Sankarea #01 e apresentação de novo redator!

Olá, pessoal!

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Meu nome é Clara, a partir de hoje irei contribuir com alguns posts aqui para o Anikenkai.  Estou bem contente em entrar para essa equipe, torço para que gostem dos meus textos tanto quanto sentirei prazer em escrevê-los. E por que não começar falando de Sankarea, o lançamento de Março da Panini?

Logo nas primeiras páginas somos apresentados a Chihiro Furuya, um otaku aficionado por zumbis, e Rea Sanka, a filha do diretor do prestigiado colégio Sanka para meninas. Sem nenhuma razão aparente para que haja interação entre eles, o acaso faz seu papel em aproximar os personagens, mas no caso desse mangá de maneira bem singular.

Gostaria de dizer logo de cara que sempre fiz questão de passar longe de  qualquer coisa relacionada a zumbis, mas Sankarea me conquistou de tal forma que eu precisei parar e refletir, e por isso estou aqui agora falando sobre ele. A arte é bem atual e limpa, bem agradável mesmo, mas o design não chama a atenção em nenhum dos personagens em especial – o que, sendo um ecchi, deveria ser prejudicial, mas acaba não prejudicando em nada o mangá. Indo além do apelativo, optando por designs comuns, Sankarea me surpreendeu com o foco dado neste primeiro volume à caracterização dos personagens.

Apesar de colocar seus personagens em funções bem recorrentes nesse gênero (a ojou-sama,  a irmãzinha, etc.), cada um mostrou bastante personalidade logo nesse primeiro volume. Começando pelo Furuya, devo confessar que eu já o considero um dos melhores protagonistas que já vi pela seguinte razão: apesar de ser um otaku de carteirinha, ele é extremamente pró-ativo e transmite firmeza, características que raramente vemos juntas em um personagem. Sincero e muito engraçado, sua relação com os outros é bem divertida de acompanhar. Já a Rea, que poderia ser só mais uma riquinha bonita, se mostra moe na medida certa, acompanhada de um background interessante. Tendo sido criada em uma família tradicional e muito rígida (me limitarei a isso para não correr o risco de spoilers…), a menina nos conquista com sua sensibilidade e desejo de viver livremente. Adorável e obstinada, forma uma dupla perfeita com o Furuya.

Neste primeiro volume, basicamente vemos como a relação de ambos se consolida. Como falei no início do post, é o acaso que aproxima os protagonistas. Inspirado por seu hobby e amor por zumbis, todas as noites Furuya tenta reviver seu gato Babu, que morreu recentemente em um acidente. Por se tratar de uma área mais à parte da movimentação do bairro, o local se torna o refúgio também de Rea, para segredar suas frustrações e desejos ao nada – ou pelo menos era o que ela imaginava fazer, até que descobre que Furuya já a escutou desabafando mais de uma vez. Logo que se vêem compartilhando segredos, a cumplicidade e até mesmo amizade entre eles começa a se desenvolver, de maneira bem natural e divertida.

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Além de nos familiarizar com os protagonistas, o autor também é feliz com a apresentação do contexto familiar de ambos. Inserindo as personagens em situações no presente da história, ao invés de limitar-se a expor as impressões e sentimentos de Furuya e Rea acerca de suas famílias, somos permitidos a tirar nossas próprias conclusões sobre essas pessoas. Assim como os personagens principais, os coadjuvantes também conduzem a história de maneira ativa, fazendo parte dela e ao mesmo tempo tendo características próprias bem definidas. Desta maneira, é possível perceber cada um dos familiares de nossos protagonistas de pontos de vista diferentes deles mesmos, o que eu achei ter enriquecido bastante a leitura – tanto no sentido de ver um leque maior de personagens sendo trabalhados, quanto de perceber no que as ações e personalidades de cada um influencia na história dos demais.

Para exemplificar o que estou dizendo, vou apontar duas figuras importantes nesse volume: a Prima e o Pai.  Se por um lado temos a prima do Furuya tendo uma relação descontraída com ele, verdadeiramente carinhosa e próxima, respeitando seu amor por zumbis e até mesmo procurando compreender (pedindo DVDs emprestado, etc.), do outro vemos o pai, invasivo e superprotetor de Rea, obcecado pela filha. Tais relações, tão explícitas no mangá, não só ajudam a justificar a personalidade/situação dos protagonistas, mas também nos permite refletir sobre a importância da família na percepção da realidade e como a construímos para nós mesmos. Durante minha leitura de Sankarea, não poucas vezes me encontrei questionando como seria ter um daqueles personagens como parte de minha família, por representarem impactos tão opostos. Assim também como me vi questionando certas ações tomadas pelos protagonistas em diversos momentos, não pela lógica, mas pelo sentimento por trás delas – então eu me dava conta: Ah. Mas o estranhamento é saudável, não é como se eu fosse eles.

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Enfim, para não me alongar mais ainda nessa questão, posso concluir que sim, Sankarea tem história. Não só mais história do que eu esperava de um mangá ecchi, mas também personagens interessantes, uma arte simpática e muito carisma! Desconstruindo meu preconceito de que ecchi voltado para homens envolvia situações necessariamente forçadas, ou até mesmo desagradáveis (dependendo do nível de pudor da pessoa, claro), Sankarea se mostrou uma leitura bem fluida e agradável. Recomendo para os já adeptos do gênero e também para quem, assim como eu, nunca tinha dado uma chance! No mínimo, dá para tirar umas boas risadas e aproveitar o moe das meninas da história.

Fico no aguardo pelas opiniões e impressões de vocês! Se possível, comentem sobre o que acharam do texto em geral também, é minha primeira vez aqui  e estou curiosa pela recepção de cada um que acompanha o blog, sejam críticas positivas ou negativas. See ya!

Sobre Clara

Sou apaixonada por quadrinhos desde que me entendo por gente, mas desenhar tem espaço no meu coração há mais tempo ainda. Nas horas vagas, costumo ler, assistir anime e fingir que toco piano. Quando não estou tendo pesadelos, estou sonhando com as figures que nunca terei. </3

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