Review Semanal: Genshiken Nidaime – Ep. 03

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Olá, queridos leitores! Está na hora de mais um 2738º  “o episódio de Genshiken dessa semana foi interessante”! E, pauta temos a situação do Madarame atualmente tendo visto todos os seus amigos se graduarem e ficando ainda preso, de alguma forma ao Genshiken e a uma certa pessoa.

Mas antes disso, vamos falar novamente da roteirista Michiko Yokote que fez exatamente o que eu previ no episódio anterior, ela está, de fato, reorganizando a ordem em que acontecimentos são mostrados para melhorar a adaptação para a nova mídia.

Semana passada nós tivemos um episódio que cobriu ao mesmo tempo eventos do capítulo 58, 59 e 60. Nesse, nós temos o resto do importantíssimo capítulo 59 (a conversa do Madarame e da Keiko, irmã do Sasahara) assim como foi mostrado o que aconteceu no capítulo 61 (as cenas do Madarame com o Hato). Então até esse momento já foram cobertos seis capítulos em três episódios. Um excelente número, principalmente se considerarmos a fluidez com que tudo vem acontecendo.

Como dito, isso é mérito da Michiko Yokote e eu faço questão de frisar o excelente trabalho que ela vem fazendo pois é raro vermos  roteiristas tão comprometidos em adaptar tão bem uma obra. Ela busca manter a essência da história sabendo que é uma mídia diferente e que se comporta de maneira diferente no que tange a narrativa. Mas agora vamos falar de fato no que aconteceu nesse episódio…

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Mais uma vez a história se auto-referencia e leitores do mangá imediatamente conseguiram associar a cena de Keiko segurando a gravata de Madarame à cena no mangá que, por sua vez, também foi uma referência a algo que aconteceu na primeira série, como podem ver na imagem acima. Um easter-egg. Kio Shimoku adora fazer essas auto-referências e nesse início de segunda fase elas são mais presentes. Um mix de felicidade do autor por estar escrevendo aquilo de novo e um presente para os fãs por terem dado apoio a obra.

De qualquer forma, essa cena é extremamente relevante para a história. Temos aqui um momento em que Keiko assume um papel bastante ofensivo frente ao inatismo do Madarame. Ele claramente sente falta dos amigos, de como o clube era antes e dos momentos legais que passaram juntos, mas está acomodado em um trabalho que não o deixa feliz, mas o pior de tudo é que não faz nada para mudar. Ele continua preso ao Genshiken, só que ainda tem um motivo ainda maior por trás de tudo isso: Saki.

Ele gosta da Saki e todos sabem disso. Keiko faz questão de jogar isso na cara dele. Ao mesmo tempo que Madarame não tinha ideia de que os outros sabiam (tirando a Ohno que deu as fotos que aparecem ao final do episódio para ele). Esse momento de quebra da “zona de conforto” foi especialmente bem tratado no anime. Dava para ver como Madarame estava nervoso. Uma sensação que poderia passar despercebida dependendo da maneira como a pessoa lê a cena no mangá.

É interessante observar, no entanto, o que motivou a Keiko a falar tudo isso para o Madarame. Podemos pensar que foi para tentar ajudá-lo, de fato, por perceber quão miserável ele estava se tornando, mas eu não consigo ser tão “inocente”.

Para quem não conhece, a Keiko começou a andar mais com o pessoal do Genshiken depois que ela conheceu Kousaka, namorado da Saki. Ela adorou o garoto bonitinho e ficava se mostrando pra ele, logo recebendo um fora de Saki. Ela chegou, inclusive, a se matricular na faculdade e se afiliar ao clube só para ficar perto dele (por isso ela diz que é membro nesse episódio). Então, por mais que ela diga que já não tem interesse no Kousaka, que seguiu adiante, eu ainda acho que ela tem. E se Madarame roubasse a Saki pra ele, ela teria caminho livre para ficar com o Kousaka. Claro que isso pode não ser algo consciente, mas conhecendo a personagem e sabendo que de “inocente” ela não tem nada, não consigo deixar de pensar dessa forma.

