Mahou Tsukai Precure – Primeiras Impressões

O último Precure que eu assisti inteiro foi Heartcatch Precure e, embora a série tenha sido realmente muito boa, nenhum outro Precure desde então me motivou a assisti-lo por inteiro. Ainda mais se tratando de séries que duram um ano inteiro. É um comprometimento grande demais para ser levado na barriga. Porém, os vários elogios que comecei a ver com relação a Go! Princess Precure me deixaram com bastante vontade de assistir à série… e foi aí que eu soube de Mahou Tsukai Precure, a décima terceira série da franquia Precure, que veio para substituir Go! Princess. Ao invés de me garantir no seguro e assistir à série que já estava sendo elogiada, decidi me aventurar um pouco em meio às novidades de Mahou Tsukai Precure.

A mina de dinheiro da Toei deixa as princesas da série anterior e embarca no mundo das bruxas. Asahina Mirai é uma jovem menina que, olhando para as estrelas em uma noite comum, vê um estranho objeto cair no parque perto de sua casa. Quando vai para lá na manhã seguinte em busca de tal objeto, encontra com Riko, uma bruxa da mesma idade dela, voando em sua vassoura. Devido a sua paixão pelo mundo da magia, Mirai não larga a menina e a enche de perguntas, fazendo Riko revelar que está atrás das “Linkle Stones”, pedras que emanam grande poder. As duas meninas então esbarram com Batty, uma espécie de vampiro que sentiu o poder mágico emanando das meninas. Ele então usa seus poderes para invocar um monstro que parte para o ataque. Quando tudo parecia perdido, as meninas, unidas, ativam o poder mágico das lendárias Bruxas Precure e se transformam em Cure Miracle e Cure Magical. Batty fica extremamente surpreso com tamanho poder e foge. Mirai e Riko não entendem o que aconteceu com elas nem quem era o vilão. Elas então precisam partir para o Mundo Mágico até a Escola de Magia onde Riko estuda para encontrarem algumas respostas.

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Eu estaria mentindo se dissesse que curti muito esse primeiro episódio, mas achei que ele cumpriu seu papel como introdução à nova série. A escolha pelo tema “magia” se mostrou bastante interessante e acredito que irá funcionar muito bem dentro da fórmula da série. Além disso, fiquei curioso para ver se o Mundo Mágico será o mundo principal dos acontecimentos da série enquanto que o Mundo “Real” será visitado ocasionalmente pelas personagens. Se for esse o caso, será a primeira vez na franquia que temos o mundos das Precure como cenário principal e isso já deixa a série com um maior apelo pra mim.

Outro ponto positivo que deu para perceber é que a dinâmica entre Mirai e Riko funcionou muito bem nesse primeiro episódio. Achei interessante como, embora num “chamado para a aventura” tradicional o herói (no caso a Mirai) é tirado de sua situação de conforto por algum elemento (no caso a Riko) que, literalmente, o chama para a aventura, tivemos aqui uma inversão de papeis. Mirai é a pessoa que faz Riko perceber o perigo e a motiva a agir. Seja por seguir seus instintos, ao perceber que Batty não era um cara legal (meio óbvio pela aparência dele, convenhamos), ou a fazendo acreditar que era possível derrotá-lo na cena em que elas estão penduradas na vassoura. Mirai é mais energética e apaixonada, enquanto Riko é mais quieta e desajeitada. A mistura das duas, no entanto, se mostra poderosa e, inclusive, faz a própria Riko notar que Mirai faz suas habilidades mágicas melhorarem. Sem dúvida nenhuma a interação entre as duas foi o destaque do episódio e suspeito que será um dos pilares da série.

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Infelizmente, como eu disse acima, não posso dizer que curti bastante o episódio como um todo. Para começar, o vilão, Batty, me pareceu muito pouco ameaçador. Não senti nenhum “senso de urgência” durante o episódio. Nem na parte da transformação, que deveria ser motivada, justamente, por uma situação complicada que as duas estavam enfrentando. Quando as meninas se veem sem opções, o vilão simplesmente fica parado, rindo. Ele não às ataca. Não as coloca realmente em perigo. Pelo menos não em comparação a como muitos antes dele já o fizeram. Um bom vilão faz uma boa série. Sei que Batty é um servo de provavelmente uma vilã maior, mas ele foi o primeiro que vimos e provavelmente ainda o veremos bastante. Por isso, quero ver ele muito mais com um vilão mesmo nos próximos episódios, ou então, as coisas podem ficar chatas, como ficaram um pouco nesse primeiro episódio.

Eu quero comentar um pouco sobre a parte técnica do episódio também. Embora a animação e a direção visual como um todo esteja dentro dos padrões, acho que dava para esperarmos mais se tratando de Precure, uma das franquias de maior orçamento da Toei. No geral, eu fiquei com a sensação de que esse primeiro episódio foi feito às pressas. Muito tempo gasto com cenas estáticas ou que não mereciam tanto tempo de tela, e até a  própria luta foi bem fraca se comparada às de outros primeiros episódios da franquia. Eu sei que numa série longa a qualidade da animação tende a variar drasticamente, mas é de se esperar um cuidado especial com o primeiro episódio. Por outro lado, não quero ser injusto, pois não o visual da série não tá de todo ruim. A cena de transformação, por exemplo, me agradou bastante e o design da versão precure das protagonistas ficou bem legal. Assim como a abertura e o encerramento que, embora aquém de algumas outras que já vi na franquia, estavam com aquela cara de que daqui a alguns episódios não sairão mais da cabeça. Em especial a catch-phrase da série, Cure Up! Rapapa!, que, por si só, já é muito bonitinha.

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Por fim, não tem como não mencionar que a série, claramente, bebe de Harry Potter em diversos de seus conceitos. Harry Potter, sem dúvida, é a principal referência  da cultura pop quando falamos de bruxos, magia, etc, hoje em dia. Mahou Tsukai Precure deixa isso bem claro quando, se já não bastasse ter uma escola de magia que eu acredito fortemente que será baseada em Hogwarts, os caras ainda me botam a travessia para chegar a ela vindo do Mundo Real ser através de uma estação de metrô! Qualquer coincidência à Plataforma 9¾ não é mera coincidência. Outra série que também me veio muito à cabeça, principalmente por eu tê-la assistido recentemente, foi Little Witch Academia, com destaque para as semelhanças entre as personalidades de Mirai e Kagari.

Mahou Tsukai Precure teve um início satisfatório, mas ainda tem que mostrar ao que veio para me convencer a acompanhá-la durante todo esse ano. É possível que tenhamos uma ideia melhor do que a série quer mostrar a partir do próximo episódio, onde a tarefa de mostrar quem são os personagens já não for mais uma obrigação. Se você está pensando em assistir à sua primeira série Precure, eu recomendaria ficar de olho em Mahou Tsukai pela sua temática, mas, por enquanto, não há muito o que dizer.

Não deixem de postar nos comentários o que vocês acharam desse primeiro episódio e o que acham da franquia Precure no geral. Sei que é uma franquia bastante de nicho dentre os otakus ocidentais, mas sei que tem uma galerinha que curte e que lê o Anikenkai.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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