Review: Mobile Suit Gundam

gundam0079Tendo acabado de terminar Mobile Suit Gundam (Gundam 0079), ainda tenho cada cena do anime bem fresca em minha memória. Lembro perfeitamente de quando dei início no primeiro episódio e fui bombardeada com a abertura mais brega do mundo, que logo vim a amar terrivelmente, assim como os personagens e todo universo de Gundam.

Além de uma review, esse post é também um reflexo da minha admiração por este anime. Logo nos primeiros episódios me envolvi de tal maneira que, enfim tendo concluído seus 43 episódios, é como se estivesse sem chão. Sem dúvida alguma, a franquia Gundam me ofereceu mais que esperava, mesmo com alta expectativa!

A história se passa no ano Universal Century 0079, meio século após a humanidade começar a migrar para colônias espaciais. A mais distante da Terra, Side-3, proclama-se Principado de Zeon e declara guerra à Federação da Terra, buscando sua independência. Após um início de guerra desolador para ambos os lados, oficializa-se um armistício, mas sem impedir o desenvolvimento de novas armas de guerra – e é assim que a narração começa, com a invasão de Side-7, lar do jovem Amuro e então local onde as armas secretas da Federação estavam escondidas, pondo um fim ao acordo de paz momentânea.

Filho de um engenheiro militar, Amuro já nutria paixão por mecânica desde pequeno. Quando a colônia em que vivia foi invadida por Zakus que perseguiam o Trojan Horse, um portador de mobile suits da Federação recém-chegado a Side-7, seu hobby facilitou sua primeira luta com o Gundam, mas só isso não bastava. Inexperiente, o rapaz apenas sobreviveu ao combate contra o talentoso Red Comet devido ao poder bélico do Gundam, porém em meio ao desespero da evacuação da população de Side-7, ele se torna uma peça chave para a defesa do Trojan Horse e outros refugiados como ele.

Durante a parte inicial da série, basicamente acompanhamos os esforços da tripulação do Trojan Horse, um misto de militares e civis, em sobreviver às ofensivas de Char, o Red Comet. Achei realmente interessante ver a reação de cada personagem diante da situação de guerra, em especial dos civis. Sob as ordens do jovem oficial Bright Noa e do próprio instinto de sobrevivência, verdadeiros heróis surgem em meio a toda hostilidade da guerra, cada um adotando a posição que melhor lhe cabe: Amuro, Kai, Hayato e Ryu como pilotos dos mobile suits, Mirai e Sayla ajudando na sala de comando e, por que não?, Fraw Bow cuidando do bem-estar de todos instalados na nave (além de personagens mais secundários).

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Conforme sai vitorioso de diversas batalhas, o Trojan Horse ganha fama não apenas entre os inimigos, mas também entre os militares da Federação. Mesmo quando enfim chegam à Terra e recebem reforços, não há descanso para a tripulação do Trojan Horse, que se torna para Zeon um alvo importantíssimo a se destruir, vide o estrago que os três mobile suits (Gundam, Guncannon e Guntank) da Federação causaram aos seus Zakus. Comparando a nossa realidade, os Zakus seriam como os T-34 da União Soviética: eficientes, porém em um combate individual não são páreo para um Tiger alemão, o tanque mais resistente e com maior capacidade bélica da WWII.  “O Mobile Suit deles não é como essas máquinas baratas produzidas em massa.”, confessa Char a sua própria tripulação em um dos episódios da série.

Quando restam na nave apenas os que se comprometeram com o dever militar, mudando de civis envolvidos na situação de guerra para verdadeiros membros ativos da mesma, as baixas no lado inimigo já eram surpreendentes. Tais mortes impactaram profundamente Amuro, o principal responsável por elas, que ainda não estava plenamente em paz em assumir a função de soldado. Um dos episódios que mais gostei, sem dúvida alguma, foi o que mostrou Amuro de fato se tornando um soldado: o momento em que teve de escolher entre a família e o que ele sabia que precisava  fazer. Após anos sem ver o rosto da mãe, o reencontro de ambos trouxe alegria, mas também foi duro. Amuro perdeu a mãe quando criança, quando ela se negou a viver com ele e o pai em Side-7; e a perde mais uma vez, agora já quase um homem feito, pois ela se recusa a aceitar que seu filho seja capaz de matar outras pessoas, mesmo que seja a única opção para sobreviver. Não sei se o que eu enxerguei foi um pouco demais nesse episódio, mas achei sensacional o impacto da família para a formação de Amuro como homem e soldado. Com o pai, ele aprendeu a valorizar as máquinas e o desprendimento, com a mãe, a não se submeter ao medo, que a resposta para a liberdade está em suas mãos.

5banimepaper-net5dpicture-standard-anime-mobile-suit-gundam-gundam-guncannon-guntank-169523-haseosora-preview-dfdaec98 “Precisamos terminar com essa guerra… por isso devemos lutar.” – Amuro

Claro que Gundam é sim robôs gigantes sendo irados, vibrar a cada combate e inimigo derrotado, mas a humanidade da história é também extremamente importante – não apenas para caracterizar os personagens e suas relações, mas também para o rumo da guerra. Em vários momentos as motivações pessoais de cada personagem entram em conflito com suas obrigações militares, resultando até mesmo em oficiais do mesmo lado se sabotando, mas também ocorreu de aumentarem ainda mais o gosto pelo dever. Gundam me surpreendeu com um leque extenso de personagens interessantes, alguns verdadeiras fontes de inspiração (Ramba <3 Ral).

Como eu disse no início do post, minhas expectativas eram altas por se tratar da origem de uma franquia de tanta importância, mas eu não esperava que fosse concluir o anime tão satisfeita. Batalhas legais, mobile suits lindos, personagens super carismáticos e uma história que me conquistou completamente. Estou dizendo que não vi defeito nenhum em Mobile Suit Gundam? Não que seja propriamente um defeito, mas eu confesso que o detalhe dos newtypes não me agradou. rs  Ainda assim, nada a reclamar! Gundam foi prazeroso do início ao fim, espero que essa review também tenha sido e estimule quem ainda não deu chance à série a procurar os episódios. SIEG ZEON! (e até a próxima! rs)

Sobre Clara

Sou apaixonada por quadrinhos desde que me entendo por gente, mas desenhar tem espaço no meu coração há mais tempo ainda. Nas horas vagas, costumo ler, assistir anime e fingir que toco piano. Quando não estou tendo pesadelos, estou sonhando com as figures que nunca terei. </3

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