Primeiras impressões de "Nisekoi", nova série da Shonen Jump

No final do ano passado recebemos a notícia de que o autor Naoshi Komi teria um one-shot publicado na JUMP NEXT! (edição especial da Shonen Jump que sai duas vezes por ano e trás one-shots de novos e velhos autores) de inverno. Seria sua primeira publicação desde Personant, outro one-shot que fez para a Jump SQ (revista mensal shonen da Shueisha), publicado logo depois do fim da sua mais famosa série Double Arts (serializada na Shonen Jump semanal). O nome desse one-shot seria Nisekoi. Quando autores veteranos tem one-shots publicados na NEXT! (antiga Akamaru Jump), é indicativo certo de que é um teste para uma vindoura serialização na revista principal.

E, quase um ano depois, a serialização veio, na edição 48/2011. Irei evitar, nesse post, comparações com o one-shot. Se você já leu o one-shot e gostou, irá perceber as diferenças no decorrer do texto e, se não leu, irá encarar como uma série inteiramente nova para você.

Raku queria ter uma vida escolar normal, mas o fato dele ser filho de uma poderosa família da Yakuza (a máfia japonesa) nunca o permitiu realizar esse desejo. Mas mesmo assim, ele almeja ser um cara normal, se casar com uma mulher normal, ter um emprego normal e viver em uma casa normal. Por se dedicar muito aos estudos, ele nunca teve tempo para ter uma namorada, mas tem uma queda pela colega de classe, Onodera, um menina “normal” de cabelos pretos. No passado, quando ainda era bem criança, fez uma promessa para uma garota, que no futuro eles iriam abrir a fechadura de um pingente e nesse momento eles iriam se casar. O pingente ficou com ele e a chave com ela. O tempo passou e Raku não lembra mais do rosto da garota, mas guarda muito bem a promessa e o pingente.

Sua vida, que já não era tranquila, promete ficar ainda mais agitada quando Kirisa Chitoge, uma aluna transferida dos EUA, chega na escola. Sua personalidade forte entra em choque com a de Raku e ambos são obrigados a conviver já que a professora os colocou lado a lado na sala de aula e para fazer atividades extra-classe juntos. Eles claramente não se deram bem, principalmente depois de Chitoge debochar da promessa do pingente.

Mas tudo que está ruim pode piorar e ao chegar em casa, Raku descobre que será obrigado a namorar a herdeira de uma outra família de gangsters para firmar a paz entre eles e a Yakuza. Se só isso já não fosse atrapalhar seus planos com a amiga Onodera, ele ainda descobre que a tal herdeira é ninguém menos que a própria Chitoge.

Isso foi o apresentado nas 54 páginas desse primeiro capítulo, que contou com páginas coloridas e a capa da edição, como segue a tradição.

Para começar, tenho que destacar a qualidade do autor. Seu trabalho em Double Arts foi muito elogiado e o cancelamento da série até hoje é considerado como um dos maiores erros da história do departamento editorial da Shonen Jump. Os fãs aguardavam o retorno do autor com muito afinco e agora que ele está de volta, não decepcionou.

Sua arte continua muito boa e evoluiu bastante nesses três anos. Temos aqui uma série com personagens muito bem desenhados e meninas muito bonitas, sem abusar do fanservice. Para falar a verdade, não há fanservice nesse primeiro capítulo. Simplesmente não é necessário. Você sente simpatia e acha as personagens uma graça sem precisar apelar para esses artifícios.

Num quesito de construção de personagens, além de bem desenhados, suas personalidades estão bem definidas. Raku é um garoto bem inteligente, perfeccionista e paciente, descontente com a situação que sua vida familiar o coloca. Além disso, é fraco fisicamente e sem habilidade para lutas, o que o coloca sua capacidade na sucessão como chefe da Yakuza em cheque. Onodera não apareceu tanto nesse capítulo, mas nós já sabemos que ela é a tal garota que fez a promessa a Raku na infância, só que nunca revelou isso para ele. Pelo menos é isso que o autor quer que acreditemos nesse momento. É bom sempre desconfiar de algo que é jogado na cara assim. Chitoge tem uma personalidade bem oposta à de Raku. Ela não é tão boa nos estudos (pelo menos pareceu que não), tem grande habilidade e força física e não é muito agitada.

Juntar essa galera num triangulo amoroso tem potencial para gerar várias situações interessantes. Para começar, temos o fato da obrigação da relação entre Raku e Chitoge. Isso não é algo que pode ser contornado facilmente devido às circunstâncias que a instalaram. Será que Raku vai acabar desenvolvendo sentimentos por ela? Mas será que ele vai deixar a Onodera de lado já que ele acha que sua “paixãozinha” por ela é unilateral? E a própria Onodera, será que vai deixar de revelar ao Raku que ela é a menina que fez a promessa e que ainda guarda a chave consigo? Tem muita coisa pra acontecer aí.

Claro que é sempre possível o leitor não gostar da série por não gostar de romance, mas se você gosta, essa parece uma boa série para acompanhar. Há também elementos fortes de comédia na série que a tornam bem agradável de ler. A narrativa é muito bem feita e você consegue acompanhar bem o correr dos quadros e o que acontece neles.

É bom lembrar que esse é um romance shonen, voltado para jovens garotos. Por isso, se você é uma menina lendo essa série, não espere um romance shojo sair daí. A história será claramente focada no personagem masculina e contada sob sua visão. No entanto, isso não é motivo para vocês não acompanharem a série. Romances shonen podem ser muito legais. Exemplos são séries como Suzuka, Love Hina, Ichigo 100%, Video Girl Ai, dentre outros.

Nisekoi tem elementos que claramente o colocam como um possível sucesso. Seu autor é competente e já conta com uma fanbase forte. É torcer para a série agradar o leitor médio da Jump e se manter com uma boa colocação no ranking. Temos em mãos uma série que pode ser a de maior sucesso na classe de 2011. Desejo todo o sucesso a Naoshi Komi nessa nova série e que dure uns bons anos. Eu irei acompanhar Nisekoi e recomendo aos interessados por um bom romance shonen.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

No final do ano passado recebemos a notícia de que […]