Gundam Build Fighters – Primeiras Impressões

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As vezes a gente assiste a um anime e pensa “nossa, esse desenho poderia estar passando tranquilamente nas TVs aqui do Brasil”. Aí logo a gente arruma um motivo pra falar “não, acho que não”. Bem, isso não aconteceu com Gundam Build Fighters. Só faltaria um único detalhe, que eu deixarei para comentar ao final do post.

Bem, pegue Yu-Gi-Oh!, adicione um pouco de Medabots e insira no universo Gundam. O que você tem? Gundam Build Fighters! Em um futuro próximo, o Gunpla, modelos plásticos em miniatura dos famosos robôs da franquia Gundam, ganharam fama mundial depois da invenção das partículas Plavsky, que tornam estes modelos plásticos de se moverem em ambientes holográficos tridimensionais. Essa nova tecnologia criou uma nova maneira de se usar seus Gunpla, que antigamente eram só para exposição. Agora, pessoas do mundo todo se esforçariam para criar os melhores Gunpla e colocá-los em batalhas contra os robôs de outros jogadores, cujos poderes são determinado por quão bem feito é o modelo. Ou seja, para se ter bons resultados, é preciso ter habilidade para montar seus Gunpla da melhor maneira possível.

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É nesse universo que conhecemos Iori Sei, um menino que adora Gunpla e faz belíssimos modelos. Infelizmente, ele não consegue lutar muito bem pois não tem a habilidade necessária para encarar o campo de batalha. Por mais poderosos que sejam seus robôs, de nada adianta se ele não conseguir controlá-los. Isso o deixa muito frustrado pois seu pai foi um excelente jogador de Gunpla Battle (como eles chamam essas “nova modalidade”) e ele não consegue se igualar. Sem poder contar com a ajuda do seu pai, aparentemente agora morto, ele tem que se contentar em montar modelos lindíssimos e cuidar da loja de Gunpla com sua mãe.

Porém, sua vida parece encaixar no rumo certo quando ele conhece Reiji, um menino meio doido e que parece vir de outro país. Iori tira Reiji de uma enrascada e este fica em dívida para com ele. Reiji diz que quando Iori precisar, era só chamar. O que ele não esperava é que Reiji iria aparecer no meio de uma Gunpla Battle assumindo os controles e vencendo a batalha, mostrando incrível destreza nos comandos.

Iori decide então se juntar a Reiji para juntos entrarem no Campeonato Mundial de Gunpla Battle. Iori como montador e Reiji como jogador! Porém, o estranho menino ainda é envolto de muito mistério. De onde veio tanta habilidade? E, principalmente, de onde ele veio?

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Quando eu terminei de assistir ao primeiro episódio, de maneira tardia já que já saíram quatro na data em que este post está sendo publicado, e os outros em seguida (aguardem comentários sobre eles no post de análises semanais) eu me senti incrivelmente bem. Ele segue uma formula clara, que é a de capturar sua audiência alvo, as crianças, colocando brinquedos que elas podem comprar em qualquer loja num nível ainda mais alto, fomentando a imaginação das mesmas. Yu-Gi-Oh! fez isso dando vida a um simples card game, Pokémon fez a mesma coisa dando com e vida ao jogo, Beyblade seguiu a mesma linha colocando um jogo de pião em um nível épico.

Claro que o intuito de tudo isso é vender mais produtos. Porém, se tem uma coisa que eu invejo na animação japonesa é essa capacidade de fazer animes com um forte intuito comercial serem estupidamente interessantes e divertidos. Gundam Build Fighters só reforça essa ideia. Esse tipo de anime trabalha com o imaginário infantil de uma maneira muito legal, dando asas a imaginação das crianças e “dando vida” ao que se passa na cabeça delas quando elas brincam com bonecos, por exemplo.

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A franquia Gundam tem feito claros investimentos em renovar o seu público, como vimos em Gundam AGE, e essa nova investida com Gundam Build Fighters pode se tornar ainda mais frutífera.

Lembremos que o Gunpla foi, se bobear, o maior responsável pela sobrevida da franquia. Quando a primeira série foi cancelada, lá no final dos anos 70, foi o Gunpla que nos anos 80 deu grana para que outras séries pudessem ter sido criadas. Porém, como nós sabemos, esse público cresceu, mas não se renovou. É chegada a hora de renovar e com a temática abordada em Gundam Build Fighters, há grandes chances das crianças se interessarem por Gunpla e posteriormente pela franquia Gundam, fazendo como que um caminho reverso do que foi feito lá nos anos 70-80.

Eu acho isso tudo muito válido e louvável, até porque, como eu disse, o anime é interessante. Eu sou um entusiasta do Gunpla e fiquei bem animado com o anime. Espero que eles deem dicas de montagem! Já comprei dois novos modelos (básicos pois não to com tanta grana no momento) só pelo hype da série, imagina com a criançada!

Independente se você é moleque ou burro velho. Dê uma chance a Gundam Build Fighters, pode ser que você goste e, quem sabe, até se empolgue com Gunpla. Se ela já fez algo de positivo, é me motivar a voltar com a série Diário de Bordo Gunpla aqui no Anikenkai!

Ah, e sobre o que eu falei no começo… a coisa que faltaria para Gundam Build Fighters poder ser um sucesso na TV brasileira, se vocês ainda não perceberam, é que as lojas de brinquedos começassem a vender Gunpla. O que dificilmente vai acontecer, então…

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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