BAKUMAN FINALE – Um Review do Anime

ATENÇÃO! Este post poderá conter spoilers do final do anime de BAKUMAN.

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Após três temporadas, com um total de 75 episódio, o anime de BAKUMAN chega ao seu fim, deixando muitos fãs com saudades, mas com um final bem melhor desenvolvido que no mangá.

A série começou a ser exibida em 2010 quando o mangá ainda era publicado e o estúdio escolhido, JC Staff, trouxe muita desconfiança. No entanto, ainda na primeira temporada o anime já se mostrou bem fiel à obra original com poucas modificações e nada que comprometesse a série como um todo. Começava de novo a saga de um dos meus mangás favoritos, mas agora em anime.

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Desde o começo, BAKUMAN era uma série de romance. Uma história de amor entre Moritaka Mashiro e Azuki Miho. Um romance diferente, recheado de excelentes personagens e ambientado no universo editorial da maior revista de mangás do Japão, a Shonen Jump (ou Shonen Jack, como o anime teve que adaptar). O final da série não poderia chegar sem amarrar esse romance entrelaçando com todas as histórias de todos os personagens tão agradavelmente desenvolvidos no decorrer de sua trama.

Mashiro era o típico adolescente que não sabia o que queria da vida. Iria seguir a maré e se tornar um funcionário qualquer numa empresa qualquer ter uma família qualquer e seguir uma vida qualquer. Uma realidade bem diferente da que sonhava em sua infância ao lado de seu tio, Nobuhiro, conhecido por seu pseudônimo de mangaká, Kawaguchi Tarou. Foi com o suposto suicídio do tio que Mashiro abandonou seus sonhos.

Isso até aparecer Akito Takagi, um garoto muito inteligente que queria justamente o oposto de Mashiro, uma vida não-convencional. Ele queria fazer mangá e insistiu tanto que Mashiro teve que embarcar junto dele em seu sonho. Tal ação fez Mashiro perceber que ainda havia espaço para sonhar. Descobriu também que seu tio não se suicidou, mas sim morreu por trabalhar tanto tentando fazer um novo sucesso.

Mas não foi só Takagi que motivou Mashiro. Azuki Miho teve um papel fundamental em dar o empurrãozinho que faltava para Mashiro seguir seu sonho. Ela revelou à dupla que seu sonho era se tornar uma dubladora de anime. Foi naquele momento que Mashiro viu que sonhos ainda eram possíveis. Se seu tio proveu toda a base/infraestrutura para isso acontecer, Miho foi o motor que fez tudo isso andar. Mashiro então revela seu amor pela menina, que corresponde, mas ambos fazem um acordo. Só ficarão juntos quando seus sonhos se tornarem realidade. Ele virar um mangaká de sucesso, e ela uma dubladora de sucesso. Quando um anime baseado num trabalho dele fosse feito, Miho seria a heroína e eles então poderiam se juntar.

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Tinha início então uma história de amor cujo plot central não era o desenvolvimento da relação entre os dois (apesar dessa ser tocada em vários momentos, como quando Mashiro estava no hospital), mas sim os sonhos de cada um, principalmente de Mashiro.

Minha quase declaração de amor à BAKUMAN foi feita na época do fim do mangá, lá estão todas as minhas impressões sobre a série e sua história. Nesse post, gostaria de dedicar mais texto para falar do anime e como ele tratou essa história de que gosto tanto.

No decorrer dos 75 episódios que compõe as três temporadas dessa séire, pudemos ver uma adaptação bem fiel do material original e que oferecia não só isso, mas um algo a mais para os fãs: um destaque ainda maior dos elementos metalinguísticos da série. Se lendo o mangá ficamos com uma vontade descontrolada de ler todas aquelas maravilhosas ideias que eram apresentadas nos mais diversos mangás fictícios, com o anime essa vontade é potencializada ao extremo. Temos segmentos inteiros dedicados a elas desde os primeiros segundos do primeiro episódio!

O anime me surpreendeu. Muito. Toda a desconfiança que eu tinha para com o estúdio não existem mais. E o final, nossa… foi lindo. Sim, lindo. O tempo que o anime teve para se preparar para ele o transformou em uma experiência muito mais bem trabalhada do que no mangá. Os eventos se entrelaçaram de forma mais suave e tiveram um impacto bem maior.

