Wake Up Girls! – Review Final (sem spoilers)

Idols são histórias. 

Wake Up Girls terminou semana passada e deixou saudade, mais até do que eu achava que deixaria. O que, a princípio, pode parecer apenas mais um anime de idols comum se mostra algo muito maior e bem mais interessante de se acompanhar.

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Mas o que fez WUG se destacar dos demais? Essa é a pergunta que eu quero responder com esse review. Afinal, convenhamos que uma série sobre um grupo de meninas querendo se tornar idols não é a coisa mais original do mundo e tem tudo para ser mais um entre tantos.

Para começar, eu acho que um grande diferencial desse anime é a razão pela qual ele existe. O projeto Wake Up Girls não é só para criar um anime para contar a história dessas meninas, mas sim criar algo inspirador e divertido como uma forma de entreter e motivar os japoneses após o grande terremoto e o subsequente tsunami de Touhoku. Essa razão fica clara em diversos aspectos da série, desde o fato dela se passar em Sendai, uma das cidades mais atingidas pela tragédia, até à escolha das dubladoras. Todas vêm da região de Touhoku e tiveram suas vidas afetadas, de alguma forma, pelo terremoto. Além disso, assim como as personagens que dublam, e às quais emprestam seus primeiros nomes, são iniciantes na área, o que cria um paralelo muito legal entre realidade e ficção. Enquanto as meninas evoluem na série, suas dubladoras também o fazem no mundo real.

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Esse é um outro aspecto a se observar em Wake Up Girls. O tom da série, apesar de ser focado em divertir quem está assistindo, não é todo colorido e feliz. O anime se propõe a mostrar também um pouco da realidade por trás desse meio. Isso fica claro desde o filme que serve como “episódio zero” da série em um diálogo em que as meninas dizem que vão “presentear”, com o não-uso de proteção para não mostrar as calcinhas, os fãs que vieram prestigiá-las mesmo com o frio que estava fazendo na ocasião. Não pense que isso é só fanservice sem sentido. Muito pelo contrário. Faz todo sentido dentro daquele contexto. Se quiserem outro exemplo, a presidente da agência faz questão de perguntar se todas ali são virgens antes de ouvir qualquer outra coisa que elas tenham a dizer, característica essa considerada fundamental para prosperar nesse meio.

Para embalar toda essa proposta, temos um roteiro muito bem executado e personagens bem desenvolvidos no decorrer de seus 12 episódios. Um grupo de meninas, cada uma com sua própria personalidade, mas sem ser exagerado, e agindo bem de acordo com suas idades (que variam de uns 13 a 18 anos, se não me engano). As personagens ali nos passam a impressão de que poderiam existir de verdade. São pessoas comuns, que tem suas peculiaridades e defeitos como todos nós.

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O efeito disso está no fato de que somos pegos torcendo para as personagens desde o começo. Ficamos desconfortáveis quando vemos situações como elas serem forçadas a fazer trabalhos vexatórios por causa de um produtor cretino ao mesmo tempo que ficamos felizes quando algo de bom acontece com elas, tal qual participarem de festivais e conseguirem cantar bem uma música que treinaram bastante.

E já que entramos nesse assunto, a música de Wake Up Girls também colaboram para a qualidade geral da série. Foram umas três ou quatro no total, incluindo abertura e encerramento, e todas podem ser consideradas bem boas e até com bastante personalidade.wug_03

Mas não, esse não é um anime perfeito. Infelizmente o baixo orçamento fica evidente em alguns momentos da produção onde a animação fica bem abaixo da média. Por sorte todos os outros elementos da série sustentam essa falha.

Wake Up Girls foi bem escrita e executada, além de conseguir passar sua mensagem de apoio e incentivo ao pessoal da região de Touhoku. A série consegue se destacar das demais de seu gênero trazendo boas personagens, uma boa história e todo esse paralelismo com a realidade que faz com que tudo aquilo ter um significado para nós que estamos assistindo.

Wake Up Girls está disponível para ser assistido no Crunchyroll com legendas em português.

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Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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