"ST&RS" e "Kagami no Kuni no Harisugawa" – Uma olhada nas novas séries da Jump

Se você acompanha os ToC’s da Shonen Jump aqui no Anikenkai, sabe que quando uma série é cancelada, outra surge pra ocupar o seu lugar. As últimas séries a estrearem nas páginas da antologia que mais vende no mundo foram ST&RS e Kagami no Kuni no Harisugawa. Duas séries bem diferentes, mas que compartilham de um ponto em comum: ambas são muito bem desenhadas. Nesse post pretendo falar um pouco de cada uma delas. Comentando a história e dizendo o que eu espero do título. (cliquem nas imagens para aumentar)

ST&RS

De autoria do novato Ryousuke Takeuchi, ST&RS começa com um panorama geral do cenário. O ano é 2019 e o mundo está todo ligado em um importante anúncio: pela primeira vez o planeta Terra recebeu uma mensagem alienígena. Quem “descobriu” a mensagem foi uma jovem menina americana de 10 anos chamada Fifi Collins. Ela é uma prodígio da astronomia e coube a ela anunciar para o mundo o que dizia a mensagem.

“7 de Agosto de 2035, vamos nos encontrar em Marte”.

Depois dessa declaração, uma organização mundial chamada ST&RS foi chamada e todos seus investimentos dirigidos para tornar a ida do homem a Marte em 2035 possível. Obviamente era necessário que fossem encontrados pessoas aptas a se tornarem astronautas e ingressarem na missão.

É nesse cenário que um bebê diz sua primeira palavra. Não foi nem “mama” nem “papa”… mas sim “MARTE”. Esse menino é Maho Shirafune, o nosso protagonista.

15 anos passam e Maho, agora um adolescente está se preparando para entrar na Academia Espacial, uma escola que forma astronautas. Junto de sua amiga de infância Meguro e do recém transferido Wataru ele vai até a cerimônia de “boas vindas” para os candidatos. Lá eles escutam Fifi, agora com 25 anos, fazer o discurso de abertura.

Durante a cerimônia, Meguro, até então avessa à essas coisas do espaço, fica encantada com o discurso e se motiva a tentar entrar na academia com os amigos. Já Maho e Wataru percebem que há algo errado com o modelo do sistema solar que foi projetado na enorme arena.

Após o fim do evento, eles vão atrás de Fifi para tentarem entender o por quê o modelo estava errado. Ao chegarem lá, eles são barrados por seguranças mas Fifi logo os dá ouvidos. Ela então fica surpresa de só eles dois terem descoberto a brincadeira que ela havia feito adulterando o modelo da Academia Espacial. Ela congratula os meninos pela descoberta e os deseja boa sorte nos testes.

Porém, não é só isso. Fifi lembra que uma segunda mensagem extraterrestre chegou antes da mensagem que foi divulgada ao público, só que por causa de problemas nos equipamentos de recepção ela demorou algum tempo para ser recebida. A mensagem trazia a profecia de que um menino escolhido apareceria por volta daquela época em questão. Maho falou sua primeira palavra no momento EXATO em que essa primeira mensagem foi recebida, antes mesmo do mundo saber de sua existência. Somado a sua paixão e conhecimento sobre astronomia, Maho parece ser o garoto em questão, mas ainda é muito cedo para afirmar.

O primeiro capítulo termina com os três amigos prontos para fazerem os testes e, juntos, entrarem na Academia Espacial.

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Pessoalmente falando, eu gostei bastante da premissa desse mangá. Primeiro porque gosto bastante de histórias de astronautas, viagens espaciais, extraterrestres, etc… e segundo porque o fato deles terem colocado um objetivo fixo e que se aproxima a cada minuto que passa (afinal o tempo não para e os extraterrestres se encontrarão com eles em Marte no dia 7 de Agosto de 2035) faz toda a situação ganhar uma maior importância. Não há tempo a perder. Maho tem que mostrar seu valor e tem que conseguir se tornar um astronauta antes dessa data.

O que vai acontecer daqui pra frente só o autor sabe, ou nem ele sabe ainda, mas são muitas as possibilidades. Maho pode não conseguir se “formar” a tempo e ao chegarem em Marte os humanos são surpreendidos com uma raça alienígena maldosa que quer destruir a humanidade e cabe a Maho usar o que aprendeu para salvar o planeta…; Maho pode conseguir ir para Marte mas será sequestrado pelos alienígenas…; Enfim… muito pode acontecer, eu só torço para que seja desenvolvido da melhor maneira possível.

