Muito Mundo pra Pouco Mangá – Gigantomachia – Volume Único

Gigantomachia é o nome do grande embate da mitologia grega entre os Deuses do Olimpo e os Gigantes de Gaia… mas também é o nome do mais recente mangá de Kentaro Miura, autor do aclamado Berserk, e que acabou de ser publicado aqui no Brasil pela Panini.

Gin-701x1024Em Gigantomachia, Miura decidiu juntar mitologia grega, teoria da evolução, futuro pós-apocalíptico, império romano e luta livre em sua história. Embora essa mistura possa parecer um tanto instável, o autor consegue fazer dela o ponto forte de seu mangá.

O universo criado por ele é rico e isso faz com que o leitor extrapole do recorte histórico que nos é apresentado nesse volume único imaginando como o mundo chegou até aquele ponto, como é a dinâmica dos habitantes daquele mundo, etc. Entretanto, por mais rico que esse universo seja, o autor decide gastar boa parte das páginas apenas com sequências de luta.

Aí que entramos com a forma de se encarar esse mangá. Se encararmos ele como um divertido mangá de porrada inspirado em mangás shonen dos anos 80, tal qual Hokuto no Ken, ok… dá pra levar, mas sabendo que é um mangá vindo do autor de Berserk e com um universo tão potencialmente rico quanto esse, era de se esperar que ele fosse mais explorado.

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O que temos no entanto é uma série de sequências de lutas, muito bem desenhadas, que fique claro, mas com apenas leves momentos de vislumbre do que está acontecendo no resto do mundo fora delas. No final, fica, infelizmente, parecendo que o autor simplesmente pegou um monte de referência, jogou tudo num só pote e deu só um nozinho entre elas para as fazerem ter sentido juntas de modo a justificar cenas de ação.

Sim, claro que a arte de Kentaro Miura é sensacional, mas não é só de arte que se faz um mangá. Ainda corrobora com essa sensação de “desculpa para cenas de ação” o fato de que o plot do mangá é pobre em si. Botar uma luta entre um império branco inspirado nos romanos contra uma “tribo selvagem” de seres negros evoluídos de insetos não é nem um pouco original, ainda mais quando esses não conseguem se defender sozinhos e precisam da ajuda de um membro rebelde do grupo que está atacando para lutarem.

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O mais triste, como eu disse, é que a ambientação é muito boa e a dinâmica entre Delos e Prome, os protagonistas de Gigantomachia, é muito boa, mas que acabam inseridos numa história não tão boa assim. As coisas ficam corridas e falta substância. Pelo menos a edição da Panini está com uma qualidade muito boa nos permitindo apreciar bem a arte do mangá, o que era de se esperar frente ao preço mais alto do que o padrão da editora.

Se a ideia era só fazer um mangá de porrada divertido com boa arte, ok, mas se assim fosse, pra que criar um universo tão rico e tão mal aproveitado? Era melhor ter ficado só na vibe Hokuto no Ken que, de repente, eu teria gostado mais.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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