O momento em que Mashiro agradece a Kaya, esposa de Takagi, por tudo que ela fez pela dupla, desde a criação do pseudônimo deles até aquele momento foi recheada de carga emocional. Eu sempre achei ela a personagem que mais evoluiu no decorrer da série e uma das mais importantes para a carreira da dupla Ashirogi Muto. Ver o reconhecimento a ela ser prestado de tal maneira, me emocionou.

Outra decisão da produção do anime foi colocar um breve diálogo imaginário entre Mashiro e seu tio, Kawaguchi Tarou, pra amarrar esse lado da história e para mostrar que a missão ainda não acabou. Que o sonho que seu tio tinha e que foi realizado por ele está apenas começando. Poucos minutos que, novamente, me emocionaram e fecharam um plot de maneira satisfatória.

O pequeno momento de flashback de Mashiro e Takagi quanto a sua jornada também deu o tom ideal para o que estava por vir, que era a exibição do anime do mangá Reversi, que teria Miho no papel da heroína e que seria o avatar da realização do sonho de ambos.

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E mais uma vez o anime nos surpreende dando vida àquele meta-anime de forma sensacional. Nos deixando com aquela vontade de que Reversi fosse de fato feito no mundo real, mesmo que esteja clara a relação de Reversi com Death Note (mangá real de Ohba Tsugumi e Takeshi Obata, autores de BAKUMAN). Ou vocês acham que o mangá de Reversi ter terminado com aproximadamente o mesmo número de capítulos de quando acontece aquela fatídica morte em Death Note (quem leu sabe do que eu estou falando) foi mera coincidência?

Acontece que essa breve exibição do anime de Reversi para nós, espectadores, criou uma grande expectativa para a participação da Miho, e quando acontece, nós ficamos muito felizes, tal qual os personagens ficaram. O ambiente para a cena que todos esperavam estava criado, de maneria excepcional.

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E nesse ponto entra outro ponto de destaque do anime, seu elenco de dubladores. O trabalho feito por eles foi incrível. Eles deram muito mais personalidade para a cena do esperado encontro entre Mashiro e Miho. Algo que no mangá pareceu impessoal e um tanto sem graça, no anime ganhou tensão e expressão. O momento do beijo, somado à trilha sonora, ganhou o destaque que merecia. Fechando com chave de ouro essa incrível série.

Mas o anime não para por aí. O mangá cometeu a falha de encerrar com o beijo, fazendo o leitor sentir que faltava algo. Faltava amarrar as pontas dos outros personagens! E foi isso que o anime fez. Revisitou o plot de cada um dos coadjuvantes e deu um fim a eles. Seja o Eiji, o Nakai, o Fukuda, a Iwase, e até os mais secundários como Shiratori e Takahama, mas o destaque principal foi para o casamento de Hiramaru e Aoki. O casal ganhou a graça dos fãs e teve o final merecido, com direito a Miho pegando o buquê. Até a dupla Ashirogi Muto teve seu momento final, onde entregaram o projeto de seu próximo trabalho para o editor Hattori.

O anime termina da maneira que o mangá deveria, com uma menção ao casamento entre Mashiro e Miho. Fizeram uma piada e dedicaram o último segundo do episódio para mostrar uma imagem remetendo ao tema.

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E, de fato, o anime chegou ao final. Não teremos mais nada relacionado a BAKUMAN saindo. Nossa… esse final me deixou com saudades. Muitas. E me deixou com MUITA vontade de mais! Parabéns a toda a produção do anime. Fizeram um trabalho excepcional com a série e, principalmente com esse final. Posso dizer com todas as palavras que o final do anime foi melhor que o do mangá em todos os aspectos.

Diretor, Kenichi Kasai, estarei esperando seu próximo trabalho. Roteirista, Reiko Yoshida, muito obrigado por seu trabalho em BAKUMAN, estarei esperando por seu próximo trabalho também. No mais, um agradecimento meu também à toda a equipe do J.C. Staff que trabalhou nessa adaptação. Vocês fizeram um excelente trabalho que vai ficar na minha memória e na memória de muitos.

Vale lembrar que BAKUMAN está sendo publicado pela Editora JBC aqui no Brasil e se encerrará agora em Abril no volume 20!

O que podemos fazer é aguardar o próximo trabalho de Tsugumi Ohba e Takshi Obata, que não deve estar longe.

Não deixem de postar nos comentários o que vocês acharam do anime de BAKUMAN!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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