Galaxy Express 999 (Ginga Tetsudo 999, 1979) – Uma das minhas space operas favoritas!

Antes da humanidade existir nesse planeta, as estrelas brilhavam no céu…
Muito depois da humanidade sumir, as estrelas continuarão a brilhar…
Enquanto vivem, os homens olham para o mar de estrelas e o considera seu próprio destino.

Durante esse Anikenkai Movie Week eu falei de filmes de diversos gêneros, formatos, estilos… mas desde que comecei, eu sabia com que filme eu iria encerrar, Galaxy Express 999. É engraçado eu ter escolhido um filme que reconta a história de uma série, ao invés de algo original, mas eu tenho um carinho especial por ele. Foi uma das primeiras space operas que vi na vida. Assisti a esse filme antes mesmo de eu poder me considerar um fã de anime (naquele momento em que nós nos referenciamos a eles apenas como desenhos japoneses). Lembro como foi um sacrifício assisti-lo pois era em um VHS com legendas em inglês e eu, ainda moleque, mal estava começando a aprender a língua. Com a ajuda do meu amigo (que trouxe a fita dos EUA para cá), assisti ao filme e fiquei maravilhado com o que vi. Pouco entendi, mas gostei muito. O visual, a interpretação dos personagens, os próprios personagens… foi o meu primeiro contato com o Capitão Harlock, por exemplo (que nem é o centro das atenções nessa obra). Pensar sobre Galaxy Express 999 é lembrar de bons tempos e isso acrescenta ainda mais à experiência. Que ao final desse review você possa conhecer essa obra, se ainda não conhece, e então assisti-la.

A História

Tetsuro é um órfão que tem como objetivo de vida conseguir embarcar no Galaxy Express 999, um transporte espacial ultramoderno cujo destino é a Constelação de Andrômeda. O motivo disso é que lá se situa o centro do Império Mecânico. Na época em que essa história ocorre, a técnologia se desenvolveu ao ponto de que os seres humanos podem transferir suas consciências para corpos mecanizados praticamente indestrutíveis e, então, viver para sempre. Acontece que esses começaram a subjulgar os seres humanos e, por isso, os consideram como infeiores. Muitos ricaços gostam, inclusive, de caçar humanos por mera diversão. A mãe de Tetsuro foi morta por um desses caçadores, o Conde Mecha, e o menino decidiu que irá até a Constelação de Andrômeda conseguir um corpo mecanizado e assim, então, enfrentar e matar o assassino de sua mãe. A sorte bate a sua porta quando ele encontra com Maetel, uma linda mulher que muito o lembra de sua mãe. Ela está disposta a entregar uma passagem à Testsuro contanto que ele a leve em sua viagem. O menino aceita e assim, começa uma grande jornada pelo espaço sideral a bordo do Galaxy Express 999. A cada parada, Tetsuro irá perceber que ter um corpo mecanizado não é como ele imaginava.

Por que o filme e não a série?

Galaxy Express 999 foi feito em 1979 como forma de sintetizar a série de TV que ainda estava em exibição no Japão. Essa, já se prolongava para seus 113 episódios e a ideia era fazer com que novos espectadores pudessem curtir a história em, comparativamente poucos, 130 minutos. Obviamente foram necessárias algumas modificações para que a história funcionasse nas salas de cinema. A jornada por dezenas de planetas foi reduzida a uns quatro e a ordem do acontecimento de certos fatos também foram alteradas. Porém, no entanto, apesar da série perder nesse aspecto de desenvolvimento da jornada e, consequentemente, de alguns personagens, o filme nos traz uma narrativa muito mais focada e, assim sendo, muito mais tranquila para o espectador digerir.

Hoje em dia, com tantos animes disponíveis para nós, fica complicado pararmos para conferirmos uma série de 113 episódios. Mal arranjamos tempo para assistir as de 12. Nessa circunstâncias, o espectador que optar por assistir ao filme não vai receber uma obra caça-níquel, como muitos podem estar imaginando. O filme de Galaxy Express 999 é uma excelente compilação dos acontecimentos da série. Se optarem por ele, não irão se arrepender ou ficar com aquele gosto de que deveriam ter ficado com a série de TV.

