Maoyu – O porquê deste poder ser o melhor anime da temporada

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Se eu te mostrasse a imagem acima e falasse que se trata do melhor anime da temporada você provavelmente não acreditaria, não é? E eu não condeno você por isso. Nós somos bombardeados todas as temporadas com animes que dão mais atenção a peitos grandes do que a uma boa história. Porém, para nossa sorte, de vez em nunca aparece um que foge dessa amalgama. Um anime que traz uma boa história, bons personagens e cujo fansevice está ali da maneira mais natural possível, sem atrapalhar a história ou roubar toda atenção para si. Esse anime é Maoyu (Maoyuu Maou Yuusha), que pode tranquilamente levar o título de melhor anime da temporada.

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Em um mundo onde a humanidade está em guerra contra os demônios, o grande Herói da humanidade decide dar uma investida final contra o Rei dos Demônios. Ao chegar em sua fortaleza, o Herói se surpreende pois o Rei dos Demônios é uma linda mulher. Os dois acabam conversando e concluem que a manutenção da Guerra só se dá por interesse de ambas as partes, que o fim dela não traria benefício nenhum para os vitoriosos ou os derrotados. Ambos decidem então unir forças para guiar a humanidade e os demônios para a paz, mas de modo que ambos saiam ganhando fazendo uso de novas tecnologias agrícolas, presença política e até mesmo participação ativa em batalhas. Em meio a tudo isso, o Rei dos Demônios ainda revela ter uma enorme admiração pelo Herói, o que acaba evoluindo para um romance entre os dois.

Nomes “impessoalizados”

Para começar, vamos falar da GENIAL ideia que os autores da novel original (da onde o anime foi inspirado) em não dar nomes a seus personagens, na verdade, colocando seus nomes representando o que eles são. “Herói” e “Rei dos Demônios” são os nomes dos protagonistas e eles se dirigem a si mesmos assim! E não só eles como TODOS os personagens tem seus nomes representando o que são. Desde as empregadas até os reis. Essa “impessoalidade” acaba tendo uma resultado positivo. Faz você se importar por cada um dos personagens por ser lembrado de seu papel na história o tempo todo. O anime começa a ficar interessante nesse ponto.

Temos uma GRANDE história acontecendo

Maoyu não traz uma mera história de romance em que parece que o mundo ao redor do casal principal não existe. Pelo contrário, o mundo está em grande ebulição e o casal protagonista está no meio disso tudo com papel ativo! E toda essa agitação acaba influenciando no romance entre os dois. Sim, o romance entre eles também é relevante… afinal é o rei do “inimigo” se relacionando com o grande herói da humanidade. O que acontece é que em vista a suas grandes responsabilidades para conquistar a paz, este romance é raramente posto “pra frente” e quando acontece algo o espectador fica feliz pois é como se finalmente os dois pudessem dar uma pausa em todo o trabalho, curtir um momento juntos e depois continuar com suas inúmeras atividades.

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Ritmo de desenvolvimento agradável

A história de Maoyu poderia ser um fracasso se não fosse conduzida da maneira certa, porém, por sorte, o diretor Takeo Takahashi, que até então tinha dirigido animes de qualidade um tanto duvidosa como Spicy & Wolf e Yosuga no Sora, não decepcionou e conseguiu me fazer esquecer de todos seus trabalhos anteriores. O ritmo da história é ótimo e, numa história como essa, isso é particularmente difícil de se fazer já que temos muitos personagens, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, tudo se influenciando e se ligando… fico feliz de estar tudo sendo conduzido de maneira agradável.

Bons personagens secundários

É cada vez mais raro hoje em dia termos animes com bons personagens secundários. Muita atenção se dá aos protagonistas, mas são os secundários que muitas das vezes fazem a história andar. Em Maoyu, as pessoas sabem disso e dão o devido valor aos seus. São vários deles e em várias sub-histórias próprias que, uma hora ou outra, vão se encaixar. Temos o plot do Rei do Inverno, dos Mercadores, das Maids, da Freira Guerreira, e muitos outros que estão por aparecer. Cada um deles tem seus próprios personagens com suas próprias motivações em suas próprias histórias.

É tudo muito bonito

Não, eu não estou me referindo só ao decote da Rei dos Demônios, mas ao anime como um todo. Temos uma produção com boa animação, design de personagens e cenários. Tudo bem harmonizado e agradável de se assistir. A trilha sonora também merece destaque por dar o tom à história e as músicas de abertura e encerramento também são muito legais. O encerramento, em especial, é muito bom pois trazendo aquela animação estilo livro antigo dá à história aquela pegada de aventura clássica medieval.

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Nem todos são bonzinhos e nem todos são mauzinhos

Para pegar um ponto mais particular da história de Maoyu, não há um lado bom e um lado mau na história. Temos humanos bons e humanos maus, temos demônios bons e demônios maus. Todos lutam pelos seus interesses particulares. Sejam esses continuar recebendo investimento para sua cidade não morrer de fome, ou tomar proveito da miséria da guerra para melhorar seus negócios, ou até mesmo por puro sadismo. Cada um tem seu motivo, ninguém é santo. Uma boa representação do que acontece numa guerra de fato. Essa instabilidade de personalidade só torna cada personagem e cada situação ainda mais interessante. É aquele pensamento de “porque ele está fazendo isso dessa maneira?”, “qual o interesse dele nisso?” e por aí vai.

CONCLUINDO

Não querendo me estender já me estendendo, o que eu quero dizer é que Maoyu, além de ter me surpreendido não sendo um anime com fanservice e ecchi apelativo, ainda trouxe uma história interessante, com personagens interessantes em um universo interessante. Numa temporada fraca com essa de Inverno, sem dúvida ele irá se destacar. Eu estou gostando bastante do que estou vendo, mas fico triste por saber que só serão 12 episódios. Caso não concluam 100% a história, espero que tenham planos para uma segunda temporada e que as vendagens de DVD e BD possibilitem isso.

MAOYU está disponível no Crunchyroll BR! Clique aqui e assista!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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