Kaoru Kurosaki fala sobre si, Watsuki, Eiichiro Oda e mais no Rio

Eu sei que o texto ficou um pouco longo, mas acredito que vocês vão gostar. Leiam até o final! =)

kaoru_rurouni-kenshin001

Fila longa no calor senegalês que fazia no Rio de Janeiro.

Numa tarde de bastante calor no Rio de Janeiro, fãs lotaram o auditório do Centro de Tecnologia da UFRJ para a palestra de Kaoru Kurosaki, Durante cerca de duas horas e meia a palestrante falou bastante sobre o processo de se fazer mangás, seu trabalho enquanto roteirista, sobre seu marido, Nobuhiro Watsuki (autor de Rurouni Kenshin), e deixou escapar até uma curiosidade sobre Eiichiro Oda (autor de One Piece), que cairia muito bem na coluna “Curiosidades Level Master” do XIL. O Anikenkai esteve lá para ouvir atentamente a tudo e passar para vocês!

Se vocês leram o post do Gyabbo sobre como foi a palestra lá em Manaus, já devem saber do que ela tratou. Ela pouco variou do que apresentou por lá, mas eu não consegui ver tanto um apelo a tentar promover “o manga enquanto mídia para instigar a curiosidade nos brasileiros presentes para conhecerem melhor o país e a língua japonesa” como observou meu colega de Portal Genkidama. Foi algo bem centrado na produção de mangás mesmo e principalmente de Rurouni Kenshin.

1013303_1462582097293451_2050532411_n

Da esquerda para a direita: vice-consul do Japão no Rio de Janeiro, Intérprete, Kaoru Kurosaki, Vice-diretor da COPPE-UFRJ.

Uma observação sobre a palestra do Rio é que o intérprete não foi o mesmo de Manaus. A cada cidade a Fundação Japão, que organizou o evento em parceria com os Consulados do Japão em cada região além da própria UFRJ, escolhem intérpretes locais para traduzir a palestra para o português. Infelizmente, não se pode ver por aqui a tal “boa química” entre palestrante e intérprete que o Denys disse ter acontecido em Manaus. Apesar da competência da intérprete, parece que faltou um pouco de conhecimento do que ela estava falando sobre para que a tal “química” pudesse se estabelecer além de algumas referências que a Kaoru usava e que passavam despercebidas para quem não conhecia um pouco de japonês.

Porém, no geral, a apresentação principal foi bem boa e bastante informativa. Nós pudemos conferir sobre como uma pessoa pode se tornar um mangaká (pelos famosos concursos promovidos pelas revistas), além do processo de criação de uma nova história (sempre ilustrada usando referências a Rurouni Kenshin) e também da adaptação de um roteiro para anime e para mangá. No caso desse último, vale falar um pouco mais.

Achei extremamente interessante a maneira como tudo foi apresentado etapa a etapa. Ela ilustrou as explicações com uma livro lançado por ela em 2012 no Japão que reconta a história de Rurouni Kenshin. Primeiro ela apresentou como o texto do livro foi passado para mangá. Para isso, ela apresentou o original e um name (um esboço) feito por Riichiro Inagaki (criador de Eyeshield 21) para uma determinada passagem e o comparou com um name que ela mesma desenhou. Foi bem interessante ver como a percepção de um mesmo roteiro muda de um artista para o outro. Por isso que muitas vezes o roteirista faz num name antes de entregá-lo ao seu desenhista. Tudo isso depende de como é a relação entre eles no fazer da história.

Foi interessante também ver como a cena foi também adaptada para anime, em um storyboard feito por Masahiro Ando (diretor de CANAAN). É bem curioso ver como em diferentes mídias a mesma cena é abordada de maneira tão diferente. Assim como o Denys também notou, eu consegui ver o logo da P.A. Works no storyboard da cena. Há grandes chances de vermos um anime novo de Kenshin pintando em breve. Tenho que me lembrar de apostar no Anime Bingo.

Kaoru fala sobre o processo de criação de um mangá

Kaoru fala sobre o processo de criação de um mangá

Mas o melhor ainda estava por vir. Após a apresentação principal, bastante focada em seu trabalho e em sua parceria com Watsuki, Kaoru abriu para perguntas.