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Porém, além de Madarame, outro personagem que passamos a conhecer melhor nesse episódio foi o Hato… mais precisamente, nós conhecemos o alter-ego feminino, peladão, flutuante e transparente de Hato. rs.

Acontece que, como ele mencionou no episódio anterior, ao fazer crossdressing ele pode ver sua situação “de fora”, de modo a criar toda uma fantasia fujoshi em torno dessa atividade. Esse hábito se “materializa” na forma desse “fantasminha”. Mas que fique claro que isso acontece apenas na cabeça dele, ou vai ter gente achando que Genshiken virou uma série de fantasia ou sobrenatural. rs.

O interessante dessas cenas foi ver como funciona, mais ou menos, a cabeça de Hato. É engraçado ver ele discutindo com seu alter-ego, principalmente no que tange a tomar algumas atitudes mais enfáticas para o lado yaoi da coisa. Sendo que muitas vezes é o alter-ego que ganha essas discussões, sendo uma pessoa bem mais extrovertida e ativa, em oposição ao lado mais introvertido e passivo do Hato.

Mas o mais curioso de tudo é que sim, cria-se uma tensão sexual entre Hato e Madarame, principalmente quando este o encontra vestido de mulher em seu apartamento. Madarame está num momento emocionalmente instável e quando Hato está vestido de mulher ele praticamente não consegue associá-lo a uma figura masculina. Situações constrangedoras são criadas em consequência disso, tanto que o próprio Madarame percebe e se pergunta o que diabos estava fazendo, quando Hato vai embora.

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É uma interação bem diferente de quando Madarame encontra Hato ainda vestido como homem em seu apartamento. É o momento da bro-talk entre os dois, sendo esta é a primeira vez que eles de fato puderam interagir de “homem para homem”. Madarame sente essa necessidade de conversar com “um dos poucos homens do grupo atual de membros”.

Engraçado como aqui ele trata o Hato como homem mesmo. É uma completa oposição à forma quando ele o trata vestido de mulher. É como se na cabeça do Madarame fossem duas pessoas completamente diferentes. Claro que as coisas não são tão simples assim. O próprio Hato decide tomar a liberdade e falar para Madarame que não é gay, apesar de que eu acho que isso ainda vai dar o que falar.

Só que é nesse momento que as fujoshis começam a surtar pois Madarame entende o fato de Hato não ser gay e ter o crossdressing como um hobby. O alter-ego de Hato surta e cria-se sim uma situação com forte tensão yaoi entre os dois em que fantasias dos mais diversos tipos começam a rolar na cabeça de Hato.

Porém, tudo isso termina com uma chamada de volta à realidade quando Hato descobre que Madarame gosta é da Saki, uma mulher, ao encontrar as fotos escondidas.

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Eu acho engraçado como tem pessoas que ficam incomodadas com os rumos que a série vem tomando e eu as entendo. Sim, Genshiken Nidaime tem um “clima” diferente da primeira fase. As temáticas são claramente diferentes e isso cria um certo desconforto. Mas eu já vejo isso de outro ângulo.

Para mim, Kio Shimoku encerrou a história de Genshiken com os nove volumes da série original. Ao retornar àquele universo, se fosse para ficar fazendo só mais do mesmo, não era necessário. Ele preferiu voltar trazendo toda uma nova turma de calouros bem diferentes daqueles da primeira fase. Com novos assuntos, novas personalidades e novos relacionamentos.

Porém, no fundo, Genshiken continua sendo uma história sobre um grupo de desajustados dentro dos desajustados.

Mas e vocês? O que estão achando dessa nova fase até agora? Não deixem de comentar!

Eu falo demais, né? rs

Extra: Repararam como o quarto do Madarame é cheio de coisa moe? Todo mundo sabia que ele gostava desse tipo de coisa, mas é engraçado tentar adivinhar as referências das figures. Tem várias de Lucky Star e K-ON (principalmente da Asuza).

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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