A Onda de Mudança de Gerações no Âmbito da “Diversão” em Genshiken II Volume 1/ Genshiken Volume 10 (Parte 1)

INTRODUÇÃO:

Não há dúvida para quem visita o blog de que meu mangá favorito é Genshiken. É uma obra para a qual eu realmente gosto de gastar tempo e me dedicar a sua análise. Não só para entretenimento, mas para observar todo o fenômeno ao qual ela se refere, no caso, os otakus. Por todos esses anos pesquisando e analisando Genshiken eu aprendi muita coisa. Pouco já foi publicado aqui no Anikenkai.

Numa dessas pesquisas, me deparei com um texto do blog japonês Tamagomagogohan traduzido para inglês pelo meu colega blogueiro do Ogiue Maniax. Era um post onde o autor mostrava o que sentia para com essa segunda fase de Genshiken. Como eu achei o texto interessante e pertinente (principalmente agora que recebi minha cópia do Volume 10), pedi autorização para ambos e posto aqui o texto traduzido para meus leitores.

Para ler o texto, é bom conhecer Genshiken, mas mesmo que não conheça ou só tenha ouvido falar, é uma leitura válida sobre como um mangá pode continuar mesmo tento uma mudança relativamente drástica em seus protagonistas.

TRADUÇÃO:

Por se tratar de uma tradução do japonês, existem muitos termos que perderiam muito do sentido em uma tradução. Estes foram mantidos e uma nota foi adicionada a respeito deles ao final do post. Assim como certas citações.

As imagens usadas aqui foram usadas no post original, obviamente aqui traduzidas para o português para entendimento da maioria dos leitores.

Espero que gostem.

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Genshiken II [Nidaime] Volume 1 ou Genshiken Volume 10 saiu!

 

Bem… é…

Genshiken Volume 1 saiu em 2002.

Realmente já faz quase 10 anos…?

 

Quando Genshiken foi lançado, era comum compará-lo com Kyuukyoku Choujin R.[1].

Como obras individuais eles são completamente diferentes, e não há porque compará-los diretamente (brevemente, em R temos o Cluble de Fotografia, estudantes do Ensino Médio, e nenhum interesse otaku entre seus membros, enquanto que em Genshiken temos a Sociedade para o Estudo da Cultura Visual Moderna, estudantes universitários, e é baseada em um grupo de otakus). Porém, quando você olha para as diferentes faixas-etárias entre os membros e como há uma certa lacuna entre as gerações das obras na maneira como eles “trabalham” seus hobbies, a comparação acima fica mais fácil de entender do que poderia-se esperar. É sobre ver como eles gastam seu tempo livre se divertindo.

Isso foi tão discutido que eu já perdi a conta. Fez parte da história dos anos 2000.

No entanto, para os leitores mais novos, o mundo de R foi um certo tipo de fardo, e a razão é a presença opressora dos veteranos.

Eu amo Tosaka-senpai e o resto deles, mas se você me disser, “Eles são um incômodo”, eu não poderia negar.

Não só isso, mas por comparação, Madarame-senpai em Genshiken, é bem mais suave, seguindo uma filosofia de viver pacificamente a todo custo. Quando você olha para isso, é algo meio fofo, mas você também pode ver que a relação senpai-kouhai [veterano-calouro] é bem mais tênue.

Esse é a primeira lacuna entre as gerações.

E agora, esta é a segunda.

O número de pessoas que leram Genshiken e se tornaram otakus por causa dele aumentou.

Eu aposto que pessoas que acabaram de ler isso pensaram, “Pera aí, o que?”

Eles diriam, “’Se tornar’ um ‘otaku’? Isso não é algo que se decide da noite pro dia, não é mesmo?”

Está certo, mas durante os anos 2000, o sentido da palavra “otaku” se tornou incerto. Não mais significava que você era um “fora-da-lei”, e não mais tinha uma conotação negativa na cabeça das pessoas. Dito isso, tudo também depende de com quem você está falando.

A cartada final veio no dojinshi [fanzine] que Shinofusa Rokurou desenhou para a edição especial do Volume 9 (o volume final) de Genshiken. [2]

É basicamente isso. Eu acredito que há pessoas hoje que nunca leram ou viram Genshiken (já que está esgotado), mas vocês não vão se arrepender de lerem. O mesmo vale para Mozuya-san Gyakujousuru.[3]

Yasuhiko Yoshikazu[4] disse uma vez, “Para um cara como eu, que odeia otakus, Genshiken é um mangá cheio de amor aos otakus que foi feito para exterminar os otakus.” Sentimentos bem conflitantes esses, não é? Mas eu o entendo.

Hoje em dia existem cada vez mais pessoas que não são “bonitas apesar de serem otakus”, mas sim “bonitas enquanto são otakus.” Isso não tem a ver com aparência física, muito menos só resultado final do ressentimento; na verdade, o que mudou é que ser otaku agora significa que você está curtindo um “hobby divertido”. Genshiken é uma obra que foi desenhada estando relativamente consciente disso.

Não é minha intenção formular uma teoria de como as gerações são diferentes depois disso. Não importa o que eu diga, o importante é perguntar para si mesmo, “O que eu pessoalmente acho?” No entanto, eu acredito que o número de pessoas que podem sair e admitir “Eu sou otaku” aumentou.

Para alguém como eu que viveu na época de enclausuramento otaku e pensava, “eu não posso falar que sou um otaku”, isso é uma sensação bem estranha.

Mesmo assim, eu diria que o que temos agora é o situação mais saudável.

Esse contexto pode ser observado na maneira como Genshiken foi feito. A geração do Madarame consiste de otakus que são relativamente reclusos que tentam ocultar seus hobbies e não aspiram se mostrar aos outros quanto a isso.

Ohno ao mesmo tempo também esconde seu hobby, mas é o tipo de pessoa que quer poder compartilhar esse hobby com os outros.

Kousaka e Sue simplesmente e livremente mostram ao mundo quão otaku eles são e como eles curtem ser, enquanto Sasahara é o tipo de pessoa que “viu a luz” só após entrar na faculdade.

Eu costumava enxergar a existência do Kousaka como uma fantasia, mas eu percebi que pessoas como ele realmente existiam.

 

O Volume 9 saiu em 2006. Se passaram quase cinco anos.

Agora nós temos o Volume 10.

E nele os personagens são bem diferentes do que costumavam ser.

Se os tempos mudaram, os personagens em Genshiken também mudaram, em termos de onde eles vem e como seus pontos de vista são.

Daqui em diante vou escrever a respeito das respectiva perspectiva da nova personagem Yajima assim como a de Madarame.

 

(continua em breve na Parte 2)

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Notas de Tradução:

[1] Kyuukyoku Choujin R é um mangá de Yuuki Masami, publicado na Shounen Sunday de 1985-1987. O personagem principal era um robo adolescente chamado R. Tanaka Ichirou.

[2] Assim como o Volume 6, saiu uma edição especial do Volume 9 de Genshiken que veio com um doujinshi de bonus, diferente do Volume 6, ele não foi acoplado à edição americana do mangá.

[3] Mozuya-san Gyakujousuru é um mangá de Shinofusa Rokurou. Publicado na Monthly Afternoon (a mesma revista de Genshiken) desde 2008, é sobre uma garota com um transtorno bipolar cujo nome refere ao seu descobridor, Dr. Josef Tsundere.

[4] Designer de personagens para Mobile Suit Gundam e muitos outros animes. Atualmente desenha Gundam: The Origin.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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