Avaliação: Kuroko no Basket #01

kuroko0Eu sempre simpatizei com basquete. Mais que isso, desde criancinha nutro uma admiração cega pelo esporte, com certeza por conta das infinitas horas assistindo Space Jam e Kenan & Kel. No entanto, nunca procurei entender melhor esse universo que me fascinava, por um lado devido ao meu absoluto despreparo físico para qualquer esporte; por outro, mera negligência.

Quando Kuroko no Basket foi confirmado, pensei: “é, não tem mais como fugir!”. Pega pelo hype e curiosa em conhecer o tão popular mangá de basquete, estava verdadeiramente ansiosa pelo lançamento. Enfim familiarizada com o mangá, resta uma pergunta a responder: valeu a pena?

Não estou aqui para fazer mistério, então entrego logo meus pontos: eu gostei! Posso ser uma leiga e mal conhecer as regras do esporte, mas quanto ao mangá, consigo afirmar que esse primeiro volume de Kuroko foi plenamente satisfatório!

O basquete japonês é inferior ao americano em todos os sentidos, todos nós sabemos. Taiga Kagami, independente desse fato, está decidido a entrar no clube de basquete de seu novo colégio, o Seirin, mesmo após viver nos Estados Unidos e conhecer o esporte onde se originou. Novas motivações surgem após conhecer Tetsuya Kuroko, um rapaz sem presença alguma e à princípio nenhum potencial, considerado o “6º jogador fantasma” do time do colégio Teiko, onde surgiu a Geração Milagrosa. Diante da chance de jogar contra pessoas muito mais fortes do que ele, Kagami assume a meta de derrotar toda a Geração Milagrosa – o mesmo objetivo do misterioso Kuroko.

Apesar do primeiro volume ser basicamente uma introdução aos personagens e ambientação, o autor consegue encaixar seis jogos (ainda que quatro deles bem rápidos), dando um gás para a leitura. Já ouvi vários comentários sobre como a arte é fraquinha nesse início, o que é pertinente quando comparando com o nível atual do traço do Fujimaki, mas nada que fique atrás da média dos títulos que chegam aqui no Brasil. Pelo contrário, eu diria melhor que muita coisa que compro (sem brincadeiras com o traço do titio Kurumada, ele tem seu charme, vai… rs). Com uma arte bonita, limpa e dinâmica, claro que não foram desperdiçadas as oportunidades de páginas duplas!

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Obviamente, um mangá não se sustenta apenas com uma boa arte (obras do Oh Great! a parte). Quanto à história, alguns pontos me chamaram atenção, em especial o personagem Kuroko. Não é todo dia que vemos um principal tão tranquilo como ele, em que a calma e discrição sejam realmente a base de sua personalidade. Melhorando a situação, essa característica é de fato explorada e influencia em coisas como o estilo de jogo de Kuroko, além de ser importante para várias questões do plot – como alguém tão apagado como ele jogou com a Geração Milagrosa? Como aproveitar sua técnica ao máximo para complementar a agressividade do Kagami e o time como um todo? Poderia ser algo muito raso e bobinho, sendo aproveitado apenas para momentos de comédia, o que felizmente não é o caso. Eu, pelo menos, vi potencial e espero não me decepcionar.

Agora, como de praxe, um detalhe que me agradou muito, mas não sei se é relevante para todos: o mangá não vende nenhuma ideia como “o nosso basquete é incrível!” ou “seremos os melhores!”. Ok, há a Geração Milagrosa com jogadores realmente excepcionais, porém é algo tão improvável de acontecer que o próprio nome denuncia ser um milagre, não dando esperança ao leitor de ver algo assim fora da ficção. Pelo contrário, o mangá diz coisas duras, porém reais, como “o basquete do Japão é baixo demais” e “nem vem com aquele papo de que se esforça e outras frases bonitas, esse esporte exige um talento natural”. Como alguém inapto a praticar qualquer esporte, eu realmente me sentiria ofendida se o mangá passasse a mensagem contrária, de que tenho chance como qualquer um. Eu só quero ler um mangá legal de basquete, e é isso que Kuroko no Basket promete me dar. E vocês, o que acharam do mangá?

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Sobre Clara

Sou apaixonada por quadrinhos desde que me entendo por gente, mas desenhar tem espaço no meu coração há mais tempo ainda. Nas horas vagas, costumo ler, assistir anime e fingir que toco piano. Quando não estou tendo pesadelos, estou sonhando com as figures que nunca terei. </3

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