DAICON IV feitos pela Gainax em 1981 e 1983 respectivamente.

Porém, se teve uma pessoa que realmente pegou o espírito idol e sua musicalidade e o uniu de maneira singular ao SF, essa pessoa é Shoji Kawamori, criador de Super Dimension Fortress Macross. Essa união deu tão certo que fez com que Kawamori lançasse a primeira anime idol, a personagem Lynn Minmay. Após o anime, sua dubladora, Mari Iijima, virou uma celebridade instantânea que tem discos lançados até hoje! Sem contar que juntos eles fizeram uma das músicas mais memoráveis da história da animação japonesa: Do You Remember Love.

Kawamori também conseguiu unir, exemplarmente, guerra e amor em seus animes. O triangulo amoroso entre Hikaru, Misa e Minmay é um dos mais clássicos dos animes e inspirou vários outros criadores em tentar fazer o mesmo em suas séries. Desde então, idols, guerras espaciais, música, jatos transformers e triângulos amoroso viraram quase que um padrão de Macross a ser repetido durante todas as suas séries. Por mais diferentes tematicamente que fosse, esses elementos estariam presentes.

Basta vermos Macross Frontier, última série da franquia, feita em 2008 para comemorar os 25 anos de Macross. Nela, Kawamori decidiu trazer todos os elementos que fizeram de sua série original um sucesso e dar um boost em cada um deles. As batalhas espaciais aumentaram de proporção, a música ficou mais intensa embalando a ação e o conceito de que a voz das cantoras, de alguma maneira, influenciava nas batalhas já estava lá. Sem considerar a presença do triangulo amoroso entre Saotome, Sheryl e Ranka que veio para rivalizar com o trio original.

Assim sendo, ao olhar para o primeiro episódio de Macross Delta — que veio para terminar com um vácuo de 8 anos sem nenhuma série relacionada à franquia e ainda contando com a supervisão e direção geral do criador original, Shoji Kawamori — eu não consigo deixar de ver que os principais elementos que fizeram Macross ser o que é estão ali. Sim, o design dos personagens tá longe de ter a sutileza do traço original de Haruhiko Mikimoto e o CG, especialmente nos mechas, poderia ser mais bem trabalhado, mas a música, a guerra, a tensão e o romance estão ali e são esses elementos que sustentaram Macross ao longo desses quase 35 anos e deu pra senti-los vibrar fortemente em Delta.

“Romance e guerra são os ossos e músculos de Macross, música é o sangue e nervos”. Quero ver Macross Delta nos trazer uma excelente história de amor e guerra embalada por uma música vibrante e cheia de poder. Quando lerem que é inesperado ver em um Macross um grupo idol que usa o poder da voz para alterar o curso de uma batalha, diga pra eles que “magia”, idols e batalhas espaciais estão juntas de braços dados há muito tempo.

Termino por aqui pois tenho que mais uma vez ouvir Ikenai Boardeline QUE NÃO SAI DA MINHA CABEÇA! Ah, e fiquem de olho na voz da dubladora da Freya, a novata Minori Suzuki. Tem cara de que canta MUITO!


Papo #BEDA

Peço desculpas por estar colocando esse post no ar no dia seguinte ao qual ele deveria ter sido publicado. Infelizmente ontem a noite tive um problema com minha internet e não conseguia nem acessar o twitter direito. Felizmente hoje as coisas parecem ter normalizado e o post pode ir ao ar juntamente com o BEDA 07 que será publicado mais tarde.

Apesar de não estar sendo fácil, digo que estou curtindo muito produzir conteúdo diário para vocês e vendo que tem gente acompanhando! Por isso que digo que os comentários de vocês são muito importantes! Eles motivam a gente a escrever mais, então bora lá continuar comentando, pessoal! Até daqui a pouco com mais um BEDA!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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