Karin Vol. 1 – Vampiros precisam de sangue, né? Bem… aqui é um tanto diferente!

Decidi adotar um formato diferente para as análises. Se gostarem, ou não, por favor, deixem um comentário.

————————————————-

Se você gosta de vampiros, e quando eu digo vampiros eu não me refiro aos purpurinados de Stephenie Meyer, você sabe que eles precisam sugar o sangue de outras pessoas para sobreviverem. Mas e se um dia nascesse um vampiro que ao invés de precisar ingerir sangue, precisa se livrar do sangue que produz em excesso? Esse é o caso de Karin, a protagonista do mangá homônimo, que chega hoje (ou daqui a alguns dias dependendo da distribuição) às bancas pela editora Panini.

A História

Karin é uma menina que só quer aproveitar ao máximo sua vida escolar. No entanto, o fato dela ser uma vampira está começando a atrapalhar seus planos. Se já não bastasse essa situação, ela ainda é um tipo único de vampiro, um tipo que precisa expelir sangue ao invés de ingerir. Isso se dá ao fato de seu sangue aumentar de volume de tempos em tempos forçando sua saída.

A situação se agrava quando Kenta Usui, um aluno transferido, atiça precocemente essa reação de Karin mesmo fora dos “períodos” sempre que ela está perto dele. O motivo disso é que Kenta é uma pessoa muito infeliz, o “tipo” preferido de Karin (fato que ela descobre só depois de conhecê-lo). A questão agora é como ela vai conseguir se controlar na escola e no trabalho, já que coincidentemente o menino resolveu trabalhar no mesmo restaurante que a colega. A solução é bem simples, ela tem que torná-lo uma pessoa feliz. Fazendo isso, o desejo irá passar.

Abre-se aí, então, um cenário recheado de possibilidades de comédia e romance.

Os Personagens

Karin, a personagem principal, é uma vampira, mas apesar disso, vive uma vida normal por ser diferente de outros de seu tipo. Ela não tem fotofobia, não gosta de sugar sangue dos outros e não tem muita habilidade com os seus aspectos vampirescos. O mais curioso é seu corpo produzir sangue em excesso e uma vez por mês ela ter que “liberar” esse sangue de alguma forma. Sua atração fora do comum por sangue de pessoas infelizes faz seu corpo reagir fortemente à presença de seu novo colega, Kenta.

Kenta vive sozinho com a mãe e tem que ajudar nas contas de casa, já que sua mãe não consegue ficar no trabalho por muito tempo pois são constante tentativas de assédio à ela. O menino então luta entre se focar nos estudos e ajudar sua mãe em casa. Ao entrar no colégio, conhece Karin e, por motivos errados, acaba se aproximando dela.

A família de Karin também merece atenção a parte. O casal de pais é formado por uma mãe dominadora e vampira radical que usa e abusa de seu marido, um vampiro subvertido aos desejos da esposa. Eles tem outros filhos além de Karin: Anju, irmã mais nova de Karin e extremamente habilidosa nas artes vampirescas, mesmo ainda não tendo despertado seu desejo por sangue, e Ren, irmão mais velho de Karin e mulherengo. É comum ele acabar ficando dias na casa de amantes pois chega a manhã e ele não consegue voltar pra casa.

O Clima

Karin é uma comédia e portanto tem muitos momentos de gags e situações engraçadas com reações exageradas. Porém, há um certo elemento de romance que deve se desenvolver entre Karin e Kenta. Mas apesar disso e da protagonista ser uma menina, Karin não é um shojo, mas sim um shonen. Então não espere um romance muito bem desenvolvido psicologicamente. O foco provavelmente ficará na comédia e em possíveis batalhas (não no sentido literal, mas podem esperar uma rival aparecer logo logo).

A Arte

O mangá começou a ser publicado em 2003, logo, vemos traços claros de um estilo mais puxado aos anos 90, com traços retilíneos, olhos extravagantes e reações faciais exageradas. Mas não se preocupe, não é nada exageradamente tosco como Saber Marionette. É provável que o traço evolua bastante no decorrer da série (que terá um total de 14 volumes), já que a publicação original terminou só em 2008, quando a filosofia dos traços mais suaves e arredondados já era mais comum.

A Edição Nacional

Karin está sendo publicado no mesmo formato de Sora no Otoshimono e Deadman Wonderland, mas apesar disso, não sofre tanto com páginas transparentes como foi constatado em Kobato da JBC e posteriormente no próprio Sora no Oto da Panini. O papel ainda está longe do ideal, mas apresenta uma (pequena) melhora em relação aos quase-papel-maneiga empregado nos já citados. A tradução está bem competente e fica a cargo de Jae HW (Sora no Oto). No entanto, irei destacar uma falha da edição nacional que me deixou bem incomodado: a presença de uma “borda branca” em volta das páginas do mangá.

Se você conhece um pouco de edição, sabe que na hora de mandar algo pra gráfica, você tem que mandar o material com um “sangramento”, que nada mais é que uma sobra no arquivo original do material para que na hora do corte do papel, a lâmina pegue essa sobra e não conteúdo importante. O que aconteceu com Karin (e pude constatar isso em Sora no Otoshimono também), foi que na hora de dimensionar o arquivo houve um desencontro entre o que foi criado aqui (como índice e glossário) e o que veio do arquivo original japonês (o mangá propriamente dito). Um ficou maior que o outro, o que aconteceu que na hora do corte, se deu preferencia pelo maior (o criado aqui) deixando o menor com uma borda branca que não deveria estar ali.

Para ilustrar seguem fotos do mangá nacional de Karin e Sora no Oto com a borda e Air Gear sem a borda. E não, isso não era pra estar aí e não existe no original. (clique para ampliar)

Reparem que não há borda no índice de Karin, porém, quando vamos para o mangá…

Reparem na borda mesmo nas páginas em que deviam ser tudo preenchido (como a da esquerda).

O mesmo acontece em Sora no Otoshimono, também da Panini.

Já em Air Gear, também da mesma editora, esse defeito não existe.

Considerações Finais

No geral, nós temos um mangá divertido e descompromissado, para aquelas tardes de domingo sem muita coisa para fazer em que você quer um entretenimento leve e divertido. Karin conta com uma boa tradução, um papel um tantinho melhor, mas tem esse pequeno defeito que não sei se será corrigido pela editora nos próximos volumes. Eu estou tentando entrar em contato com a Panini para saber o que houve, mas o ideal é quem comprou o mangá mandar um e-mail pedindo para corrigirem nos próximos volumes. Pelo que vi nesse primeiro volume, eu diria que recomendo Karin.

A avaliação desse mangá foi feita com base em um exemplar cedido pela editora Panini ao Anikenkai.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

Decidi adotar um formato diferente para as análises. Se gostarem, […]