Primeiras Impressões: Jojo’s Bizarre Adventure

Para dar a largada nos reviews de “Primeiras Impressões” da temporada de Outono 2012, nada melhor do que o tão aguardado Jojo’s Bizarre Adventure. Esse anime teve seu trailer divulgado há poucas semanas e gerou uma repercussão muito negativa. A qualidade de animação não parecia muito boa e um monte de gente ficou com o pé atrás. Agora com o primeiro episódio em nossas mãos, será que o anime conseguiu agradar ou se provou uma verdadeira bomba?

No final do século XIX, Dario Brando encontra uma carruagem tombada na estrada. Ao tentar roubar os corpos que ali estava, um deles desperta e acredita que Dario o estava salvando. Este era George Joestar, patriarca de uma das famílias mais prestigiadas da região. Como débito a seu “salvador”, George adota Dio Brando, filho de Dario, para cuidar como seu próprio. Ao chegar na mansão Joestar, Dio encontra Jojo, filho de George. Vindo de uma família desajustada e criado por um pai miserável, Dio vê ali a oportunidade de se tornar tudo que seu pai jamais foi e não irá poupar esforços, inclusive de certos itens mágicos lendários, para conseguir isso. Ele vê que Jojo é um empecilho em seu caminho e decide transformar a vida do garoto num inferno. Nasce aí a rivalidade entre Dio e Jojo…

Jojo é um dos shonen mais tradicionais da indústria japonesa. Está em publicação desde 1986 e até hoje, com mais de 100 volumes publicados, ainda diverte uma geração de fãs. Fazer um anime de uma série tão longa, tão antiga e com um enorme número de fãs é um desafio e tanto. Este foi passado então para o estúdio David Productions, que recentemente teve uma experiência com shounens ao participar (ainda que de forma limitada e como assistente de produção) da adaptação de Kuroko no Basket.

O resultado final, tecnicamente, não está dos melhores. Isso é um fato. Mas se pensarmos que essa série tem a pretensão de ser longa, é natural haver um menor requinte na produção dos episódios, afinal, dinheiro não é infinito. Mas o que eu achei curioso quanto aos aspectos técnicos desse anime foi o quão inconsistentes eles são. Mais no caso da animação/character design. Em momentos eu olhava e falava: “nossa, isso parece animação em flash”, porém em outros momentos era um “nossa, isso aí tá bem legal!”. Essa diferença dentro do próprio anime pode incomodar, mas ao final do episódio posso dizer que, pelo menos para mim, incomodou pouco.

Acontece que todo o resto do anime está legal. A direção está muito boa (apesar deu conhecer pouco dos diretores que estão trabalhando nessa série). Os caras conseguiram fazer um bom primeiro episódio construindo a relação tensa entre Dio e Jojo de forma a criar no espectador aquele sentimento de raiva e admiração sobre as atitudes de Dio. Trabalho extremamente competente da equipe de diretores.

Outro aspecto legal, e nisso volto um pouco na parte técnica, foram as onomatopeias animadas. Achei simplesmente sensacional. Dá todo um clima de mangá animado que fica muito legal. Para ser sincero, todo o feeling da animação é um tanto noventista o que me agrada bastante. Ponto positivo.

Porém, o que sustenta de fato esse anime é sua história. Eu adoro uma boa história e Jojo me traz uma. Eu conheço esse início do mangá e sei o que vem pela frente e posso garantir que a história melhora ainda! A relação entre Dio e Jojo é muito bem construída e tudo o que acontece no meio é interessante. Uma história empolgante, fato.

Sim, o anime poderia ter tido uma roupagem melhor, mas a que foi dada não compromete. A história se destaca, assim como seus personagens. Tecnicamente é um anime instável, mas graças à sua natureza “duradoura”, é compreensível. Anime recomendável e que com certeza continuarei acompanhando. Gostei muito de ter me surpreendido com essa série.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

Para dar a largada nos reviews de “Primeiras Impressões” da […]