Tivemos a já esperada “qual seu personagem favorito”, que a roteirista respondeu igualmente o fez em Manaus (era Hajime Saitou, mas agora é o Hiko Seijuro, mestre de Kenshin) inclusive estendendo para qual seu anime favorito no momento (Shingeki no Kyojin). Em seguida, usou uma pergunta sobre Super Campeões para agradecer ao Brasil porque o seu passado vivendo em nosso país foi um diferencial para ela ser mais cotada para roteirizar o anime.

Eu já estava descrente que conseguiria fazer uma pergunta quando anunciaram que seria a última. Levantei a mão e com a ajuda de colegas de faculdade e de alguns leitores do Anikenkai que estavam na plateia consegui com que o microfone viesse para mim. Não decepcionei e fiz uma pergunta que fez o auditório gostar e aplaudir bastante (confesso que fiquei um pouco sem graça, rs).

Olha só eu aí...

Olha só eu aí…

“Watsuki já disse que queria realmente ter matado a Kaoru no mangá, e não revivê-la depois como foi feito. É sabido também que o seu relacionamento com ele se desenvolveu bastante na época em que ele escrevia o mangá. Pergunto então se o seu relacionamento com o Watsuki influenciou, de alguma maneira, o tratamento dado à personagem e à sua evolução na série, além do crescente interesse romântico do Kenshin por ela”.

Depois de ver a reação do público à pergunta. Ela respondeu em meio a risadas que na época em que a suposta morte da Kaoru aconteceu muitos amigos dela e do até então namorado perguntaram se estava tudo bem com eles, se tinham brigado ou coisa do tipo. Ela disse que sabia que ela iria reviver, mas não queria estragar a brincadeira e acabava mudando o rumo da conversa. Isso acabou gerando alguns boatos sobre a relação dela com a personagem Kaoru. No entanto, ela fez questão de frisar que não há relação. Ficção é ficção e realidade é realidade.

Porém, ela não parou por aí e graças à pergunta, decidiu fazer um bloco inteiro novo e inesperado para falar de como conheceu Watsuki e de seu relacionamento. Aqui a coisa ficou bem descontraída e divertida.

Kaoru disse ter conhecido Watsuki na festa de 25 anos da Shonen Jump (hoje a revista já está com 46) e que tudo começou porque ambos gostavam de romances de época e filmes de época e falaram bastante sobre o Japão antigo naquela festa. Desde então sempre que o Watsuki queria falar com alguém sobre o assunto, ele falava com ela. Foi inevitável que, como ele já estava trabalhando em Rurouni Kenshin, a chamasse para colaborar mais e mais. O relacionamento avançou, mas eles só se casaram depois de Buso Renkin ter terminado, ou seja, cerca de 10 anos depois de terem se conhecido. É nesse ponto que ela abriu um parêntese e soltou uma curiosidade sobre um amigo próximo do casal… ninguém menos que Eiichiro Oda, autor de One Piece.

Oda havia trabalhado como assistente de Watsuki e ambos ficaram grandes amigos. Quando Kaoru e Watsuki fizeram comentários de que estavam pensando em se casar, o amiguinho Oda simplesmente manda um “A é? Então vou casar também.” e é por isso que tanto Watsuki quanto Oda se casaram na mesma época. O engraçado do fato foi graças à fama de Oda de ser um cara que trabalha tanto que não tem tempo para “coisas além de mangá”, como sua esposa, a modelo Chiaki Inaba, que conheceu poucos anos antes. É curioso ver que ele simplesmente “se lembro que tinha que casar” graças ao casamento do amigo. Esse Oda…

Claro que o público adorou essa pequena curiosidade e aplaudiu bastante a palestrante quando esta anunciou o encerramento da palestra.

Fiquei bem satisfeito e feliz de podermos ter a oportunidade de irmos a palestras como essas aqui no Brasil. Que a Fundação Japão veja o sucesso que promoveram e tragam mais e mais personalidades do universo dos mangás para nosso país. Infelizmente, não houve oportunidade para tirar fotos com a Kaoru ou pedir autógrafos, o que deixou alguns presentes frustrados, mas a qualidade do conteúdo apresentado e o pequeno fanservice no final fez o público sair satisfeito.

Auditório lotado!

Auditório lotado!

Termino agradecendo a todos os leitores do Anikenkai que vieram falar comigo e ainda me ajudara a conseguir fazer a pergunta. Para aqueles que estavam lá mas não foram falar comigo. Falem da próxima vez!

Espero por próximas!

Fotos alternam entre arquivo pessoal meu e fotos pelo Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

Eu sei que o texto ficou um pouco longo, mas […]