Comentando o filme

A primeira coisa que me chamou a atenção no filme, foi o seu visual. Mesmo se você não soubesse quando o filme foi feito, você facilmente chutaria os anos 70 e acertaria. Esse filme exala anos 70! Reparem no visual de Maetel, por exemplo. Reparem nos gigantescos cabelos lisos. Reparem nas golas. Reparem até nas calças boca-de-sino. Não importe para onde você olhe, os anos 70 estão lá. Mas, além de toda essa influencia da época, ainda temos um traço que oscila entre o shonen e o shojo, passando por aqueles gag mangas. Personagens femininas são desenhadas com delicadeza, traçados alongados e olhos grandes cheios de emoção delineados por longos cílios. Mas ao mesmo tempo temos personagens masculinos desenhados com os traçados típicos de um herói shonen. E que tal os persoangens desenhados de maneira cômica e desproporcional? Galaxy Express 999 tem uma mistura de estilos que funciona muito bem juntos.

No que tange a história, é só usarmos o nome do seu autor original, Leiji Matsumoto, que você sabe que tem em mãos algo de qualidade. Afinal, o, agora já velho mas ainda vivo, mangaka foi o autor de Yamato e Space Pirate Captain Harlock. Mas esse filme faz ainda mais com o já excelente manga. Agora em cores, ele acrescenta uma atmosfera meio psicodélica à obra que incrementa a ambientação.

Há de se considerar também que alguns espectadores podem ficar perdidos com os personagens que fazem participações especiais, como Capitão Harlock, Emeralda, Tochiro. Esses personagens são recorrentes em várias obras de Leiji Matsumoto, mas podem parecer incógnitas para alguns não estão acostumados com o universo do autor. Apesar de que, sinceramente, é difícil você nunca ter visto, pelo menos em imagens, esses personagens.

Se tem algo que eu destacaria como negativo na história do filme, que não tem a ver com o filme em si, mas por ele ser uma adaptação de uma série, é o desenvolvimento do personagem principal. Acontece que ele cresce muito rápido, psicologicamente. O espectador não acompanha de perto a passagem do encarar a vida como uma criança para o encarar a vida como um adulto.

Tecnicamente, Galaxy Express 999 não traz nenhuma grande inovação tecnológica. Ele faz bonito com o que tem e só. Sem dúvida nenhuma se destaca de muitas obras de seu tempo não pela tecnologia usada ou a qualidade da animação, mas sim pela direção de arte, incluindo, o já mencionado, character design.

Considerações Finais

Galaxy Express 999 não é um anime sem falhas. Elas existem, sem dúvida. Também não há dúvida de que para muitos o filme pode parecer uma colagem de acontecimentos… mas afinal, é isso que ele é. Apesar dos esforços da produção em adaptar a série para o cinema, a ideia da narrativa episódica ainda é marcante. Mas além do seu visual, esse filme se destaca ao sobreviver muito bem à passagem do tempo. Quantas obras nós conhecemos que não são mais agradáveis de se ver e que são tão datadas que só fãs do período em que elas foram exibidas conseguem assisti-las… isso se até eles não desistir.

A história é relevante e sua mensagem continua atual. Eu já perdi a conta de quantas vezes assisti a esse filme. Porém, a cada vez, eu o percebo de uma maneira diferente. A falta de sangue ou nudez pode fazer com que esse filme seja encarado como algo infantil, mas ele não é. A viagem do Galaxy Express 999 segue uma linha de estação a estação. Sempre em frente. Assim é a vida. Essa é a mensagem do filme. A vida segue e, mesmo que você possa revisitar momentos de seu passado, você não será mais a mesma pessoa. Você nunca mais vai ser a mesma pessoa que era antes de começar a ler esse texto, por exemplo.

  • http://www.subeteanimes.com Panino Manino

    Eu adoro essa série mesmo sem ter visto.
    Nos últimos tempos estava me aventurando na série de TV, pelo menos tentando encontrar os episódios.
    Já que a imagem do filme está tão bonita, vou tentar assistir esse em breve.

  • Lucas Oliveira

    Muito bom o site , estão de parabéns ! Vcs tem o link para disponibilizar , pois não acho o filme pra download em nenhum site :(

    • Diogo Prado

      @Lucas

      Não disponibilizamos links por aqui, amiche.