O dia-a-dia numa terra sem ninguém: Afterschool of the Earth – Vol. 1

After School of the Earth (aka Chikyuu no Houkago) , novo mangá da editora JBC, traz uma premissa bem simples: narrar o dia-a-dia de um grupo de quatro adolescentes que, por algum motivo, são os últimos habitantes do planeta Terra. Eles precisam começar a plantar, pescar e arranjar o que fazer em um mundo sem pessoas, sem eletricidade e, ainda, com a ameaça de que o que dizimou os habitantes da Terra possa voltar para terminar o serviço. Um slice of life misturado com sci-fi e uma pitada de drama e survival. Uma combinação, no mínimo, curiosa.

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E foi exatamente curiosidade que me impulsionou a ler esse mangá. Nunca tinha ouvido falar dele e nem de seu autor, Akihito Yoshitomi, mas, além da sinopse do mangá, a capa me chamou bastante a atenção. Sim, a capa. Achei ela extremamente divertida. Um grupo de amigos se divertindo como se estivessem na praia, só que eles estão no meio da rua, que por sua vez está alagada e sem ninguém. Além disso, vários móveis de casa estão também do lado de fora como se pertencessem àquele lugar. O mundo é a casa deles, o mundo é a praia deles. O mundo é deles.

Despertado esse interesse inicial, que já me perseguia desde o anúncio do mangá, eu fui ler de fato o mangá e fui tomado por um mixed feeling logo no começo. Eu curto bastante mangás slice-of-life típicos, focados em personagem e onde “nada acontece”, e estava gostando do que estava vendo em Afterschool of the Earth, porém, a repetição de piadas envolvendo peitos e a sensação de que as pessoas estavam estranhamente encarando bem demais aquela situação pós-apocalíptica não me deixavam ver algo além de mediano ali.

DSC03310No decorrer da leitura, no entanto, os personagens começaram a ser mais aprofundados. Começando pelo Matsuda, o único garoto do grupo e o que mais foi aprofundado nesse primeiro volume. A memória da irmã e o breve romance que teve com uma menina antes dos Phantoms — os seres aparentemente responsáveis pelo fim da humanidade — aparecerem, deram um outro aspecto para o personagem que até então era um nada. Justificando até muito da sua postura e da sua vontade em acreditar que todos vão voltar uma hora. Até as meninas, que embora os passados ainda não conheçamos, mostraram, através de conversas e situações, um pouco das suas personalidades, seus medos, seus desejos, etc.

Ainda assim, mesmo com os personagens me agradando mais, a ideia de que era só um trabalho mediano não saia da minha cabeça. Faltava algo. Esse algo resolveu aparece nos dois últimos capítulos dessa edição onde um Phantom aparece e cria uma situação de instabilidade e insegurança para abalar aquele status quo hakuna matata em que os personagens estavam inseridos e que acaba desencadeando um evento que me deu aquela vontade de ver o que vai acontecer a seguir.

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Não vou estragar a surpresa de vocês pois foi um gancho que me deixou muito satisfeito de ler até ali e que mostrou que a história vai ser algo além de só um slice-of-life comum. Tirou aquele gosto de que tinha algo faltando e transformou um mangá até então mediano em algo que provavelmente vai valer a pena continuar sendo lido.

Pode ser que eu quebre a cara e que o mangá não entregue o que prometeu com esses dois últimos capítulos, mas posso dizer que fiquei empolgado. Talvez, como eu estava ficando descrente com a obra, esse twist tenha se mostrado mais impactante, mas independente de qualquer coisa, eu quero ler o próximo volume de Afterschool of the Earth. JBC, lança logo isso aí, por favor.

Afterschool of the Earth já foi encerrado no Japão com 6 volumes e será publicado mensalmente por aqui, custando R$13,90 em formato tankohon (aprox. 200 pgs) e com páginas coloridas.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

After School of the Earth (aka Chikyuu no Houkago) , […]