Morre a Shonen Jump… nasce a Shonen Jump Alpha… nos EUA

Quem acompanha o perfil do ex-editor-chefe da Shonen Jump e atual vice-diretor do grupo shonen da SHUEISHA.Inc, Sasaki Hisashi sabe que ele vem falando bastante sobre planos para o ocidente. Planos, que se observados nas entrelinhas, visam evitar o monopólio dos scans. Apesar do mercado americano de mangás ser bem desenvolvido, ele ainda peca em atender aos leitores que querem acompanhar as séries mais rapidamente. Todo esse público consome scans e isso é algo que a SHUEISHA quer tentar minimizar (pois apagar completamente é impossível).

Em novembro de 2002 eles deram o primeiro passo rumo a essa iniciativa lançando a revista Shonen Jump nos EUA em parceria com a editora Viz. Não era uma simples cópia traduzida da revista japonesa (o que de certo modo não agradou alguns fãs mais puristas), mas sim uma revista própria, lançada mensalmente, com séries escolhidas pelos próprios americanos de acordo com o mercado americano. A revista chegou às bancas e os planos iniciais era que ela chegasse a uma circulação de 1 milhão de exemplares. Por diversos fatores esse número nunca foi alcançado. A reivsta manteve uma média de 250.000 exemplares em circulação.

Apesar de ser uma boa revista, a Shonen Jump americana não estava atendendo plenamente às expectativas da SHUEISHA em combater os scans. Com o declínio nas vendas, a Viz também se interessou em buscar novas formas de melhorar e, depois de conversarem bastante, pelo visto, decidiram cancelar a revista mensal e vão a partir de Janeiro  de 2012 publicar uma nova revista: Shonen Jump Alpha. A grande questão é que o que antes era MENSAL e EM PAPEL, vai virar SEMANAL e DIGITAL.

Exatamente! Uma investida clara ao monopólio dos scans. A Viz irá oferecer aos assinantes seis séries (One Piece, Bleach, Naruto, Nurarihyon no Mago, Toriko e Bakuman) que estarão disponíveis em inglês pouquíssimo tempo depois do lançamento japonês. Ou seja, um esquema bem parecido com o que o Crunchyroll faz com animes.

A grande questão aqui é a eficácia. Vamos avaliar os prós e contras…

Para começar, é excelente termos um meio oficial de distribuição rápida de mangás no ocidente (ainda que momentaneamente limitado aos EUA e Canada). Mas o grande problema é que quem acompanha essas séries escolhidas está acostumado a ler os scans ANTES do lançamento japonês. Se você não sabia, os scans traduzidos saem antes dos capítulos chegarem às “bancas” japonesas. Sendo assim, será que esse público vai pagar pra ler depois? Há razão prática para isso (tirando os valores morais)?

Sim, há. Para alguns pode parecer bobagem (já que tem gente que não se importa em ler mangá no papel podre da #VergonhaJBC), mas a questão é que apesar do trabalho de alguns grupos de scans ser impecável na hora de limpar as imagens, elas serão certamente inferiores à versão digital oficial, que certamente será a usada pela Viz na SJ Alpha.

Sendo assim, o leitor terá um material com uma arte em melhor qualidade e com tradução feita pelo próprio pessoal da Viz, pouco tempo depois do mangá ter saído no Japão e em diversas plataformas a um clique de distância (certo que a Viz vai utilizar pelo menos PC, iPad, iPhone e Android).

Infelizmente, isso tudo só está disponível nos EUA e Canada, mas, se até o Crunchyroll está vindo para o Brasil, por que não uma Shonen Jump Alpha pode aportar em terras nacionais? O que vocês acham de tudo isso? Assinariam um serviço desses se pudessem ter seus mangás em português pouquíssimo tempo depois dos japoneses em boa qualidade? Comentem.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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9 thoughts on “Morre a Shonen Jump… nasce a Shonen Jump Alpha… nos EUA”

  1. Com toda certeza é algo muito interessante. Se chegasse ao Brasil eu assinaria sim, pois nada melhor do que ler os mangas com boa qualidade e poder aproveitar ao máximo aquilo que gostamos.

