Conhecendo ‘Nanatsu no Taizai’ (SUZUKI Nakaba)

Eu estava atrás de um bom shonen para ler há algum tempo… e shonen de batalha, de ação e aventura. A principal revista do gênero, Shonen Jump, tem feito um bom trabalho trazendo títulos alternativos, mas nesse meu requerimento específico, está para nascer um novo One Piece ou Naruto. Decidi procurar fora então, fui para a concorrente, Shonen Magazine. Fiquei sabendo sobre um novo mangá, Nanatsu no Taizai, de Suzuki Nakaba, que tinha acabado de estrear e já estava sendo bem falado. Pronto, era o que eu precisava. Um mangá para eu acompanhar desde o começo na revista. Conheça agora um pouquinho de Nanatsu no Taizai, meu novo shonen de batalha preferido.

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Assim que eu comecei a ler, fiquei um tanto incomodado com o protagonista. Mais um moleque super-forte que detona todo mundo mesmo sendo um completo idiota. Goku manda lembranças. É tão difícil assim fazer um shonen com um protagonista um pouco mais velho, jovem adulto, sei lá. Samurai X tá aí pra provar que dá. Mas tudo bem, continuei lendo… e o moleque não é um moleque. Ele só parece uma criança, mas é um jovem adulto. Okay, solução cretina mas tirou o gosto amargo que estava em minha boca nesse começo, mas vamos falar um pouco da história.

Meliodas, o protagonista, é o dono de um bar itinerante chamado “Chapéu de Javali” (em tradução livre). Um dia, chega a sua porta Elizabeth, uma jovem menina, claramente abatida e sem forças. Ela está em busca do grupo conhecido como “Os Sete Pecados Capitais”. Segundo a história, este grupo havia tentado um golpe de estado e matado o então Rei de Britannia. O motivo da busca é a descoberta, por Elizabeth que o Rei não foi morto pelo grupo rebelde, mas sim por seus próprios generais, que tinham como objetivo instalarem uma ditadura militar, se nomeando “Cavaleiros Sagrados”. Os únicos com poder de parar tal devastação seriam Os Sete. Quando um grupo de soldados invade o bar atrás de Elizabeth, Meliodas a protege, se revelando o capitão d’Os Sete, o “pecado da fúria do Dragão”. Ele decide então se juntar a Elizabeth, que revelou ser filha do falecido Rei, em busca de seus ex-companheiros.

nnt_04_2Este é o cenário da história de Nanatsu no Taizai e esse é o nosso herói e nossa heroína. Ele pode se encaixar naquele clichê de personagem que aparenta ser bonzinho mas que tem um passado podre por trás, ainda tem muito o que se mostrar na trama a respeito dos passados dos personagens e suas verdadeiras habilidades, mas minha atenção, nesse início, acabou aportando em Elizabeth. Ela não entra no clichê de garota bonitinha super-dependente do herói. Ela quer participar, ela quer lutar, ela quer ajudar. Quando ela vê que é incapaz, que não tem poder, ela fica frustrada e quer buscar meios de ser útil com o pouco que tem. Isso me fez gostar da personagem.

Sim, a relação entre eles lembra muito a de Goku e Bulma no começo, com o pequeno toque de que o Goku era inocente enquanto que Meliodas sabe apreciar a beleza feminina (rs).

Mas, como eu disse, eu queria um mangá de ação e aventura e Nanatsu no Taizai entrega isso de maneira muito divertida. A aventura está lá, clara, na missão de reencontrar os ex-companheiros e no monte de confusões que essa busca irá colocá-los; a ação é que as vezes falha nesse tipo de coisa, mas não é o caso aqui. Nós temos boas batalhas, sem muita enrolação, que são bem desenhadas e legais de se acompanhar. Muito disso acontece graças à criatividade na elaboração dos Cavaleiros Sagrados, das suas aparências às suas habilidades. Eu fico sempre ansioso para ver quando o próximo vai aparecer.

Apesar de tudo, é nesse ponto que faço minha primeira crítica ao mangá: ele tá “jogando fora” Cavaleiro demais sem dar nenhum peso a isso. O mangá está bem focado na busca principal e nisso ele está impecável. No entanto, quando se trata das lutas com os Cavaleiros, não há nenhum peso real dado a elas. Parece só uma luta no estilo “inimigo da semana”. Apareceu, lutou, acabou. Eu sinto falta de um background maior para as batalhas. Os Cavaleiros parecem sem importância. E sim, tem uns que não tem importância mesmo, mas dá pra ver que alguns eram para ter um maior destaque e não o tem.

Para mim, o autor deveria decidir seu foco. Se quer focar na busca, deixe os Cavaleiros Sagrados de lado um pouco. Apresente um aqui, um ali, dos mais simples mesmo, só pra lembrar que eles existem e, quando a busca acabar, aí sim foca neles. Do jeito que tá, o leitor acaba por não se importar com cada batalha e com cada vilão derrotado. Não fica a sensação de “foi só mais um zé mané que apareceu pelo caminho”.

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Mas não fiquem com um pé atrás por causa disso. Eu é que sou chato (rs). O mangá não se torna menos divertido por causa disso. Afinal, como eu disse, a busca pelos ex-membros d’Os Sete Pecados capitais está interessante! Até o momento dois já entraram para a equipe e um terceiro já foi encontrado. Faltam três. Por sinal, vale dizer aqui que acho engraçado sempre que os personagens se mostram bem diferentes dos cartazes de “procura-se”. Sério, gargalho toda vez que a Elizabeth se mostra surpresa ao encontrar um novo, como na imagem acima.

Nanatsu no Taizai me pegou de jeito. Quando eu fui ver, já era fã e já estava encomendando o primeiro volume do mangá e botando o segundo pra pré-venda. É clara a influencia de One Piece na série, o que pode ter colaborado com o meu interesse nela. Porém, diferente de seu primo da Jump, Nanatsu no Taizai também não poupa na violência, mostrando cenas com bastante sangue, corpos perfurados, mutilados, etc, etc, etc… claro que não num tom tão pesado como um Berserk da vida, mas ainda assim, tá lá.

Uma história não tão original, afinal, pouco hoje em dia é realmente original, mas que nos motiva a acompanhá-la e isso é uma característica que eu respeito. Nanatsu no Taizai não tem medo de visitar os clichês dos shonen de batalha, mas o faz do seu jeito, competente, interessante. A série também tem sua pitada de humor, drama e por aí vai. Atendeu ao que eu buscava e hoje, como disse, é meu shonen preferido do momento (lembrando que eu sempre tiro o hour concour One Piece da disputa).

Porradaria honesta, aventura divertida de se acompanhar, boa arte e personagens com boa química entre si, pra melhorar, a série ainda está no começo. Deem uma chance e depois venham aqui me dizer se gostaram ou não.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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