Primeiras Impressões: PSYCHO-PASS

O que esperar de um anime que soma noitamina + Gen Urobochi (criador de Madoka Magica) + uma sinopse legal? Só o melhor, não é? Pra completar, os materiais de divulgação traziam um estilo de arte que muito me atraia. Será que o hype alto para essa série foi correspondido ou esse primeiro episódio acabou decepcionando?

Em um mundo onde o princípio de que “todos são inocentes até que se prove o contrário” não se aplica, o julgamento é dado por um sistema que analisa o estado mental das pessoas e as categoriza como potenciais criminosos ou não. É dado também uma probabilidade de “cura”, de recuperação mental desses indivíduos. Caso essas pessoas forem dadas como irrecuperáveis, sua sentença é a morte, mesmo que não tenham cometido crime nenhum. Como auxílio em suas investigações, a polícia usa um grupo de prisioneiros “especiais” para ajuda-los a capturar ou matar esses indivíduos “não mais necessários”. Akane Tsunemori é uma policial que acaba de ser transferida para essa divisão, mas ela parece não acreditar que existam pessoas irrecuperáveis.

Eu sempre gostei de um bom sci-fi. Na literatura, a ficção científica sempre me fascinou. Primeiro pela liberdade que os autores tinham de imaginar o mundo como quisessem e jogar nele todas as críticas políticas e ao “sistema” que quisessem de maneira metaforicamente clara. Porém, nos animes, eu consigo contar nos dedos das mãos o que eu realmente gostei. E em uma indústria que toma Asobi ni Iku Yo como sci-fi, fica complicado acreditar que vem algo de bom pra quando alguém diz que fará um. Porém, estamos falando de Gen Urobochi, o cara que trouxe Madoka Magica para nós. Eu não considero Madoka como o melhor anime do universo, como algumas pessoas insistem em afirmar, mas é um excelente anime e que subverte o gênero Garotas Mágicas.

Então eu assisti e cara, o anime era tudo que eu esperava.

Para começar, o visual lembra muito algo no clima de Blade Runner, um futuro fisicamente e mentalmente claustrofóbico onde os indivíduos ficam submetidos a um sistema central que os classifica “imparcialmente”. Toda essa ambientação já me cativou, mas não é o suficiente para o anime ser bom. Precisamos de personagens…

E PSYCHO-PASS entrega bons personagens, pelo menos que mostraram ter potencial para ser. Para começar, temos a própria Akane, que vem para criar o fator entrópico naquele núcleo estável. É ela que vai fazer a história acontecer, que vai fazer os outros personagens saírem do padrão. No entanto, precisavam ter feito uma personagem com uma cara de babaca daquelas? Mas tudo bem… os outros personagens não sofrem desse mal. Dos que tiveram uma participação melhor no episódio, temos o superior de Akane, Ginoza, a representação física do sistema. Um policial frio e que não questiona em nada as decisões do sistema. No grupo de prisioneiros, fomos apresentados melhor a dois deles. Primeiro, Masaoka, um homem um pouco mais velho que possui uma mão protética de metal e parece ser um veterano na posição. Ele parece um cara agradável, mas não pode-se esquecer que ele é um criminoso. Também temos Shinya Kougami, o rapaz que provavelmente terá lugar de destaque nesse elenco. Um ser misterioso que executa friamente suas vítimas e parece possuir incríveis habilidades físicas.

Ok, temos personagens. Mas e a parte técnica? Não vou nem criar suspense. O estúdio Production I.G. entregou um material de primeira qualidade. O uso de CG ficou excelente em completa harmonia com o 2D. A fotografia precisa, a animação fluida, os cenários detalhados, o design dos personagens bem trabalhado… não há o que reclamar. Se tem algo que se destaca mesmo dentre tantas qualidades é a trilha, que não aparece tanto, mas que cumpre seu papel.

Resumo da história: Assistam PSYCHO-PASS. Um anime competente tecnicamente, com uma excelente ambientação, personagens promissores, uma história que acredito ser muito boa e é noitaminA. Fica a dica de um dos melhores animes da temporada e do ano.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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