No quesito técnico, ST&RS é muito competente. A arte tem um nível de detalhamento pouco visto em séries shounen, principalmente séries recentes. Cenários muito bem trabalhados, um bom character design… tem tudo para ser um sucesso na Jump.

ST&RS está atualmente no seu 7º capítulo e ainda não possui nenhum tankobon publicado.

Kagami no Kuni no Harisugawa

O veterano Yasuhiro Kanou, autor de Pretty Face e Mx0, trás mais um romance ecchi para o seu repertório.

Em Kagami no Kuni no Harisugawa, acompanhamos a história de Tetsu Harisugawa, um garoto normal que ficou amigo de uma das garotas mais bonitas do colégio, Mao Satomi, depois de salvá-la de um atropelamento. Desde então os dois se tornaram bons amigos. Porém, como qualquer adolescente com hormônios a flor da pele, ele se sente atraído por Satomi além do nível de uma simples amizade. Apesar disso, ele nunca conseguiu se revelar pra ela pois teme que ela o rejeite e que deixe de ser amiga dele, tirando-o o pequeno prazer que ele já tem.

Um dia, ele encontra Satomi no meio da rua, logo depois dela gastar a mesada toda num espelho que ela achou bonitinho. Quando ela vai atravessar a rua para falar com Harisugawa, um carro surge em alta velocidade. Ele então corre para salvar a menina novamente de um atropelamento. Porém, ao final de tudo, ele simplesmente desaparece depois de empurrá-la.

O que realmente aconteceu foi que Harisugawa ficou aprisionado no espelho que Satomi tinha acabado de comprar. O espelho mágico absorve a pessoa que está num estado de pré-morte (no caso, ele seria atropelado pelo carro e morreria).

Quando ele acorda, se vê num completo breu e um ser estranho aparece para lhe dar somente duas informações: 1 – Ele só pode ver o mundo lá fora por uma janelinha. 2 – Só uma pessoa além dele pode saber que ele está ali. Depois disso, o ser se autodestrói. Harisugawa então olha através de uma janelinha que se abriu no vazio e percebe que aquele é o quarto de Satomi e que ela está lá tirando a roupa. Um sonho estava se realizando para o rapaz.

Ela logo percebe a presença de Harisugawa e os dois acabam se encarando. Ela fora e ele dentro do espelho. Depois de explicar toda a situação pra ela, as amigas de Satomi aparecem. Surpresa, ela esconde o espelho em algum lugar e vai conversar com as amigas. É aí que Harisugawa descobre que se o espelho original refletir a imagem de outro espelho, ele também será capaz de ver o mundo através dele.

Ao fim, as amigas vão embora só que sem querer, Saki, uma amiga de Satomi, leva o espelho na mochila. Ao chegar na casa dela, Harisugawa é capaz de ver o mundo através dos vários espelhos na casa da Saki e ele percebe que um tarado estava gravando com uma câmera escondida a amiga no banho. Ele então avisa Satomi que acaba pegando o bandido.

Ao fim do capítulo, os dois conversam sobre como vão proceder a partir daquele momento. Eles então decidem que vão fazer seu melhor para tentar tirar o Harisugawa dali. Ao se tocarem através do espelho na hora de “apertarem as mãos”, eles acabam trocando de lugar. Satomi vai para o espelho e Harisugawa volta para o mundo real.

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Muitos de vocês que estão lendo esse post vão ignorar Kagami no Kuni no Harisugawa só por ele ser um mangá ecchi. Porém, eu gosto de analisar esse tipo de coisa por outra ótica.

O público-alvo da Shonen Jump são meninos jovens. Nessa idade os meninos tão na puberdade e o que eles mais querem é dar uma conferida nas meninas. Seja vendo a calcinha, vendo ela nua, etc. Esse tipo de coisa faz parte da realidade do público-alvo e por isso acho que a Jump até tava carente desse tipo de material.

E em Kagami no Kuni no Harisugawa a temática ainda é mais legal. Imagine você ganhar o poder de olhar através de cada espelho do mundo. É o sonho da meninada poder espiar o vestiário feminino a hora que quiser. Um mangá que brinca com esse “desejo” de seu público é mais do que bem vindo e pode render uma história muito divertida.

A arte do mangá é excelente. O traço é bem no estilo shonen com grande enfase e detalhamento das personagens femininas e de suas roupas íntimas (rs).

Sinceramente, torço para o sucesso de Kagami no Kuni no Harisugawa. Não digo que vocês tem que ler o mangá, mas não vamos logo condenando a ideia por ser ecchi. Ichigo 100% e Video Girl Ai são ecchis e muitos defendem sua qualidade (eu incluso, rs).

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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