  2. É claro que vai demorar muito tempo para isso chegar ao brasil, pois nos EUA os smartphones e androids estão presentes em quase 100% da população, facilitando adquirir os mangás e lerem ao mesmo tempo, por falta de tempo optarão pelos celulares doque no celular.
    Outro ponto é que nos EUA a qualidade dos mangás são quase identicas aos japones, e que cusão 3x ou mais em comparação aos que serão lançados na SJ alpha. Já li pela net que várias livrarias estão fechando as portas, pois muitos estao deichando de comprar livros de papel para comprar os do celular. Muitos concerteza comprarão e terá vendas muito maiores que a própria SJ.
    No Brasil ainda é cedo para vir, mas como você disse muitos vão comprar pelo fato da qualidade do mangá nacional ser péssimo. Mas muitos brasileiros preferem acompanhar por scanlators, por não terem dinheiro, não se importare com a qualidade e não possuirem celulares.
    Eu adoro folhear livros e mangás, poder colecionar, ter a presença deles e o que acaba com o uso da leitura em smartphones e PCs, e pra min, pra vir um meio desse de venda de mangás primeiro deve haver uma melhora significativa nos mangás nascionais.
    Como se diz o ditado: não podemos colocar a carroça na frente dos bois.

  3. Estou torcendo que de certo, se fosse no Brasil com certeza daria errado mas como é nos EUA é melhor esperar e ver afinal o povo de lá tem outra mentalidade.

  4. Bem, eu só assinaria algo assim aqui no brasil se tivesse HunterxHunter, que até nas scans saem bem depois de naruto e One Piece… =(

  5. Eu, por exemplo, prefiro esperar um ou dois dias para ler um material com certeza mais fiel ao original, no entanto, no brasil, acredito que não daria certo por dois fatores.
    1º já citado pelo Bruno, que é a presença de tablets e smartphones nos EUA, o que AINDA não acontece aqui, isso dificultaria um pouco as coisas. E talvez a sacada da Jump alpha (para os EUA) seja essa, apostando na melhor qualidade, que facilita a leitura em portáteis.
    2º A “cultura” brasileira, não pagaria para receber o que já tem de graça, apenas por qualidade, basta ver o sucesso que os CD’s, DVD’s piratas com qualidade equivalente a um vídeo caseiro e mais recentemente os MP1.589.545.213,32 que surgem um em seguida do outro cada vez com um nome mais comprido e fazem até pipoca.

  6. seria interressante ter aki no brasil,mas é muito dificil ser bem aceito como disse o mugi-chin. Mas pelo menos iam ter menos reclamações com scans sobre demora.

  7. Continuo com as scans :)! O próprio mercado de smartphones e tablets é contra esse movimento, tenho um aplicativo de graça pra Android que me permite ler qualquer mangar online do acervo de grandes leitores online como MangaFox, MangaReader, BleachExile… Não me incomodo com as scans americanas, o clean é perfeito, já algumas speed scans brasileiras me fizeram desistir de ler mangá em pt-br por causa da edição podre.

  8. Existe um grave preconceito com “brasileiro não é assim e mimimi”. A cultura nacional é isso a blá blá blá. ¬¬

    Bom, eu acho que muita gente pagaria pelo oficial.
    Existem muitas pessoas interessadas em facilidade, se der certo nos EUA dará certo aqui.
    Só que se fosse gratuito com publicidade ou algo do tipo eu apoiaria mais. Pagar pre ver online não me passar o sentimento de um bom negócio. É psicológico. Por isso eu ainda prefiro os scans por serem gratuitos. Não é um questão de pirataria, mas sim porque pagar por um conteúdo Digital sempre gera receio pra mim. Eu pagaria pela revista, porque eu teria como tocar, é um sentimento fisico de colecionador.
    Mas ler online e ainda pagando? Nunca.
    Pra mim deveriam fazer um mega site oficial e gratuito de mangá pra o mundo todo com traduções em diversas línguas e com uma publicidade inteligente e lojas dos próprios mangás, artigos de colecionador e até mesmo o anime. Pagaria só quem quer um tratamento de usuário Vip, dando várias regalias e descontos nas compras e fretes. Se quiserem audiência extra além dos mangás poderiam fazer um mini myanimes list só da Jump, ou Shueisha. Comentários e forúns fariam ser um dos sites mais acessados com dados do publico que potencializariam o investimento em publicidade com esses dados.

    Mas acho que por enquanto não vai acontecer porque eles não estão adaptados a internet. Quem sabe no futuro não? Esse é um primeiro passo. Por isso apesar de não pagar, apoio o projeto.

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