A Onda de Mudança de Gerações no Âmbito da “Diversão” em Genshiken II Volume 1/ Genshiken Volume 10 (Parte 2)

Esta é uma tradução de um post do blog Tamagomagogohan para mais informações, leia no início da Parte 1.

Links para as outras partes:

Parte 1

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As Impressões de uma Lacuna na Nova Geração de Genshiken

Acredito que este quadrinho de Nidaime torna esse contraste fácil de entender.

… Nossa… eles são… tão jovens!

Os três novatos do clube estão juntos aos antigos membros no apartamento da Ogiue (o lugar onde a Ogiue desenha seu mangá). Madarame e Sasahara estão obviamente entre os “garotos mais velhos”.

Se você observar a proporção de homens para mulheres, verá que o número de mulhores é maior que o de homens (apesar de uma certa excessão), e ainda que nenhuma delas está particulamente preocupada em evitar os outros. Se não me dissessem que isso era um grupo de otakus eu nunca teria adivinhado.

Claro que vocês podem dizer que é porque isso é só um mangá, mas mesmo assim, todos alí parecem estar se divertindo.

Entre eles, existe um personagem destacado, sentada no sofa com um olhar meio amargo no rosto: Yajima.

Entre os calouros, existe um garoto que se veste de mulher… ou devo dizer, um “otoko no ko.”[5]

O que a Yajima tem a dizer sobre tudo isso é inacreditavelmente fofo.

“Eu sou… bem avessa [muito resistente] a isso.”

Os sentimentos da Yajima para com a questão são, de certo modo, a ponte entre os diversos conceitos do que significa “divertir-se” em Genshiken. Ela está presa no meio da ponte e isso a deixa frustrada.

Se vocês olharem para a geração anterior, teve o episódio em que Madarame se opõe à “moda”, embora não fizesse o menor sentido. Mesmo ele mudando de idéia depois, o modo como Madarame e Yajima se distanciam é parecido.

O próprio termo “ota” é pouco usado em Genshiken.

Nesse volume, a única pessoa que fala esse termo além da Yajima é a Ogiue, e no sentido negativo de “ota”. A fala da Yajima no quadro acima, “Já que somos otakus, isso não importa”, praticamente resume tudo.

Por outro lado, você tem outra novata, Yoshitake (a garota de óculos no meio do sofá), que opostamente a Yajima exclamou, “meninas otakus e fujoshis são diferentes!” usando o termo positivamente.

Yoshitake determinou seu próprio status. Ela se considera uma “fujoshi” e não esconde isso. Apesar da própria Ohno ter percebido que era melhor se assumir do que esconder, com Yoshitake não tivemos nem essa evolução.

Bem, como vocês devem suspeitar, nem Yajima nem Ogiue se importam com moda. Eles estão bem usando um mero jeans. Mas de novo, se eu comparar a Ogiue de hoje com o que ela era quando usava os casacões, seu senso de moda se tornou bem mais apurado. Aquela gravatinha fica bem bonitinha nela. Já os jeans, eu não consigo entender.

O “otoko no ko”, Hato, é surpreendentemente estiloso. Yoshitake, que também parece ter um guarda-roupa bem variado, se mostra uma garota com gostos artísticos e literários bem variados. Mesmo Yabusaki, do clube de mangá, usa um pouco de maquiagem.

Yajima percebe essa diferença para com eles e isso a incomoda.

Ela originalmente se juntou ao clube porque pensou, “Eu gostaria de fazer algo divertido”, e seguiu com esse pensamento. Ela tem um complexo de inferioridade, mas isso também tem a ver com seu hobby otaku. Ela nunca foi apresentada a uma situação traumática, muito menos ela carrega algum fardo.

Diferente da Ogiue e da Ohno, ela não enfrentou um processo de iniciação intenso.

Mesmo assim, ela encara fortemente seus sentimentos de que existe uma forte e ireeconciliável diferença no que ela acredita ser um “otaku” e o que ela vê.

Ela pensa até que ponto uma pessoa chega pelo bem do “divertir-se” e seu coração fica perplexo com isso.

Basicamente, ela questiona a existência de Hato como um “otoko no ko”.

(continua em breve na Parte 3)

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Notas de Tradução:

[5] “Otoko no ko” (男の娘) é um trocadilho com a palavra para garoto “otoko no ko” (男の子), subsitui-se o kanji de “criança” pelo de “garota”. Poderia se traduzir para “trap” (“armadilha”, em inglês), um termo bem conhecido na internet que significa uma garota muito bonita, mas que na verdade é um cara. Eu preferi deixar o termo em japonês em virtude do trocadilho no kanji.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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